<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571</id><updated>2012-01-31T15:50:24.762-02:00</updated><category term='novela'/><category term='Selo'/><category term='dando um tempo no marfim'/><title type='text'>pianistaboxeador21</title><subtitle type='html'>escrever é cravar dentaduras duplas na mágoa.

Daniel Lopes.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>157</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-6235770645670406558</id><published>2011-11-02T22:18:00.000-02:00</published><updated>2011-11-02T22:18:53.623-02:00</updated><title type='text'>A SOLIDÃO DO CARRASCO</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://t3.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQAsl9FzGZ7-nSyUPP8mPsnKX17DZ9bJGqw0oBntx0FrlibUEmj" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://t3.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQAsl9FzGZ7-nSyUPP8mPsnKX17DZ9bJGqw0oBntx0FrlibUEmj" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;b style="text-align: right;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Para Leandro Mendes, que conhece a ferida.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;b&gt;De todas as religiões, o cristianismo é a mais negra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Era menino, vida inteira na mão, mas meus olhos eram velhos. Tinham mais de sessenta anos, meus olhos. Mãe era religiosa, pai também. Vô e vó ainda mais. Vô era pastor da Igreja Assembléia de Deus e mantinha seu rebanho sob rígida disciplina. Pai ia ser pastor também e o que me esperava não era diferente. Não sabia o que tinha de errado comigo, mas sabia que não ia dar certo. Eu tinha um corpo e morava nele. Para o vô, corpo era diabo e diabo era corpo. Pai era fraco e aceitava. Eu não respondia, mas também não aceitava, toda vez que ia falar com o vô, tampava o umbigo com a mão esquerda para a palavra não entrar.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Escute menino, não houve um só homem que se entregou aos prazeres do mundo e praticou a caridade. É preciso ser casto pra amar os outros. Cristo deu o exemplo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Culto era quase todo dia. De tarde e de noite. Os homens, colarinhos abotoados até o pescoço. As mulheres, coques na nuca, pernas peludas e saiotes até as canelas. Todo mundo: cara triste. Nenhum artista (hoje sou escultor) é tão atormentado quanto um cristão autêntico. Gente assim é palco da navalha, estão rasgados ao meio. Sonham o céu, mas estão presos às tripas e às fezes. Ir ao banheiro, para quem ama o Cristo crucificado, é um pecado e uma humilhação. O Gótico é o mais profundo dos estilos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Mãe tinha asma e vivia trancada dentro daqueles templos fechados. Mesmo que não tivesse, seria difícil respirar ali. Era magrinha, mãe, canela fina, mas fazia cafuné em qualquer menino, nem precisava ser parente. O chão da nossa terra era seco, mas mãe tinha os olhos sempre molhados. Não eram lágrimas, porque não escorriam pelo rosto. Eram lagos soltos que não saiam por vontade própria. “A vontade da água sempre se impõe” Mãe dizia pelo olhar, ainda que olho não fale. Tinha uma amiga, mãe, uma única e melhor amiga. É dela que me lembro agora. O nome era Emanuela, não Emanuela não, nada a ver, o nome era Emília. Isso mesmo. Emília era morena, alta, riso fácil, viúva. Era o contrário de mãe, mas juntas elas formavam uma esfera. Isto aprendi depois que estudei as matemáticas. Lavavam roupas juntas. Faziam bolo de fubá e cuscuz para as festas da igreja. Quando terminavam o serviço de casa, uma sempre procurava a outra pra tomar café e falar da vida e da infância. Emília tinha um filho e viviam só ela e o filho, isso quando ele não estava na capital. Servia o exército. Era tudo. Na sala da casa dela, tinha uma foto enorme do filho vestindo a farda. Quando o rapaz vinha visitá-la, Emília corria pela vila alegre, pulava no menino e o cobria de beijo, assim que ele atravessava o umbral. Beijava a testa, o pescoço, a bochecha, o nariz, as orelhas. No culto, meu avô repreendia, aquilo não era postura de gente séria, mas Emília não ligava e sorria seu sorriso de dentes brancos. Vô corava, mas retrocedia, não falava mais, a austeridade tem medo do riso franco.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Estava dedilhando a rabeca (tentava aprender) escondido atrás de uma árvore, perto do umbral de entrada da vila, quando vi Emília correndo doida, descabelada, chorando e gritando. A mãe vinha atrás, pequena, mofina, tentando alcançar, mas se distanciando. Emília desapareceu na estrada. Atrás ficou uma nuvem de poeira como se um carro grande tivesse passado.&amp;nbsp; Mãe parou. Escondi a rabeca e fui até lá.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Que foi mãe?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Não conseguia respirar direito. Agachou no meio da estrada. Agachei também pra ajudar e foi aí que eu vi o que nunca tinha visto. A água dos olhos de mãe começou a escorrer, mãe não chorava, mas nessa hora chorou e a poeira da estrada se juntou às lágrimas. Tinha um som de sanfona que vinha do outro vilarejo, mas eu reparei foi que minha mãe chorava era lama. Uma lama grossa, marrom. A lama sempre diz o marrom e o marrom é a mais gomosa das criaturas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Que foi mãe? – Repeti.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Tomou fôlego outra vez.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Esperei.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Marcelo, o filho de Emília.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - O que tem mãe?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Morreu. Chegou telegrama pra ela ainda agora. Parece que a arma disparou sozinha.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Abracei minha mãe e fui levando ela de volta pra vila, devagar. Continuou chorando e chorava mesmo lama. Eu queria protegê-la, queria cuidar dela, porque, se Emília tinha perdido o filho, que Deus impediria que eu perdesse minha mãe? Antes de chegar à casa, estancou:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Me promete uma coisa filho?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Prometo mãe.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Quando você crescer, quando virar homem, saía daqui, não olhe pra trás. Vá ver o mar. Vá espiar a vida. Aqui nada cresce. Na geração de vocês, vai ser tudo deserto. Anda... Promete?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Engasguei.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Promete logo pra sua mãe, porra!&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Assustei com o palavrão. Acho que arregalei os olhos. A mãe apertou meu braço com força.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Prometo, mãe. Eu prometo. Prometo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Emília não ia mais à Igreja. Também não trabalhava mais. Passava os dias trancada em casa, as janela fechadas. Não sei como ela conseguia naquele calorão imenso. A mãe tinha feito um bolo de fubá e me chamou.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Vamo comigo, Dan, lá na casa de Emília.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Peguei as sandálias embaixo da cama e acompanhei. Batemos na porta. Ninguém abriu. Entramos. A casa estava limpa, limpa, mas parecia não haver gente. Atravessamos a sala. O retrato de Marcelo não ficava mais na parede. Fomos para a cozinha. Deixamos o bolo sobre a mesa. Mãe gritou Emília. Sem resposta. Abriu a porta do quarto dela: vazio. Se Emília não saía mais de casa, onde teria se enfiado? Só faltava um quarto para olhar. O quarto de Marcelo. A mãe olhou pra mim, senti um calafrio pior do que se tivesse com febre, nunca mais, em toda a minha vida e olha que hoje tenho setenta e quatro anos, senti algo parecido com aquilo. Acho que a mãe também sentiu a coisa ruim, porque sussurrou:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Senhor tende piedade de nós!&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Vambora daqui mãe.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Não. É necessário.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A coragem de mãe pôs a mão na maçaneta, olhou pra mim, respirou fundo e aí abriu.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Estava lá, Emília, deitada sobre a cama desarrumada. Abraçada ao quadro do filho, no meio do quarto imundo. Havia mofo em todas as paredes. Num lugar seco como aquele de onde saíra a umidade? Dezenas de aranhas imensas teciam teias que, à luz da porta aberta, julguei serem vermelhas. Num canto, perto de um prato com restos de comida, uma ratazana fizera ninho. Emília sentou-se na cama. Bem debaixo do quadro com um cavalo preto sem olhos. Tinha pintado ao redor das vistas de preto, mas as lágrimas fizeram a tinta escorrer por todo o rosto. O quarto fedia. A mãe chegou perto, tentou abraça-la, mas Emília estava molhada de xixi e toda cagada também. Mãe recuou, mas depois pegou Emília no estado em que se encontrava mesmo e a levou para o banheiro. Mãe era forte. Lembrei do sermão na mesma hora: “Quando penso que estou fraco, estou forte. Quando penso que estou forte, ali mesmo é que estou fraco”. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Pega toalha pra mim, Dan, gritou do banheiro.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Procurei a toalha de banho, mas não encontrei. Peguei a toalha de mesa mesmo e levei. O bolo caiu no chão. Abri a porta do banheiro e foi então que vi a gruta pela primeira vez. O aglomerado de pelos inspirava o terror. Corri para a cozinha de novo e esperei. A realidade, por vezes, tem pinceladas de pesadelo. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Vá embora, Dan. – A mãe gritou do quarto.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Era só o que eu queria. Abri a porta e saí correndo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Passou tempo. Era o culto de domingo. O mais cheio de todos. Emília tinha mudado de cidade. Os outros diziam que foi minha mãe quem deu conselho a ela. Eu cantava no coral e o coral era afinado. Jesus alegria dos homens. Não fosse Bach, hoje eu sei, Deus seria só mais um solitário. Bach, tão bonito. Ele ouvia os anjos. Acho que meu vô não gostava muito de Bach, não mesmo, porque interrompeu o hino no meio e começou a falar com suas palavras mais duras que estacas:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Se teu olho te faz pecar, arranca-o, porque é melhor perder um olho que perder o reino dos céus... Se teu...&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O avô estancou. Calou. Segurou firme para não cair do púlpito. Embranqueceu. Olhava fixo para a porta no fundo da igreja. Ato continuo, toda a igreja acompanhou seu olhar. Ninguém pode acreditar. Houve silêncio. Talvez o maior silêncio do mundo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Era Emília.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Entrou andando devagar. Gorda, morena, os cabelos longos soltos, vestindo só uma saia vermelha, sem qualquer peça de roupa na parte de cima. Os seios enormes de fora. Atravessou toda a assembléia e parou diante de meu avô. Abriu os braços, balançou o corpo e explodiu numa gargalhada de terror.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Meu avô abriu a boca para falar, mas as palavras se recusaram a sair. Estavam envergonhadas. Emília se sentou num cantinho vago na primeira fila e ficou séria como se esperasse o final do sermão. Sobre o seio esquerdo, bem em cima do coração, carregava desenhado numa tatuagem vermelha o rosto do filho morto.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Lá fora o vento sacudia a poeira e sussurrava palavras indecifráveis. Não eram permitidos poetas nos limites da cidade.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-6235770645670406558?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/6235770645670406558/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=6235770645670406558' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/6235770645670406558'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/6235770645670406558'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2011/11/solidao-do-carrasco.html' title='A SOLIDÃO DO CARRASCO'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-234944159107934054</id><published>2011-10-26T17:03:00.000-02:00</published><updated>2011-10-26T17:03:29.942-02:00</updated><title type='text'>lançamento do pianista boxeador em livro dia 28/10.Quem quiser, é só chegar, tem uns bebes depois.</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://a8.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-snc7/320727_127643647340692_100002851712839_117670_1466863617_n.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://a8.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-snc7/320727_127643647340692_100002851712839_117670_1466863617_n.jpg" width="241" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-234944159107934054?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/234944159107934054/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=234944159107934054' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/234944159107934054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/234944159107934054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2011/10/lancamento-do-pianista-boxeador-em.html' title='lançamento do pianista boxeador em livro dia 28/10.Quem quiser, é só chegar, tem uns bebes depois.'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-8172061695880689564</id><published>2011-05-18T10:53:00.000-03:00</published><updated>2011-05-18T10:53:38.893-03:00</updated><title type='text'>O ENORME PESO DO NADA</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://media-2.web.britannica.com/eb-media/36/38936-004-DA75102F.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://media-2.web.britannica.com/eb-media/36/38936-004-DA75102F.jpg" width="230" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O objetivo do presente texto... Não, assim, não. Formal demais. Não é minha cara... &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;“A verdade, meu amor, mora num poço, é Pilatos lá na Bíblia quem...” &lt;/i&gt;Também não. Ainda não é o que eu queria. Todo texto é uma escavação... Uma busca... Um parto... Há escritores que acreditam que o leitor não deve ter contato com esse processo. Ao leitor, segundo tais autores, deve ser ofertado o magma e só. Acho válido, mas não consigo trabalhar assim. Quero tirar o leitor pra dançar e dizer sinceramente ao pé do ouvido que estou tão perdido quanto ele... Daí meu gosto por reticências. Estou escavando também, não tenho certeza do que quer que seja. Incomoda-me muito o fato de meio mundo hoje escrever como se conhecesse cada detalhe do cosmos a que deseja dar a luz. Eu sou míope, enxergo muito pouco do outro lado. Há uma neblina densa que envolve o ambiente. O que vejo pode ser e pode não ser. Daí, como já disse, meu gosto por reticências... Nunca sei se estou acertando.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Mas não é sobre as reticências que quero tratar. Não aqui. O objetivo do presente texto, como diz o excerto do Noel Rosa aí em cima, é a verdade. Somente a verdade, nada além da verdade.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Comprei, ainda ontem, um livro sobre tarô surrealista. Sou ligado ao ocultismo, mesmo que me considere um cético. Na verdade, (que verdade?) nunca conheci cético que não fosse crente. Crente na ciência... Na Arte... Num destino grandioso para a humanidade... Numa ética laica. Ninguém consegue suportar sem subterfúgios &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;“o enorme peso do nada”, &lt;/i&gt;como diria Joseph de Maistre.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Esqueçam Berkeley, se levarmos em consideração as melhores ferramentas que temos, a razão e os sentidos, todas as evidências, desde o nosso lugar no Universo, até tudo o que tocamos, vemos e ouvimos, nos levam a crer que nossa existência aqui na Terra é fruto de uma miríade de acasos e coincidências e que a vida não tem fim Sublime algum. No final, nossas cinzas estarão espalhadas pelo chão de qualquer boteco, feito as cinzas de Murphy no final cômico e triste do livro de Samuel Beckett. Sem fantasias, o nada é a verdade. E agora? Como lidar com isso?E agora que tanto faz escrever como não escrever diante da noite imensa do tempo? Mesmo os vencedores perderam. Um dia a língua em que escrevemos não existirá. Um dia o planeta no qual nos preocupamos com as contas a pagar e com amor vai se dissolver no espaço, ainda menor que o grão de areia que respiramos sem perceber e que nos faz espirrar e praguejar logo em seguida. &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;“A vida está cheia de som de fúria rumo ao nada”. &lt;/i&gt;Diz Macbeth, num momento de rara clarividência, logo depois da morte de Lady Macbeth. O nome de Deus não é Javé ou Alá, o nome de Deus é Tanto Faz.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Sinto cheiro de carniça. A verdade, meu amigo, é uma carranca malcheirosa. De certa maneira, todos somos o boi esfolado de Chaïm Soutine. Você consegue sentir o cheiro podre das cores e o zumbizar das moscas?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;É por essas e outras que eu quero que a verdade se foda. A escrita é a coisa mais importante pra mim. Então, que mintam pra mim e me digam que eu escrevo como um Deus. Mintam-se todos uns aos outros. A crítica, como tudo o mais, é um lance de dados, não tem nada a ver com mentira ou verdade. Se a moça é estrábica, de canelas finas e barriguda, mintam pra ela e digam que ela é a cara da Audrey Hepburn em Tiffany´s Breakfast. Se tiverem estômago, dêem-lhe também um beijo na boca, não precisa pôr a língua nem nada, só um selinho que é pra ela acreditar de fato. Todo ser humano merece um selinho de vez em quando.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Nietzsche, que acertou em tudo, disse que &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;“temos a Arte para não perecermos em consequência da verdade.” &lt;/i&gt;Eu diria que não só a Arte, mas a ciência, a religião, o amor, a amizade, tudo isto existe para não perecermos em consequência da verdade. Os homens construíram a humanidade e o progresso para fugir da verdade. O Vácuo uiva no fundo da Caverna. Acho que foi Nietzsche também, sempre ele, quem cravou: &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;“Se conhecêssemos a Verdade, ela nos aniquilaria”. &lt;/i&gt;Ou é isso, ou é qualquer coisa assim.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Não fui dotado dos genes da Felicidade. Desde menino, a sombra negra sempre me acompanhou, silenciosa e sorrateira, junto à respiração, como o olhar de um urubu. Eu podia estar jogando bola, eu podia estar jogando bem. De repente, sem mais nem menos, vinha o vazio e a certeza de que alguma coisa terrível aconteceria, mais cedo ou mais tarde. Deus era um alívio nessa hora. Nietzsche nunca perdoou a razão por ter destruído sua fé. Eu também não. Ainda rezo às vezes, mas não é mais a mesma coisa, não existe conforto. Tomo um comprimido. Bebo um copo com água. Peço à minha mulher pra repetir que tudo vai ficar bem. Nada alivia. É preciso aprender a conviver com a verdade e suportar sua visão desoladora e seu cheiro de ruína.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Em verdade, em verdade vos digo que estamos mesmo é num mato sem cachorro e que chove &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;“uma triste chuva de resignação”. &lt;/i&gt;Do outro lado da estrada, a morte vem a galope como uma puta com as tetas de fora.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: xx-small;"&gt;&lt;i&gt;Imagem: Beef carcass paintings, de Chaïm Soutine&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-8172061695880689564?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/8172061695880689564/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=8172061695880689564' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/8172061695880689564'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/8172061695880689564'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2011/05/o-enorme-peso-do-nada.html' title='O ENORME PESO DO NADA'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-2852273718386606548</id><published>2011-04-15T23:35:00.000-03:00</published><updated>2011-04-15T23:35:31.716-03:00</updated><title type='text'>IV ENCONTRO PRÁTICA DE ESCRITA</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://terracotaeditora.com.br/pcl/wp-content/uploads/2011/04/Teaser4pcl2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://terracotaeditora.com.br/pcl/wp-content/uploads/2011/04/Teaser4pcl2.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Trebuchet MS', Trebuchet, Verdana, sans-serif; font-size: 14px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Trebuchet MS', Trebuchet, Verdana, sans-serif; font-size: 14px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Trebuchet MS', Trebuchet, Verdana, sans-serif; font-size: 14px; text-align: justify;"&gt;O Encontro Prática de Escrita acontece informalmente desde 2001, mas há quatro anos o evento ganhou periodicidade e formato e vem se tornando parte da agenda de quem gosta de literatura. O principal objetivo do encontro é reunir pessoas que não só apreciam a literatura, mas também tudo que circunda a prática de escrita literária. A programação é dividida em dois tempos, o primeiro gira em torno das mesas com palestrantes, que discorrem sobre assuntos que permeiam o universo da literatura; o segundo tempo é das oficinas de criação literária. Pelo evento já passaram nomes como: Milton Hatoum, Marcelino Freire, Raphael Draccon, Kizzy Ysatis, Roberto de Souza Causo, Sérgio Pereira Couto, entre outros.O evento deste ano tem como convidados: o escritor, jornalista e apresentador do programa Metrópolis, da TV Cultura, Cadão Volpato; a jornalista, escritora e apresentadora do programa Letras &amp;amp; Leitura, na Rádio Eldorado, Mona Dorf; e o escritor e jornalista, apresentador do programa Perfil Literário, na Rádio Unesp,Oscar D’ambrósio. Cadão falará sobre sua prática literária; Mona Dorf e Oscar tratarão do universo literário, compartilhando suas experiências em centenas de entrevistas com escritores.O encontro deste ano acontece no dia 7 de maio, sábado, das 10h às 16h30, na Universidade Cruzeiro do Sul, campus Liberdade e é organizado pela Terracota editora como parte da programação do curso de lato sensuem Criação Literária. A inscrição deve ser feita aqui:&lt;a href="http://terracotaeditora.com.br/pcl/?p=545" style="color: #de7008; text-decoration: none;"&gt;http://terracotaeditora.com.br/pcl/?p=545&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Trebuchet MS', Trebuchet, Verdana, sans-serif; font-size: 14px; text-align: justify;"&gt;O limite de vagas é 120 para as mesas e 15 por oficina.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-2852273718386606548?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/2852273718386606548/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=2852273718386606548' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/2852273718386606548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/2852273718386606548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2011/04/iv-encontro-pratica-de-escrita.html' title='IV ENCONTRO PRÁTICA DE ESCRITA'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-162885664738793480</id><published>2011-04-12T11:45:00.001-03:00</published><updated>2011-04-12T11:46:22.206-03:00</updated><title type='text'>Trem de doido</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_6k0fjc3mjSc/SM_aPsEOTUI/AAAAAAAAAgE/ZNemP6K6lIk/s400/Lucien_Freud.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="341" src="http://2.bp.blogspot.com/_6k0fjc3mjSc/SM_aPsEOTUI/AAAAAAAAAgE/ZNemP6K6lIk/s400/Lucien_Freud.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;A vida é um osso duro de roer. Desenterro os dias. Rizomas mortos. Enfio os dentes e perfuro até chegar ao tutano. Tenro. As moscas brancas cercam minha cara e incomodam. Olhos de boi. Estou há três dias soltando as tripas. Mais um dia de merda. As varejeiras continuam me fodendo a vida, rondando meu rabo. Oroboro o caralho. Nunca fui dado ao misticismo. Mandalas nunca me acalmaram. Gatos de Alice sarcásticos na janela. O suicídio é pra poucos. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Não consigo parar de pensar naquela cadela, a vaca só queria mesmo ser comida, depois sumiu, foi dar pra outro. E eu uivando feito tonto. Pau a pique. O amor é mesmo uma construção burguesa. Fico horas olhando as roupas secando no varal. Toda intimidade exposta a céu aberto. Pardais ciscam no quintal, sempre em cima do muro. É difícil assumir uma posição.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Se não bastassem os três dias de diarréia, ontem fui atravessar a rua e um idiota de um moleque me atropelou. Lembrei do Rogério e sua crônica sobre um animal de pelo curto e amarelo. Gosto de imaginar o amarelo sangrento no asfalto, feito um piche inventado. Baleia zonza debaixo do sol. Agora a minha perna está em carne viva, posso escutar o sorriso desses malditos mosquitos. Larvas me devoram e eu ainda não morri. Como pode um animal se conformar em viver sob a pele de outro? Parasitas me causam nojo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Sinto tanta dor que o suor e a saliva escorrem abundantes pela minha língua. Acordo e o meu corpo está todo dolorido e não para de coçar, parece que carrapatos perfuraram a pele e fizeram ninho na ferida exposta.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Era só o que me faltava mesmo. Vejo duas mãos enormes. Luvas brancas. Já até imagino o que me espera. É o Rogério. Ele aperta com força. Duas, três, quatro vezes. Uma berne salta e se esparrama elegante no chão. Tento agarrá-la. A coceira para. Mas preciso ficar deitado até essa perna sarar, ele alerta enquanto afaga entre minhas orelhas. Eu não posso mais perseguir o centro de mim. E afinal, o que mais pode um cão fazer além de correr atrás do próprio rabo? Hidrofobia. Mordo a canela do meu dono.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;um texto de Marcia Barbieri:&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: normal;"&gt;&lt;a href="http://www.avidanaovaleumconto.blogspot.com/"&gt;http://www.avidanaovaleumconto.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-162885664738793480?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/162885664738793480/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=162885664738793480' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/162885664738793480'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/162885664738793480'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2011/04/vida-e-um-osso-duro-de-roer.html' title='Trem de doido'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_6k0fjc3mjSc/SM_aPsEOTUI/AAAAAAAAAgE/ZNemP6K6lIk/s72-c/Lucien_Freud.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-3096222522071539010</id><published>2011-03-20T20:53:00.001-03:00</published><updated>2011-04-09T18:05:25.131-03:00</updated><title type='text'>NO TEU ROSTO O PÓ DE ARROZ, NO MEU PEITO A CRUZ DE MALTA</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Meu sorriso cínico &amp;amp; orgulhoso desaparece do teu lado&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Naquelas fotos que tiramos juntos&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Meus olhos tristes &amp;amp; desengonçados desaparecem do teu lado &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Naquelas fotos que tiramos juntos&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Meus próprios rostos (eu tenho sete) não estão mais &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Naquelas fotos que tiramos juntos&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;É como se nunca tivéssemos existido.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Guardado no porão dos teus dentes&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Vai ficar o gosto agridoce do meu pênis&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&amp;amp; entre teus seios, as cicatrizes causadas pelo meu esperma quente&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Quando algum estranho perguntar por aquelas marcas profundas na tua pele&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Quando alguém perguntar pelo gosto selvagem na tua boca&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Aí e só aí&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Vai surgir minha lembrança&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Feito a cor cinza de um dia de chuva&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Feito um véu evangélico&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Feito a Burca surrada no rosto castrado de uma afegã de olhos azuis&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Será verdade?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Você vai indagar com teu coração de ficcionista&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Enquanto eu&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Caminhando para o outro lado dos retratos&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;De mãos nos bolsos&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Vou assobiando um samba duro:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;No seu rosto o pó de arroz, No meu peito a cruz de malta&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;object class="BLOGGER-youtube-video" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" data-thumbnail-src="http://0.gvt0.com/vi/0abULF_PGRA/0.jpg" height="266" width="320"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/0abULF_PGRA&amp;fs=1&amp;source=uds" /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF" /&gt;&lt;embed width="320" height="266" src="http://www.youtube.com/v/0abULF_PGRA&amp;fs=1&amp;source=uds" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-3096222522071539010?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/3096222522071539010/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=3096222522071539010' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/3096222522071539010'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/3096222522071539010'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2011/03/no-teu-rosto-o-po-de-arroz-no-meu-peito.html' title='NO TEU ROSTO O PÓ DE ARROZ, NO MEU PEITO A CRUZ DE MALTA'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-5739018414180614816</id><published>2011-03-16T19:53:00.001-03:00</published><updated>2011-03-17T11:16:04.772-03:00</updated><title type='text'>A última revolta de Jesus Cristo</title><content type='html'>&lt;div style="color: #1d1d1d; font-family: arial; font-size: 12px; line-height: 19px; margin-bottom: 15px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 15px; outline-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; outline-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;(CONTO DE ROGERS SILVA:&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px; border-collapse: collapse; color: black; font-family: arial, helvetica, clean, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 15px;"&gt;&lt;a href="http://www.rogerssilvaoriginal.blogspot.com/" rel="nofollow" style="color: #003399; line-height: 1.2em; outline-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; text-decoration: underline;" target="_blank"&gt;http://www.rogerssilvaoriginal.blogspot.com&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;strong style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; outline-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #1d1d1d; font-family: arial; font-size: 12px; line-height: 19px; margin-bottom: 15px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 15px; outline-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; outline-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;Baseado numa história que tudo indica ser real.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Doía, muito doía, e não havia nada que pudesse fazer para estancar o sangue, que escorria. A impotência doía. Doía e não enxergavam, não viam – ou não queriam ver? Doía e não era dor pouca, pois em todos os momentos se vira sozinho, todos desapareciam, sua única companhia era o desgosto, era. As aves no céu voavam indiferentes. E doía. Agora percebia enfim que doía, e não só percebia como sentia agora todas as dores passadas, agora. A solidão. A ausência machucava, doía. A ferida aberta, e os vermes vindouros. As mãos doíam, e muito. As pernas doíam, e muito. O tronco doía, muito. A flechada, os cuspes, a coroa, os espinhos – tudo doía. Os sarcasmos feriam, e doía. Os risos. Os socos tão-somente nesse instante sentia, e doíam, como socos dados em vão, porque em vão foram. Apenas serviram para aumentar a dor. A hostilidade. Valeria o sacrifício, valeria? O sol quente. O céu claro. A vontade de urinar doía. Os rins doíam, sobretudo. O suor que sujo escorria. O sal. O fel. O mau hálito. As lembranças também doíam. Herodes (Jesus ainda bebê) mandara matar todas as crianças abaixo de dois anos. As mentiras inventadas, a hipocrisia. Herodes não queria adorá-lo, não queria. E o Pai, sabia? Fora cúmplice? Não fora tudo profetizado, não estava escrito? Doía. A crueldade de Arquelau. Os avisos de Deus. As interferências. As tentações de Satanás – tudo premeditado. Doía. Sua história não fora escrita por Si mesmo? A morte de João feria e fazia doer. A cabeça ensanguentada de João. Sangue. Os demônios. A lepra. Os fariseus, que tramaram sua morte. Hipocrisia. Ai de Jerusalém! Doía, porque davam dízimo, conheciam as Escrituras, jejuavam, oravam, mas não viviam segundo a justiça e a fé. Muito. Doía. Os judeus hostis. As enganações doíam, e muito. Todas as dores possíveis nele se convergiam. O tremor. A ira. O ódio. A vingança. As mortes dos que não estavam na Arca de Noé. Doía a piedade e o consequente remorso que sentia, agora, só agora, pelos não privilegiados do Pai. As crianças afogadas nas águas do dilúvio. As crianças se debatendo contra as águas salgadas. Seriam salgadas, seriam? A compaixão que nutria, agora, e só agora, por Caim. O sofrimento de Jó era ele, Jesus, que sentia e doía, doía mais do que doeu em Jó. O gosto da fruta (amarga) que Adão comeu doía o estômago. A liberdade, a esperança perdidas, o paraíso, a felicidade perdidos – doíam, e era uma dor que feria. O pranto sobre a cidade condenada. A figueira estéril. As profecias doíam. A ambição dos homens. A agonia passada. E, após todo o sofrimento, a sentença. Meu Pai. Este suor que escorre e se mistura ao sangue, estas lágrimas que escorrem e se misturam ao sangue, esta saliva que escorre e se mistura ao sangue, estes cuspes que escorrem e se misturam ao sangue. As feridas. Os raios do sol nos olhos ardem, doem. Ver a mãe chorando e nada poder fazer dói. Ver os irmãos chorando e nada poder fazer dói. Ver os amigos, sobretudo os falsos, e nada poder fazer dói. Ver os inimigos zombando e nada poder fazer dói. E o Pai, sabia? Fora cúmplice? Não fora tudo profetizado, não estava escrito? Doía. Zombaria. Zombarias? Este peso nas costas dói. O fardo pesado. Os pecados de todos. Os erros. Os desvios de conduta. Os assassinatos. As vinganças. Os adultérios. As ingratidões. Doía. As feridas. As traições. As armadilhas e provações. O fardo. Os tapas no rosto. Os socos. Esta barba espessa e suja. Essa feiúra. Esta ausência. Trinta e três anos de falta doem. Trinta e três anos de mentiras e maldades doem. As marcas das correntes nos pulsos doem. Este zunido intenso nos ouvidos. Os zunidos, conseqüência dos gritos nos ouvidos, doem. Esse riso cínico dói, e muito, demais. As marcas profundas nas costas doem. As pernas cansadas, em conseqüência do longo trajeto com esta cruz pesada nos ombros, doem. E os tombos. Meu Deus, afaste este cálice de mim. Afaste a onisciência de mim, afaste essa capacidade de imaginar o futuro de mim. Afaste a lucidez de mim. Afaste este choro amargo de mim. Afaste de mim este soluço convulso que ninguém vê. Pai, por que não disseste antes que minha morte não era para todos? Pai, por que me enganaste? Pai, que culpa têm os que não reconheceram nem reconhecerão como verdade o que eu preguei? Pai, Tu me fizeste profetizar a traição de Judas. Pai, por que me fizeste antever que Pedro me negaria? Se tudo continuar assim, entre ódios privilégios injustiças rancores pesares mortes gratuitas, sobretudo por causa dos seres à imagem e semelhança de Ti, ó Pai, renego a condição de Salvador. Se for para eu ter remorsos eternos, renego, ó Pai. Pai, por que lhes perdoar o que fazem se eles sabem exatamente o que fazem e mesmo assim continuam fazendo? Essas zombarias. Se tu és o rei dos judeus… Não és tu o Cristo? …mas este nenhum mal fez. Mulher, eis aqui o teu filho. Sim, filho, e eis aqui tua mãe, chorando. Dor. Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste também desamparo a Ti e aos teus. Vede, chama por Elias. Tenho sede… Rãnnn. Este gosto acre. Ha-ha-ha. Sei, Pai, que sempre fizeste todas as coisas para os Teus próprios fins, e até o ímpio para o dia do mal. Sei, Pai, que tudo acontece para que as Escrituras se cumpram. Mas, Pai, que não seja feita mais a Tua vontade. Apenas por um segundo quero ter vontade, por um segundo apenas.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #1d1d1d; font-family: arial; font-size: 12px; line-height: 19px; margin-bottom: 15px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 15px; outline-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E (talvez porque ainda doía) com a pouquíssima força que restara enfim murmurou:&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #1d1d1d; font-family: arial; font-size: 12px; line-height: 19px; margin-bottom: 15px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 15px; outline-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;__ Pelos camelos…&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #1d1d1d; font-family: arial; font-size: 12px; line-height: 19px; margin-bottom: 15px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 15px; outline-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deus, perplexo, com toda autoridade possível:&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #1d1d1d; font-family: arial; font-size: 12px; line-height: 19px; margin-bottom: 15px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 15px; outline-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;__ QUÊ?! – esbravejou.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #1d1d1d; font-family: arial; font-size: 12px; line-height: 19px; margin-bottom: 15px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 15px; outline-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;__ Pelos camelos… came… eu… eu vou… morrer… pelos camelos… – fechou os olhos e expirou.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #1d1d1d; font-family: arial; font-size: 12px; line-height: 19px; margin-bottom: 15px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 15px; outline-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;Não escurecera. Nem escureceria.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-5739018414180614816?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/5739018414180614816/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=5739018414180614816' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/5739018414180614816'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/5739018414180614816'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2011/03/ultima-revolta-de-jesus-cristo.html' title='A última revolta de Jesus Cristo'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-4228614646805182134</id><published>2011-03-15T11:34:00.003-03:00</published><updated>2011-03-15T11:35:46.776-03:00</updated><title type='text'>Dimas Macedo e o doce lar das letras (Nilto Maciel)</title><content type='html'>&lt;div style="color: #444444; font-family: Georgia, Utopia, 'Palatino Linotype', Palatino, serif; font-size: 13px; line-height: 18px; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;b&gt;(UMA CRÔNICA DE NILTO MACIEL)&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Minhas amizades com escritores cearenses se iniciaram em três etapas: até meados de 1977 (quando me retirei para Brasília); deste tempo até setembro de 2002 (período em que vivi na Capital Federal); e o depois disto. A primeira começou pouco antes do surgimento da revista&amp;nbsp;&lt;em&gt;O Saco&lt;/em&gt;: Airton Monte, Batista de Lima, Carlos Emílio, Gilmar de Carvalho, Jackson Sampaio, Oswald Barroso, Paulo Veras, Renato Saldanha, Rosemberg Cariry, Yehudi Bezerra e outros. Na segunda, sobretudo quando a Fortaleza vinha de férias, me aproximei mais de Adriano Espínola, Floriano Martins, Carlos Augusto Viana, Luciano Maia, Márcio Catunda, Nirton Venâncio e Rogaciano Leite Filho, participantes do grupo Siriará. A seguir, conheci Dimas Macedo. Não me lembro da apresentação, quem a fez, onde e quando. Pode ter sido numa das noitadas no Estoril. Não sei, pois bebíamos além do que sorviam os idólatras de Baco e, assim, quase todo o meu viver de então o arrastou o vórtice do olvido ou se afundou nas reentrâncias da memória.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444; font-family: Georgia, Utopia, 'Palatino Linotype', Palatino, serif; font-size: 13px; line-height: 18px;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444; font-family: Georgia, Utopia, 'Palatino Linotype', Palatino, serif; font-size: 13px; line-height: 18px;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444; font-family: Georgia, Utopia, 'Palatino Linotype', Palatino, serif; font-size: 13px; line-height: 18px;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=3703515751541560571&amp;amp;postID=4228614646805182134" name="more"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sei, porém, que é de 1980 a divulgação de seu primeiro conjunto de poemas –&amp;nbsp;&lt;em&gt;A distância de todas as coisas&lt;/em&gt;&amp;nbsp;–, que me ofereceu e li, com deleite, quer à primeira refeição, quer a desoras, vésperas de calar a boca. E escrevi um artigo, publicado em jornais: “Poemas das Lavras de um poeta”. A seguir, em 1986, compôs o prefácio, intitulado “Contos picarescos e alegóricos”, para minha terceira coleção de contos:&amp;nbsp;&lt;em&gt;Punhalzinho cravado de ódio&lt;/em&gt;. Não sei se lhe pedi (devo ter pedido) tão grande favor. Se pleiteei, o fiz por ver nele não apenas o poeta, mas o crítico. Eu havia lido&amp;nbsp;&lt;em&gt;Leitura e conjuntura&lt;/em&gt;, de 1984, seu primeiro volume de artigos de análise literária. Estávamos amigos e enamorados, eu de sua poesia e seu modo de ver a Literatura, e ele, certamente, de minha prosa de ficção. Passamos a nos corresponder. Cartas longas e curtas, sempre cheias de notícias e comentários de livros. Veio, então, o tempo da revista&amp;nbsp;&lt;em&gt;Literatura&lt;/em&gt;. 1992. Convidei-o, desde a primeira hora, para fazer parte do conselho editorial e colaborar com artigos e poemas.&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Dimas esteve duas vezes em minha residência de Brasília. Conversamos muito, ele a me pedir informações dos escritores de lá, a me falar dos de cá (sempre com elogios aos mais velhos, assim como aos novos) e de Fortaleza, cidade muito amada dele. Quando a nossa capital visitava, ele me conduzia, de carro, aos mais requintados bares e restaurantes, me apresentava a personalidades da política e das artes, a mulheres elegantes, a noviços das letras, como se eu fosse um príncipe exilado: Fulano, este é Nilto Maciel, o mais... Já ouvi falarem do senhor. Sim, mas não o conhecia de perto. Sempre solícito, sempre bem humorado, sempre muito educado. E sempre sabedor de tudo: de obras a serem publicadas, da biografia quer dos antepassados, quer dos contemporâneos, do folclore que forja a aura de muitos, das dificuldades financeiras deste, da opulência daquele.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Em Brasília, todos o sabiam de nome e de livros. Nem precisava apresentá-lo. Então este é Dimas Macedo? Não o imaginava tão jovem. Admiro demais a sua poesia, rapaz. Um dos melhores poetas do Ceará, terra de grandes escritores. E choviam elogios, que se repetiam muito depois de ele regressar às praias.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Nunca falávamos de política, futebol, mulher, religião, clima, ciência ou qualquer outro assunto que não fosse literatura. Como vai sua família? Não, isso não perguntávamos. Pois não éramos amigos. Nem o somos. Falo de amigos no sentido popular ou tradicional da palavra. Não contamos um ao outro nossos conflitos pessoais ou questões familiares, como costumam fazer os amigos. Não tratamos de confidências do tipo “apaixonei-me por fulana”. Não, isso não. Porque essas comunicações de segredos não as fazem os escritores. Não precisam disso. Elas são traduzidas em poemas, principalmente. Ou nas memórias. Somos, pois, amigos pela literatura ou nela.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Dimas exerce mais de uma atividade profissional, como quase todo escritor, e a elas se dedica com abnegação. Entretanto, se difere de seus colegas na divisão do ano. Seis meses jurista e professor, seis meses poeta e crítico. Chegado o tempo destes, abandona a cátedra, o fórum e o gabinete de procurador do Estado, e se consagra a ler e escrever, participar de lançamentos de livros, festas literárias, encontros, proferir palestras, frequentar bares, restaurantes e livrarias. E eu não sabia disso, por não viver na mesma cidade. Quando recebi carta dele, na qual comunicava seu afastamento temporário das lides literárias, tomei um susto: “Não me escreva até o final do ano, não me mande livros ou quaisquer outras publicações...” Pensei loucuras: o coitado deve ter sofrido imensa decepção. Enviei cartas a amigos para saber o motivo de tão esquisita decisão. Todos me deram a mesma explicação: Não se preocupe, Nilto. Ele é assim mesmo. Logo voltará ao nosso doce lar de ilusões. E voltava mesmo. Com o ímpeto de antes, nova reunião de poemas, novo conjunto de estudos, projetos e mais projetos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;E assim tem sido esse poeta magnífico, esse teórico de ampla visão, esse pensador de altos voos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Fortaleza, 16 de fevereiro de 2011.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-4228614646805182134?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/4228614646805182134/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=4228614646805182134' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/4228614646805182134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/4228614646805182134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2011/03/dimas-macedo-e-o-doce-lar-das-letras.html' title='Dimas Macedo e o doce lar das letras (Nilto Maciel)'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-5152357078570151398</id><published>2011-03-06T18:34:00.003-03:00</published><updated>2011-03-06T18:35:20.364-03:00</updated><title type='text'>Don´t worry, baby</title><content type='html'>E continuamos nos debatendo&lt;br /&gt;depois do fim&lt;br /&gt;como um rabo&lt;br /&gt;cujo lagarto deceparam&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-5152357078570151398?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/5152357078570151398/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=5152357078570151398' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/5152357078570151398'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/5152357078570151398'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2011/03/dont-worry-baby.html' title='Don´t worry, baby'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-1553846585353147802</id><published>2011-02-08T22:26:00.002-02:00</published><updated>2011-02-12T14:53:46.810-02:00</updated><title type='text'>Ao Longo do Caminho</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://t0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRL3b8IbWue_A-Cxxop6p5l2rZ7_CwwYjh-keEoVzn2EPruItYK" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://t0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRL3b8IbWue_A-Cxxop6p5l2rZ7_CwwYjh-keEoVzn2EPruItYK" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 8.5pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 8.5pt;"&gt;And in the end&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 8.5pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;The love you take&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Is equal to the love you make.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 8.5pt;"&gt;The Beatles&lt;/span&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Desci as escadas do prédio porque precisava respirar. Não suportava mais ouvir os soluços da minha mãe, no quarto dela, &amp;nbsp;e aquele cheiro de flores e mortos flutuando pela casa, deixando o ar tão denso que, se quiséssemos, poderíamos cortar a atmosfera com um punhal. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Era mês de janeiro, um calor dos diabos. A rua não tinha aquele cheiro do nosso apartamento, mas, mesmo assim, continuava difícil de respirar lá fora por causa do calor. Havia dias que a moça do tempo anunciava uma chuva forte pro dia seguinte, mas, no dia seguinte, a chuva nunca vinha. Todas as tardes, o céu ficava carregado, com umas nuvens pretas bem feias, mas depois anoitecia e amanhecia de novo e lá estava o Sol, Amarelo e Soberano, como sempre. Eu ficava imaginando que ele, o Sol, tinha uma boca, e que quando todos se deitavam pra dormir, ele abria sua boca enorme e engolia as nuvens.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Minha garganta estava doendo, ou porque estava ficando inflamada, (ela ficava sempre inflamada, só melhorou uns tempos depois, quando retirei as amídalas numa operação) &amp;nbsp;ou porque eu estava com aquela tremenda vontade de chorar. Tudo em mim estava pesado... tudo parecia pesar uns quinhentos quilos... os braços... as mãos... as pernas... o coração... a garganta... no entanto, eu não chorava. Só queria chegar até as escadas da igreja. Ela, a igreja, ficava em frente à praça, bem no centro da Cohab. Sabia que os outros moleques estavam todos lá. Eles sempre ficavam na rua até tarde... principalmente... quando eram as férias e fazia calor... E agora era janeiro e não chovia havia dias.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Estavam todos sentados, mas se levantaram quando viram que era eu quem estava chegando:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - E aí Dan? Beleza? – Disse o Lindo pegando na minha mão. Chamavam ele de Lindo não porque fosse bonito, muito pelo contrário, é que o nome dele era Lindomar. Dezessete anos, um metro e cinqüenta, o Lindo, magro, feinho, mas não perdia uma briga, era o baixinho mais ligeiro de todas as Cohabs. A fama dele corria longe.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Beleza, Lindo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Senta aí, Dan. – Disse o Piolho, irmão mais novo do Lindo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Sentei.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Eu tinha saído de casa porque não suportava mais a pressão, mas os olhos dos caras e o silêncio que aconteceu depois da minha chegada, fizeram com que eu me sentisse ainda mais pressionado.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Alguém tem um cigarrinho aí? – Perguntei pra quebrar um pouco o gelo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Eu tenho. Pega aí. – Disse o Boião me jogando o cigarro.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Tem fósforos também?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Tenho. – E jogou a caixa de fósforos pra mim.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Acendi o cigarro e fiquei quieto. Eles também continuaram quietos, me olhando. Queriam que eu desse logo alguma notícia. Só que eu não tava a fim de falar. Não mesmo. Acho que o Gordo percebeu.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Essa mina aí dá em troca de três geladinho e um sabugo de milho. – Ele falou, apontando com a cabeça uma menina que acabara de passar lá do outro lado, na praça.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Três geladinho e um sabugo de milho?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Sim senhor, três geladinho e um sabugo de milho. Aquele moleque loiro que mora lá no prédio 8 já comeu ela. Ele que me falou.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Ô Gordo, a menina dar por três geladinho até que eu entendo, mas que diabos ela ia fazer com o sabugo de milho? – Isso aí quem falou foi o Boião.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - E eu é que sei. O moleque que me falou e deve ser verdade mesmo, você não viu a cara dela não? Tem uma carinha de safada não tem não?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Lá isso tem, Gordo, mas esse negócio de sabugo só se for pra ela enfiar no teu cu. – Disse o Lindo e nós todos rimos, até eu. Mas aí, foi como se todos se lembrassem no mesmo instante, e caiu sobre nós, ali, na frente da igreja, um silêncio ensurdecedor, como se não fossem dez ou doze meninos que estivessem ali, mas dez ou doze homens tristes e experientes.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - E aí, como ele tá? – Interrogou por fim, o Lindo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Tá indo né, Lindo, mas acho que não vai muito longe não. Quando o médico deu alta, foi só pra ele morrer &lt;personname productid="em casa. N￣o" w:st="on"&gt;em casa. Não&lt;/personname&gt; sei se passa dessa noite. Minha mãe tá foda, não consegue sair do quarto.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Que bosta!&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - É, que bosta!&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Estávamos falando do meu irmão mais velho, Samuel. Uma lenda lá na Cohab até hoje. O cara que nunca tinha perdido uma luta. O líder do nosso bando, Os guerreiros. O cara que era uma referência e um orgulho pra todo mundo. O melhor jogador da zona Leste. O amor da minha mãe. O cara que trabalhara desde os onze anos, quando nosso pai foi embora, para ajudar minha mãe a sustentar a casa e a mim. O meu herói. O capoeirista que uma vez, quando estavam cavando os alicerces para construir novos prédios, e choveu, e os buracos encheram de água, e eu estava nadando pelado e apareceram três moleques que ninguém nunca tinha visto por ali e quiseram comer minha bunda, surgiu do nada e bateu nos três sozinho e salvou meu rabo. O cara que sempre tinha levado as porradas da vida por mim. O cara&amp;nbsp; que parecia imortal pra mim e que agora estava morrendo aos dezessete anos com uma doença que os médicos dos hospitais públicos não conseguiam e também nem se esforçavam pra identificar. Samuel, puta que pariu, meu irmão.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Vamo fumá um baseado aí. Tá calor demais. – Sugeriu o Boião.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Aqui não, o Padre pode aparecer. A gente tem que respeitar.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Lá na praça então.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Espera aí, Dan, que a gente já volta.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Espera aí é o caralho eu também vou fumá essa porra.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Rapaz, se teu irmão descobre! Ele nunca ia te deixar fumá.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Descobrir de que jeito, Lindo?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Tu tá certo, vamo com a gente lá na praça então.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Fumamos. Eu dei só um pega e já fiquei muito louco, dando risada a toa. Foi bom sair um pouco de mim, até porque eu já não tava mais agüentando ser eu mesmo. Até a dor na garganta sarou.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Voltamos pra frente da igreja e ficamos todos ali. Sentados bem perto uns dos outros, quase abraçados, pra aumentar a energia que corria entre nós, contando mentiras e dando risadas, até que começaram a falar do meu irmão e inventaram façanhas e mais façanhas para ele. Como daquela em que ele fez cinqüenta e cinco gols numa partida de dois tempos de quinze minutos, nenão Piolho? Ou da vez em que beijou dezessete meninas num único baile balck! Ou da vez em que bateu em dezoito caras sozinho, ta lembrado, Chupeta? Ou da vez em que comeu trinta e oito bananas em doze minutos. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;A imagem imensa do meu irmão veio vindo na minha direção... entre os prédios... ainda era ele, Samuel, mas estava maior que todos os prédios... eles, os prédios, não batiam nem na cintura dele... veio vindo... um sorriso grande rabiscado nos lábios... cantando three litle birds, do Bob... veio vindo... uma caneta na mão... ficou bem na minha frente... sorriu ainda mais bonito e me entregou a caneta.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;- Conte a nossa história. – Disse – não deixe que isso desapareça pra sempre.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center; text-indent: 35.4pt;"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Acho que desmaiei. Quando acordei, estavam todos em volta de mim, dentro da igreja e o Padre com um pano encharcado em álcool na mão. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Tá melhor, Dan?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Tou bem. Que aconteceu?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Você passou mal. – O padre falou.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Deve ser o calor. – Disse o Lindo e piscou &amp;nbsp;pra mim com malícia.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - É, acho que foi o calor. – Repeti e pisquei de volta.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Já é tarde. Vão embora meninos. Podem ir todos pra casa.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Posso ficar um pouco, Padre? – Perguntei.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Claro filho. Quer conversar?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Não Padre, eu só queria fazer uma oração, aqui, sozinho.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Tudo bem. – e virando-se pros outros – Vamos... vamos... todos pra casa,&amp;nbsp; já. Chispa, chispa.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Despediram-se e foram embora contando alto grandes mentiras.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Tem certeza que não quer conversar?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Tenho Padre. Vou só fazer uma oração rapidinho e vou embora.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Está se sentindo bem?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Sim Padre, é claro. Pode ficar tranqüilo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Então vou lá pros meus aposentos. Vou deixar aporta só encostada tá bom?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Beleza.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O padre foi pro quarto dele que ficava nos fundos da igreja. Eu me ajoelhei diante do Cristo crucificado. Juntei as mãos e comecei: &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Senhor das coisas que te pedi até hoje, o Senhor nunca me deu nada. Eu pedi uma bicicleta e nunca ganhei, eu pedi que meu pai voltasse pra casa e ele nunca voltou. Eu pedi que minha mãe arranjasse algum outro emprego que não fosse de empregada doméstica, e ela continua lavando banheiros até hoje. Mas agora, Senhor, é sério. Dizem que não cai uma folha de uma árvore se o Senhor não quiser... então, Pai, eu peço a Ti que tudo pode: Um milagre. É a última coisa que vou pedir, um milagre, depois nunca mais peço nada nessa vida&lt;/i&gt;. E aí rezei um Pai Nosso, uma Ave Maria e fui-me embora.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Quando cruzei a porta da igreja, houve um relâmpago imenso, acompanhado de sonoro trovão. Depois houve outro relâmpago, e mais outro, e mais outro, e ainda outro. Sem dúvida, nessa noite, a chuva ia cair. Atravessei correndo a praça, os primeiros pingos já caiam grossos. Uma mulher, na rua, com um carrinho de bebe, também começou a correr. Eu vi um opala preto virando a esquina e o barulho da sirene da polícia atrás. A cena toda aconteceu diante dos meus olhos, como se fosse em câmera lenta. Tentei gritar, mas a coisa toda aconteceu antes do grito sair da garganta. O opala&amp;nbsp; pegou o carrinho em cheio e a mulher de raspão. Eu só vi o pacotinho voando pelos ares (a mulher caiu pra trás) e indo parar bem em cima de uma moita. Só aí meu grito saiu. O opala já sumia na outra esquina. A viatura parou em frente à igreja. A mulher gritava desesperada, &lt;personname productid="em choque. O" w:st="on"&gt;em choque. O&lt;/personname&gt; policiais viram o carrinho de bebê caído, a mulher se descabelando. Eu voltei a mim e corri até a moita. Tinha medo. Não queria nem olhar. Ó Deus! Então escutei o choro de bebê bem alto. Peguei o pacotinho nas minhas mãos. Tirei a fralda rosa pra olhar. O rosto negro com olhos verdes olhava assustado pra mim e berrava... berrava... berrava... Levantei a menina, que mexia as perninhas, na altura da minha cabeça...&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Ela está bem!!! – Gritei.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Os policiais e a mãe correram pra mim. Entreguei a menina à mulher. O padre abriu a porta da igreja e gritou:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Gente, o que está acontecendo aí?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A tempestade despencou violenta.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Eu?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Eu cai de joelhos e chorei, por fim. Ali, embaixo dos pingos grossos que chegavam a doer quando batiam na pele da gente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-1553846585353147802?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/1553846585353147802/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=1553846585353147802' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/1553846585353147802'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/1553846585353147802'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2011/02/ao-longo-do-caminho.html' title='Ao Longo do Caminho'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-8527825325374058449</id><published>2011-02-07T13:55:00.001-02:00</published><updated>2011-02-07T13:55:48.262-02:00</updated><title type='text'>Ensaio</title><content type='html'>Quem se interessar, é só dar um clique:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://paginacultural.com.br/artigos/daniel-lopes-no-pagina-cultural/"&gt;http://paginacultural.com.br/artigos/daniel-lopes-no-pagina-cultural/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraço&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-8527825325374058449?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/8527825325374058449/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=8527825325374058449' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/8527825325374058449'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/8527825325374058449'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2011/02/ensaio.html' title='Ensaio'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-8379438041037752106</id><published>2011-02-02T18:54:00.000-02:00</published><updated>2011-02-02T18:54:50.744-02:00</updated><title type='text'>CONVITE</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/TUnEj49hcWI/AAAAAAAAAGg/Crn3WE-va7s/s1600/Convite2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/TUnEj49hcWI/AAAAAAAAAGg/Crn3WE-va7s/s320/Convite2.jpg" width="178" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-8379438041037752106?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/8379438041037752106/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=8379438041037752106' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/8379438041037752106'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/8379438041037752106'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2011/02/convite.html' title='CONVITE'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/TUnEj49hcWI/AAAAAAAAAGg/Crn3WE-va7s/s72-c/Convite2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-521364779882654281</id><published>2010-12-11T14:21:00.000-02:00</published><updated>2010-12-11T14:21:05.785-02:00</updated><title type='text'>BENEDITA</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_k00Jmm09EeA/SLbpYd41TEI/AAAAAAAACzo/K3BrRn1ssn0/s320/Val5.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_k00Jmm09EeA/SLbpYd41TEI/AAAAAAAACzo/K3BrRn1ssn0/s320/Val5.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;Se pudesse entender, não escreveria. Estava cansado, um bocado cansado mesmo, embora contente. Contente porque depois de três meses eu poderia me encontrar outra vez com Benedita, que é boa e eu amo. Contente por poder ficar longe de toda aquela correria do banco, daquele dinheiro todo, daqueles clientes todos, de todas aquelas gravatas coloridas e daqueles ternos bem e mal talhados. Estava feliz porque Benedita escrevia poesia e me esperava e era sexta-feira e o trem... o trem estava por vir, e me levar pro oeste, onde ela, Benedita, me esperava, usando seu vestido vermelho com elefantes indianos desenhados e a bíblia aberta sobre o criado-mudo.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;Certo é que ainda sobrava tempo pra tomar um café e fumar um cigarro olhando os gêmeos colombianos tocarem suas flautas de bambu enquanto o trem não vinha. Enfim era tempo de sorrir, eu estava sem calor, de banho recém tomado, imaginando Benedita nua com seus olhos brilhando no meio do rosto alegre, o corpo deixando o vestido sair, as mãos prontas pra serem minhas. E pensar que em breve eu seria senhor de tudo aquilo! E pensar que em breve eu não estaria mais na estação vermelha esperando o trem, em breve São Paulo e suas neuroses seriam passado e eu beberia algumas cervejas bem geladas depois do amor.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;Eram sete e trinta e sete da noite, quando olhei no relógio da estação e decidi que era hora de abandonar o café e embarcar. Por farra resolvi pular a catraca, justamente na frente do guarda pra ver qual seria sua reação. Embora eu pulasse devagar, ele, o guarda, não esboçou qualquer reação. Fez como se não me tivesse visto. Melhor pra mim que poderia guardar o dinheiro pra mais tarde.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;O trem não demorou a encostar. Estranhei-o, porque era extremamente velho. Como é que uma coisa naquela situação poderia suportar atravessar o estado? De qualquer maneira eles, os chefes da estrada de ferro, deveriam saber o que estavam fazendo. Não colocariam pro serviço um veículo que não poderia fazê-lo.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;Assim que as portas se abriram eu entrei. Já havia algumas pessoas, poucas, dentro do vagão. Achei que eram, principalmente por suas aparências, foragidas de algum circo. Havia um palhaço sentado no banco em frente ao meu que fazia crochê com lã vermelha, não consegui distinguir o que ele tecia. Um pouco mais adiante, sentados no mesmo banco, conversavam uma mulher barbada e um homem de terno negro e cartola, que eu deduzi ser o mago. No banco atrás do meu, dormia um senhor de uns noventa anos com roupa de trapezista.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;Sentei. Sorri. E decidi que era hora de tomar o meu comprimido azul.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;Lá fora a noite aumentava cada vez mais. E, aos poucos, uma névoa clara quase como nuvem envolvia o trem. Senti meu corpo amolecer. Estava relaxado da cabeça à ponta dos pés. O mágico acendeu seu cachimbo. Tinha um cheiro bom a fumaça que o cachimbo dele, do mágico, emitia.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;O trem ganhou velocidade. Avançava na noite feito um tigre. Não sei se adormeci, ou se ainda estava acordado. Talvez fosse sonho, talvez meus olhos estivessem realmente vendo aquele rio lindo correndo ao lado dos trilhos, cercado de girassóis azuis, e no qual os peixes eram todos de cores exóticas. Ao longe havia montanhas em cujos cumes um fogo intenso crepitava. Foi estranho que nem eu, nem ninguém no trem tivemos a menor reação, quando aquela cruz enorme surgiu entre as montanhas, tingindo tudo ao seu redor de fogo, feito o sol quando se põe. Mais estranho ainda foi ver aquele pano roxo enorme descer sobre a cruz, encobrindo tudo, inclusive as montanhas... Talvez eu estivesse mesmo sonhando.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;Sei que quando dei por mim novamente os alto-falantes do trem anunciavam que dentro de dez minutos chegaríamos à estação onde eu deveria descer. Notei que os outros passageiros não estavam mais no trem. Fiquei feliz ao pensar que em vinte minutos, no máximo, eu teria Benedita só pra mim.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;Assim que o trem parou, pulei com minha mochila, entretanto estranhei a estação, não parecia ser mais a mesma. O mofo havia tomado conta de todas as paredes, que em muitos lugares estava destruída ou deixava os tijolos à mostra. Havia um cheiro azedo no ar. Pensei em tomar um café, uma cerveja, ou qualquer coisa assim, mas o telhado da estação, onde ficava o bar, havia desabado. Saí para a rua e a cidade inteira não estava em melhor estado. Era absurdo que as coisas tivessem mudado tanto em apenas três meses. O cheiro de carne podre empesteava o ar.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;Nas ruas não havia mais asfalto, apenas buracos, buracos enormes. Resolvi caminhar. Viva alma não encontrei em toda a cidade, apenas aranhas, teias de aranhas e o zumbir das moscas, alimento. Pelo menos as ruas ainda existiam, embora as casas estivessem destruídas e as pessoas estivessem longe, invisíveis.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;Dobrei uma esquina, depois a outra, segui em frente...&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;Então, mesmo com medo de olhar, avistei a casa. Como a estação e todo o resto da cidade, não era mais que um emaranhado de ruínas, a casa. Continuei ... A porta estava escancarada. Em algumas partes da parede os tijolos também apareciam, porque o reboco havia caído. Onde os tijolos ainda não apareciam, o mofo cobria tudo. Um mofo negro, áspero.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;Entrei devagar, sentindo o assoalho velho ranger sob meus pés. Ouvi vozes baixas que vinham do quarto onde Benedita dormia. Fui até lá. Meu coração disparou. A porta do quarto estava fechada. Pensei em bater, mas desisti e acabei entrando de uma vez.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;Havia uma velhinha deitada na cama, segurando na mão de uma menina de uns doze anos. Conversavam. Não pude entender o que diziam. Aproximei-me da cama. A menina não se moveu um milímetro sequer. A velhinha, entretanto, virou-se pra mim e sorriu. Apesar de velho, era um rosto bonito o dela, e os olhos azuis, embora acinzentados pelo tempo, ainda brilhavam. Eu conhecia aqueles olhos. Ela disse meu nome calma, como se me conhecesse de longa data. Percebi pelos olhos, o sorriso, a voz que aquela senhora ali, deitada, de alguma forma, era Benedita, a minha Benedita. Havia uma cadeira encostada na parede. Tudo o que pude fazer foi me sentar e segurar a outra mão dela.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-521364779882654281?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/521364779882654281/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=521364779882654281' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/521364779882654281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/521364779882654281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2010/12/benedita.html' title='BENEDITA'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_k00Jmm09EeA/SLbpYd41TEI/AAAAAAAACzo/K3BrRn1ssn0/s72-c/Val5.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-8593267544314610737</id><published>2010-11-30T14:11:00.001-02:00</published><updated>2010-11-30T19:56:24.208-02:00</updated><title type='text'>NOVO LIVRO DE MÁRCIO ALMEIDA</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://media.clubedeautores.com.br.s3.amazonaws.com/downloads/books/34366/cover_front_perspective.png" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://media.clubedeautores.com.br.s3.amazonaws.com/downloads/books/34366/cover_front_perspective.png" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14.0pt;"&gt;Márcio Almeida lança &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 20.0pt;"&gt;A minificção do Brasil:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 20.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;em defesa dos frascos &amp;amp; dos comprimidos&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14.0pt;"&gt;livro raro na crítica do país sobre o gênero do futuro&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Com uma variedade de nomes – miniconto, conto breve, microrrelato, minitexto, relato microscópico, mininarrativa, ficção minimalista, nanonarrativa, escritura fragmentária, conto fractal, entre muitos outros, a minificção é, hoje, segundo Lauro Zavala, um de seus mais importantes especialistas, “o gênero mais didático, lúdico, irônico e fronteiriço da literatura”, porque “incita os leitores&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;a tornarem-se viciados &lt;st1:personname productid="em literatura.” Criado" w:st="on"&gt;em literatura.” Criado&lt;/st1:personname&gt; pelo mineiro Elias José, no início da década de 1960, o miniconto é hoje objeto de pós-graduação em universidade como a de Austin, Texas; sucesso absoluto através da Coleção&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt; O Bairro&lt;/i&gt;, de Gonçalo Tavares, na Europa; motivou o Prêmio Jabuti ao minicontista Leonardo Brasiliense, em 2006; &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;best-seller&lt;/i&gt; através do livro &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Os cem menores contos brasileiros,&lt;/i&gt; organizado por Marcelino Freire; tema de dissertações e teses acadêmicas, como a de Marcelo Spalding e Pedro Gonzaga; pauta de matérias especiais da Folha de São Paulo; gênero de gênios como Dalton Trevisan e Adrino Aragão; mantenedor de publicações especializadas no mundo como a &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;cult&lt;/i&gt; El Cuento, El cuento en red, Ekuóreo, The rose metal press field guide to flash fiction, Fictícia, Bestiário, Veredas, Página do livro, A casa das mil portas, Minimínimos, Twitteratura, entre tantas outras, além de ser responsável por um novo&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt; boom&lt;/i&gt; de leitura nos Estados Unidos e de consolidar-se com significativa importância no mercado editorial brasileiro e latino-americano.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;Minificção do Brasil – em defesa dos frascos &amp;amp; comprimidos&lt;/b&gt;, de Márcio Almeida, tem 313 páginas e foi lançado no final de novembro pela Editora Clube de Autores, de São Paulo. É uma das raríssimas publicações no país exclusivamente dedicada à análise do gênero através da obra de mais de 30 autores, com o objetivo de reconhecer e dar visibilidade à inventiva, ao talento e ao prazer de uma leitura rápida, mas vertical, contribuindo com seriedade e competência para a constituição de uma referência que envolve 45 anos de produção de mininarrativa, com metodologia baseada nos melhores autores sobre o gênero do mundo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Entre os autores analisados estão Elias José e os escritores pioneiros dos “Cadernos &lt;st1:metricconverter productid="20”" w:st="on"&gt;20”&lt;/st1:metricconverter&gt;, de Guaxupé – Francisca Vilas Boas, Marco Antonio S. de Oliveira e Sebastião Resende; Adrino Aragão, Uilcon Pereira, Pedro Maciel, Jaime Prado Gouvêa, Duílio Gomes, Carlos Herculano Lopes, Adriana Versiani, Adalgisa Botelho de Mendonça, Marcelo Spalding, Marcelino Freire, PJ Ribeiro, Marcelo Freitas, Oskar Kellner Neto, Fernando Bonassi, Silvana&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Guimarães, Lia Beltrão, Nina Rizzi, Romina Conti, Tatiana Alves, Valéria Tarelho, Márcia Maia, Mariza Lourenço, Cida Pedrosa, Virna Teixeira, Gertrude Patrícia Fahne. O livro inclui o ensaio lítero-fotográfico intitulado “Gregorovius &amp;amp; Lucana”, de Adriana Versiani e Dioli, capa e diagramação de Oskar Kellner Neto.&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Márcio Almeida, &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Oliveira, MG, 1947, é professor universitário, mestre em Literatura, jornalista, autor de 41 publicações, inclusive o livro de minicontos&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt; Estranhos muito íntimos,&lt;/i&gt; bilíngüe, (Editora Multifoco, RJ, 2010) e várias no exterior; detentor de dezenas de prêmios literários em nível nacional, crítico de raridades há décadas, com efetiva produção em revistas eletrônicas como Cronópios, Germina, Caos e Letras, Tanto, Iniciação Científica, além do Suplemento Literário do Minas Gerais, Dezfaces, Pensar, Gazeta de Minas, Agora (Divinópolis) e outros. Dedica-se há dois anos à produção do livro “História Contemporânea de Oliveira”, com apoio da Eletrobrás e uma equipe de 10 profissionais da área, com lançamento previsto para o dia 19 de setembro de 2011. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Como ter o livro&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;O livro não será vendido em livrarias ou bancas, e os interessados deverão fazer pedido pelo endereço virtual &lt;span style="color: black;"&gt;&lt;a href="http://www.clubedeautores.com.br/book/34366"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;http://www.clubedeautores.com.br/book/34366&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt; - a_minificcao_do_brasil_em_defesa_dos_frascos_dos_comprimidos. &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 12.0pt; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Contato com o autor: &lt;span style="color: black;"&gt;&lt;a href="mailto:marcioalmeidas@hotmail.com"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;marcioalmeidas@hotmail.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-8593267544314610737?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/8593267544314610737/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=8593267544314610737' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/8593267544314610737'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/8593267544314610737'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2010/11/novo-livro-de-marcio-almeida.html' title='NOVO LIVRO DE MÁRCIO ALMEIDA'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-6208744592264232455</id><published>2010-11-28T20:38:00.004-02:00</published><updated>2010-11-30T00:02:01.374-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-6208744592264232455?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/6208744592264232455/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=6208744592264232455' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/6208744592264232455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/6208744592264232455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2010/11/as-pessoas-dizem-que-nao-sabem-mais-o.html' title=''/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-4341030986578899739</id><published>2010-11-25T17:49:00.004-02:00</published><updated>2011-03-06T18:33:29.252-03:00</updated><title type='text'>ROLETA</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://t0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRQ4_hOQa_5wlLACVC9RdBV1QAZH6fd_TmW-6lpRHehSfg0oq81DlKemOFk" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://t0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRQ4_hOQa_5wlLACVC9RdBV1QAZH6fd_TmW-6lpRHehSfg0oq81DlKemOFk" /&gt;&lt;/a&gt;...a&amp;nbsp;&amp;nbsp;matéria estava toda condensada e então houve o Big Bang.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Gozei forte, de olhos fechados no rabo dela.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Ela me falava da pequenez das nossas vidas. Da pequenez dos astros e do nosso amor de ontem.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Criou-se o universo, embora imensurável, o universo é composto de um número limitado de matéria. Não é infinito, o Universo. Já o tempo...&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;- Eu não consigo abrir as mãos&lt;/i&gt;. - ela disse e nosso amor estava todo condensado como um amendoim na palma da mão dela.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A matéria se combina das mais variadas formas. Imaginem que a combinação perfeita de átomos, de moléculas, de letras, números e partículas tivesse nos levado, ela e eu, &amp;nbsp;àquele momento. Todas as coincidências, todos os acasos tinham me levado até ali, até aquele quarto, àquele final, àquele rabo maravilhoso que agora eu perdia. Perdia? Difícil. Eu sou o Deus deste mundo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;- Eu ainda te amo, mas não quero mais te ver... nunca mais...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O casal de gatos dela brincava no tapete. Não são inocentes (os gatos nunca foram inocentes) carregam no olhar o brilho de quem conhece todo o mistério. A crueldade faz parte do amor dos gatos. Já meu cão, meu cão tinha o coração puro, era todo ternura, mas não sabia. Ele, meu cão. Os gatos sim sabem de tudo aquilo que é pra sempre no tempo. O princípio e o fim de um rio ainda é o mesmo rio, eles diziam pelo olhar, os gatos. Filhos da puta.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Haverá trilhões e trilhões e trilhões de combinações, eu sei. Mesmo essa combinação de palavras já existe e tornará a existir depois que se for. Os átomos dançarão sozinhos, farão surubas imensas, os átomos. Juntar-se-ão... Perder-se-ão. Durante o inimaginável do tempo, eles vão se unir e se separar. A matéria vai continuar a se expandir e expandir, mas depois vai voltar a condensar e condensar de novo até o mesmo grão de antes do Big Bang. Nada de novo sob o Sol, como disse Salomão. E então o mesmo casal de átomos vai se encontrar novamente e dizer &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;sim&lt;/b&gt; e todas as combinações tornarão a se repetir na noite imensa do Tempo que não é um rio, mas uma rocha, uma serpente devorando o próprio rabo. Dejà vu. Um carrossel incessante que gira e gira para delírio de Deus.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;- Vai embora agora... &lt;/i&gt;Ela diz, puxando o lençol... &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;por favor saía de vez da minha vida... &lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Eu limpo, na ponta do lençol branco, o pau sujo de merda e porra. Um cu contem o mistério do mundo. O buraco negro, como o próprio nome diz, é o cu do Universo. É lá que está a resposta, se é que há alguma resposta.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Eu me levanto. Sou o demônio. Um demônio de mármore. Toda maldade me é sensual. É no sexo mais depravado que eu, o Demônio de mármore, vivo. Por isso Buda, Cristo e todo o resto tentaram ficar longe da carne, porque a carne é o sexo e o sexo é o mal,&amp;nbsp; quanto mais sujo melhor.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Agora ela chora. Os gatos continuam brincando no tapete do quarto. Tudo isso se repetirá infinitamente. Embora grande, continua a ser uma gaiola, essa na qual nos debatemos. Estamos presos, como o corvo no laboratório de Paracelso. Meu pau ainda fede. Não me importo. Cheiro de merda me excita. Eu abandonaria a crueldade por ela, mas ela não acredita mais. Gaviões, tigres, leões e lobos me esperam lá fora. Eles sabem que sou um deles. Eu posso me transformar em tudo o que quiser, basta imaginar. Os gatos se arrepiam quando me aproximo deles. Acaricio a vagina da gatinha e o pênis do gato. Toda perversão me agrada, mas ela não para de chorar.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Vou embora hoje. – Digo para consola-la – Mas amanhã voltarei da mesma forma que ontem. Divirta-se um pouco enquanto me espera. - Ela não levanta a cabeça do travesseiro.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Caminho até a janela... abro minhas asas... entoo um ditirambo... os bichos peçonhentos me esperam no leito da floresta. As plantas murcham quando passo. Meu lar é a ruína. Se fosse eunuco, seria um anjo de luz. Toda maldade é sensual.&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOGGER-youtube-video" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" data-thumbnail-src="http://3.gvt0.com/vi/3QCZ_bv9aLc/0.jpg"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/3QCZ_bv9aLc&amp;fs=1&amp;source=uds" /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF" /&gt;&lt;embed width="320" height="266" src="http://www.youtube.com/v/3QCZ_bv9aLc&amp;fs=1&amp;source=uds" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-4341030986578899739?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/4341030986578899739/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=4341030986578899739' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/4341030986578899739'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/4341030986578899739'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2010/11/roleta.html' title='ROLETA'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-2938433002271674574</id><published>2010-11-17T23:05:00.000-02:00</published><updated>2010-11-17T23:05:58.953-02:00</updated><title type='text'>MALÍCIA FEMININA</title><content type='html'>&lt;div style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://tbn0.google.com/images?q=tbn:iiccAVmfMuT8XM:http://www.rainhasdolar.com/media/2/20070421-picasso.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://tbn0.google.com/images?q=tbn:iiccAVmfMuT8XM:http://www.rainhasdolar.com/media/2/20070421-picasso.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;HOJE&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;Minha menina dormiu a tarde toda comigo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;E eu fiquei sem saber&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;se ela gostava de mim,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;ou de dormir.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-2938433002271674574?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/2938433002271674574/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=2938433002271674574' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/2938433002271674574'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/2938433002271674574'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2010/11/malicia-feminina.html' title='MALÍCIA FEMININA'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-2483546028304905525</id><published>2010-11-06T13:54:00.000-02:00</published><updated>2010-11-06T13:54:18.267-02:00</updated><title type='text'>O melhor remédio contra tristes dias de chuva</title><content type='html'>É só clicar aí.&lt;br /&gt;Vai na fé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=k-ppcGvXMkQ"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=k-ppcGvXMkQ&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-2483546028304905525?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/2483546028304905525/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=2483546028304905525' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/2483546028304905525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/2483546028304905525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2010/11/o-melhor-remedio-contra-tristes-dias-de.html' title='O melhor remédio contra tristes dias de chuva'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-3408951474880246336</id><published>2010-11-02T19:37:00.009-02:00</published><updated>2011-01-08T14:01:51.305-02:00</updated><title type='text'>FRIDA KAHLO: MARAVILHOSA E VISCERAL</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Que maravilha!&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consta nos diários&amp;nbsp; de Cristóvão Colombo a frase acima para descrever os primeiros contatos do navegador genovês com o novo mundo. Séculos mais tarde, o escritor cubano Alejo Carpentier (1904-1980) aplicou o conceito de maravilhoso à realidade do continente americano e à Arte produzida nele. Para Carpentier, o mágico, o absurdo, ou, se preferirem, o surreal, em nosso continente, é parte integrante do cotidiano e de nossa realidade. Em nós, diferentemente do que ocorre com os europeus,&amp;nbsp; consciente e subconsciente se fundem num só, num todo, não há uma divisão. Fatos históricos e fenômenos naturais comprovam a magia e a maravilha de nosso continente, basta-nos observar as linhas de Nazca, ou a arquitetura maia, ou ainda o&amp;nbsp; Titicaca,&amp;nbsp; lago navegável mais alto do mundo e berço da civilização Inca.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A mestiçagem também é um componente a mais para nos tornar um povo, de certa maneira, mais propenso, mais ligado à magia e ao “absurdo”. Basta ver a nossa religiosidade, misto de religiões africanas, européias e indígenas. O vodu haitiano, ou o candomblé baiano são testemunhos do quão arraigado está em nossa carne o ilógico, ilógico aqui quer dizer aquilo que não obedece a uma lógica cartesiana, e o onírico, o imaginado.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;É neste sentido que o “Maravilhosa” do título vem adjetivar Frida Kahlo (1904-1954), pintora “surrealista” mexicana. Diferentemente do que ocorre com os pintores surrealistas europeus, mais notadamente o expoente Salvador Dali, que têm uma grande influência e uma tremenda&amp;nbsp; assimilação das teorias freudianas, em Frida o surrealismo parece ser algo intrínseco, quase que naïf, como se, para ela, aquela fosse a única maneira possível de se expressar e de pintar. Em Frida o ilógico é a única lógica. Suas metáforas parecem brotar tanto do centro de sua Terra, (observar os quadros &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;O abraço amoroso entre o Universo, a Terra, (México), Eu, o Diego e o senhor Xólotl (1949), Flor da vida (1943), e O Sol e a vida (1947)&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;) quanto de dentro dela mesma (observar as telas &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;O veado ferido(1946) , Árvore da esperança (1946), A coluna partida (1944), &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;esta última uma das telas mais fortes de todos os tempos na minha opinião).&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://t1.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTkJ4p1ZNgHWYk6n0hY3obxk-cfbdZUBUNdyWaI3Hk7EKP4ZGw&amp;amp;t=1&amp;amp;usg=__muptbmrOWXP_uLCoiEoJwoNSHV0=" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://t1.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTkJ4p1ZNgHWYk6n0hY3obxk-cfbdZUBUNdyWaI3Hk7EKP4ZGw&amp;amp;t=1&amp;amp;usg=__muptbmrOWXP_uLCoiEoJwoNSHV0=" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;O abraço amoroso entre o Universo, a Terra, (México), Eu, o Diego e o senhor Xólotl (1949)&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Cypmm73KSZM/Smnsc0DIcJI/AAAAAAAAAMA/OctgO4XMxcA/s320/1943+fleur+de+la+vie+(1).jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_Cypmm73KSZM/Smnsc0DIcJI/AAAAAAAAAMA/OctgO4XMxcA/s320/1943+fleur+de+la+vie+(1).jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Flor da vida (1943)&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://t1.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRp0Xj1pWmPoRPayqCYcZa_UzLd1uLGdONjzLIIMG6FcJsuCjY&amp;amp;t=1&amp;amp;usg=__187DlTyxIjg4s0TJq5zBYjDgCX8=" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://t1.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRp0Xj1pWmPoRPayqCYcZa_UzLd1uLGdONjzLIIMG6FcJsuCjY&amp;amp;t=1&amp;amp;usg=__187DlTyxIjg4s0TJq5zBYjDgCX8=" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;O Sol e a vida (1947)&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://t3.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcT-dRyOpNWxffoI2GDCIMRUuv1hVFrGoJ1Z7vLyFzTEHDHKcFk&amp;amp;t=1&amp;amp;usg=__2FBKt4eO8xWiMbUTH0fUuSO6b20=" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://t3.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcT-dRyOpNWxffoI2GDCIMRUuv1hVFrGoJ1Z7vLyFzTEHDHKcFk&amp;amp;t=1&amp;amp;usg=__2FBKt4eO8xWiMbUTH0fUuSO6b20=" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;O veado ferido(1946)&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://t3.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQVyg7c51xCKZ6E2JC-ZJuveGrn7VBi1khPDh-X465OnxFNKcQ&amp;amp;t=1&amp;amp;usg=__S4pilmWSYmEnhm_YU_iuV5CBi4c=" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://t3.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQVyg7c51xCKZ6E2JC-ZJuveGrn7VBi1khPDh-X465OnxFNKcQ&amp;amp;t=1&amp;amp;usg=__S4pilmWSYmEnhm_YU_iuV5CBi4c=" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Árvore da esperança (1946)&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://t0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcS2FlthCUD5bpxcHQuiyGmkFrlPS2JQzDeI6U_b9afx8vcHBCc&amp;amp;t=1&amp;amp;usg=__NnLJ9QYk0EXLnc5oS3-G8BvpBDs=" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://t0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcS2FlthCUD5bpxcHQuiyGmkFrlPS2JQzDeI6U_b9afx8vcHBCc&amp;amp;t=1&amp;amp;usg=__NnLJ9QYk0EXLnc5oS3-G8BvpBDs=" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;b&gt;&lt;i&gt;A coluna partida (1944)&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Se prestaram atenção, no título deste artigo tem dois adjetivos, um deles, maravilhosa,&amp;nbsp; já foi explicado nos parágrafos anteriores. Para explicar o outro adjetivo, visceral, que vem de vísceras e quer coisa mais subjetiva do que as próprias vísceras? Vamos ter de dar uma pincelada em alguns dados biográficos da artista. Frida Kahlo teve uma vida recheada de dor (É possível criar sem sofrer?). Filha de um pai epiléptico e de uma mãe extremamente religiosa, a pintora, aos seis anos, teve poliomielite, o que a deixou com uma perna mais fina que a outra e com o pé esquerdo atrofiado, além de lhe render o apelido de “perna de pau” na escola.&amp;nbsp; Aos dezoito anos, ela sofreu um acidente de automóvel, que lhe esmagou a coluna vertebral e lhe deixou impossibilitada de ter filhos. Tudo isso, mais as dúvidas quanto à própria sexualidade e mais a questão da identidade são temas constantes na obra da artista. Para mim, que sou um romântico declarado, a grande Arte é movida muito mais pela paixão que pela razão, e... Frida faz isso. Sua Arte é tão, íntima, tão pessoal, tão “ego”, que se torna universal, humana, “self”. Toca o inconsciente coletivo. Suas telas são todas metáforas de fatos, opiniões, sentimentos e situações pessoais. Frida Kahlo nos seduz pelo coração e não pelo intelecto. É mais ou menos o que Vincent Van Gogh também procurava fazer.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Outro aspecto importante que não poderia ser deixado à margem é a questão da Arte feminina. A artista mexicana é uma das primeiras pintoras a abordar de fato questões relacionadas ao universo feminino, como a maternidade, ou a impossibilidade da maternidade, por exemplo, (ver as telas &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Nascimento (1932)&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;, &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;A cama voadora (1932)&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;) ou ainda a questão da violência contra a mulher, que a pintora retrata tão bem na tela &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Uns quantos golpes (1935).&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://t1.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRBgaS99Iy5KIWMK9lruZc_MhVG-HMuPZGpXXSLf3CqGlelEy0&amp;amp;t=1&amp;amp;usg=__3JSCiRUy5HWH8s9NBW4BNA9IPFw=" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://t1.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRBgaS99Iy5KIWMK9lruZc_MhVG-HMuPZGpXXSLf3CqGlelEy0&amp;amp;t=1&amp;amp;usg=__3JSCiRUy5HWH8s9NBW4BNA9IPFw=" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Nascimento (1932)&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="data:image/jpg;base64,/9j/4AAQSkZJRgABAQAAAQABAAD/2wBDAAkGBwgHBgkIBwgKCgkLDRYPDQwMDRsUFRAWIB0iIiAdHx8kKDQsJCYxJx8fLT0tMTU3Ojo6Iys/RD84QzQ5Ojf/2wBDAQoKCg0MDRoPDxo3JR8lNzc3Nzc3Nzc3Nzc3Nzc3Nzc3Nzc3Nzc3Nzc3Nzc3Nzc3Nzc3Nzc3Nzc3Nzc3Nzc3Nzf/wAARCACsANgDASIAAhEBAxEB/8QAGwAAAgIDAQAAAAAAAAAAAAAAAwQCBQABBgf/xAA/EAACAQMCBAQEAwYFAQkAAAABAgMABBESIQUxQVEGEyJhMnGBkRShsQcjQlLB0RUW4fDxoiQzRFNkgoOjpP/EABsBAAIDAQEBAAAAAAAAAAAAAAMEAAECBQYH/8QAKxEAAgIBBAEDBAICAwAAAAAAAAECEQMEEiExQQUTURQiMmEGgUKhcZHB/9oADAMBAAIRAxEAPwBlfiODU1OeXLrW9Pqzz+dSjUg5zih+210gLkvkkOQom45HFRAU/FvjlipKMnYfemscX8Cs2RYd6DIwFMOoPXBoRjGMCRQfbmKOoP4BuX7BD3oqAEYB3rYSMDGuQ1mhAMgvmie2qMrI7CxxF2CsY1HcmmRZovK4jI9hSIGDnDUQ6iPTkUJ40mMRbl5HEt4lOfMB+VTMUJ3UgEdzSC6wcZNT9Y5mqpLwW4y+QjIpPxDnWwg1AjBHfFRXc4omDnC4+9bUU/AKd/IRCCdzg1I+zfetRruO9F8hmOeQ70eCVCs7sEQ2OdRDerBP1pjydjg5xWtDAZ07UTgFyQWNm+EE/KtmCTkUI+1bIfGRkChs7e/zNYal4NpryCkDpzBxUQx7GpF2LYJ+tbwTzocoSaCwyRToDIxI5UAsRTEmKA59qCsUw7zY66BlqG2QOoqZO9RJ3omxoHviweo9tu9ZWyATvj5EVlLTg7GoSVBGbSKiJWPKtuwzURp3J6Vlxk+iKUUFDJsX296LHLAMalb6NS2UZCWIA6ZHOtDQ24XrzNFgsiMTUH2Pr+DYZOfqaiY7cnKlsHkMUkU1DZj9DU41ccn27ZovvSXcQPsRfKkWAigAzlz9edTjgicZ0Y+tLRyzDmQR2xRfNk+VaWZfBn2X8jAtowNhioiFRncVFZGPOtjNU5OXSIo12zWlO1YyDHKttuPeoHUBjNTa3wXvUSBXS2V696mjBdmAzQZnWOMySOEUc2YgAVC1uLe6y1vPHLjmUYH9KuMEpU2SWSUo3XA+kijmMUzHKv8AKCR3pIqABvRol6g0xVCjlfCHPNZgcj5e1Qkd23J39q2vY1Ijaq4KSkAaVlGCAfnQpDnciiuhNDkX0/KpdF0LuRnYVs/D6cnvgcq5LjHi0215La2FsJXjyC0hwMjnjH61xd/xninEVF011Ijk+lInKqg7AD9aTy62EXS5H8Hp2Wa3PhHrbA43FAcGqXwVxW44hwwx3rarmByjux3YYyp/UfSrxnzjb70aGZSVoFk08oOmLMX322oRz3o7Zyd6joBO/KrnP4KhDnkivbmayphMbjaspVzsbUaXBjAYOedC0bH3ptkB6Viw52FNxxoUlkoVEO2xIoJhkQbNtVmIhyNadEUeoZxRoxSBObZWRmTV1xTcYYgmiCNemwpK9uZ7WdlRkKlVKgrn+vfNL6nPj00N81wN6TS5NXkePG+SxQErRUjOeZ+9c6nFLtHId106s40D6iunD6QPTv3FY0mqw6q9i6N6/Q59Dt9x9hEhYDfnUtOOlFijlkGQ2K2Y5F5YamGkuhFN+QAAzuKhJgaiTyGcYo7K2fUozQ2U5PvsRWXa6NJ/J5xxy4k4nOzXEpMI2jiz6R/rSPBWueGcYtpYg2hpFjcHfUpOMfnV1xzhkthcvMxK2rk6W/lHY9Kn4TsVv+KNPjMVoQ3fU3QD7Z+1ecxe+9Vtl3Z7HL9MtA5r8aO7aPS+k52OO1TCEyME1Fc+nPPHvU8kHbAxyBosUzocgZ+Venb4PERq+DcdrMy6ljbFF8iUDBUijreSsN227CptO2jJJH60BRYdzEGgcdKXdTpOOY5dM048w/nFJztrOcg+wolNGE7Z49xcy8B4lfxTKC0rMYWcYBUkkEH9flVfwHh0d1MYriSaN5ATEw2Rj2969W46bTy1mvLWGaFHGTIgJUnqARua5fiTWv4mOS3tBHlwUMa483G4AXvnr864+fAoNtPs7+m1UpxUa6EPA9rxG345KVj/AOx+XomdmyAQTgfPIP0zXdBdOQvLNVvhzhs1mZJZ8oZSSU9/6VeCMHkPuKa0qah0J6qSeS74FdIrWkUwyAA7DnQpFwdtxRZybQvBckNG+SdqypjYbVlLh2DdwpxW1fatGPXU0jQLggV2ftRyXuo2ZAQMEVEEk8qwLHq22+dGXSOxqSaXgrG78kAmrfG469q5/iFyst9I6ZCL6VPcf85roZgTG+gHJXbBrmXxGCo/hIySM4xzz7f61531nNajBLhnqv4/p1ullvk00eGH8rbLXVcOnUWVu+MsY1P5CuVUSSyrFGp0kkjbkTsB+tX6ErhUGFGwHYD/AIq/Q8Tub8F/yXKmscX3yWzXhJGPtUllJ3qsDNtTMbmu/s4PKOQ4ZCdqgQzuqg9cVuLfJb6VpiVII55zQ2jcWef8WvLu+mukllY2yyelD8ORyAFA4dc3llIBw+d4pJWUOFAx7Fgas5Y0NxfeYNMcUr6Rncb9e9Ucs7QytJARhTvmvFyy5PedPmz6Ljw4vp1GuGkeoWUkktlBJKFDvGCx98b0SISL6Qds1K1jRbaKNMhURQM+wqQwG3Ir2mJvYr7o+b6hL3ZberGUGF2GaFOrsMB9I6ipeYByO2KrOJ8ZsOHgG9vYIM7gSOAT8hV2l2YUHLhKw/4dlPxGpCPSMAk1Sf5u4GCuriMC55atS5+4qztuL2F4pNreW8oxnKSA4Heo8ka7NLBkj/izU/DbO8bzLmFZMcsk7fagW3BbO3uvMsbdI3GMsFLMw7aiSaf8wuMQZU89TD8wOp/L9DOGY25wm/U55k+9LZMccr4X9j2LJLAm2/6IG1bOQjHG3aix2EsoJwE7ZO9FN8CPUm/cUCW51KQO2N96p42kzKy26Bz2EiLlTqJ7b0o9u4LE5opmYAAMdhUDIxJLHag34GaYEoQNqyi5zyrKwzaaFCCeuBWyQwGcHFTYajty70Mhh2IrrKKbs5cptKiBChshRU0dBzH5VAq/MgYoFzcrbvEjoWaVgFA264ya3OkrYPGm5cD5lyuQOu1UnGYSsvnxoQrDLMOQP9KtskLjBqi8U8atLPh9xaO0huJoiAqJnGeWTXN9T08cuCm6ro7HpGrnh1VxV3w0G4NAWmilSM+WpyTpOnNdAYUyWO3tz/4rmfD/ABOxkSC00OZwcFmQaWOSdq6ZI8DIZlx2JFB9KjHFhqLsY9ayvNnuSrjgmIU/hPvRUVQOVDBkUelg4P8ANsfuKkk4XZ0de505H3FdFzXk40cUn+FMMG07ZFCmYnNTDRSHKMrAc9JzioSjOyb1hNWW4vyjivEGu24nNkFYrlfMU9CcYb7EfnVVw6zFzfx2hZdMkg1Fmxgdc/Sr/wAScHWQPdPK4OoaW1Z0Enlp6ikeE+HJrmaV52CvEQXH8o9l69968xmxNalquW+j2mlzx+jT3rqr+D0dt1GjGM9KH5Izk5zWoYltYYoYmYqqADUak0hzhth3r1EMi2q+DxWTE3J1zyalOlNq4LiUEc/CvEVy8QMjzvGJGUEhVZQADzFd6YJ5h6I20Dm2cCquHwvPdcPv+GTzBGupnkDRjUVVmBGRt2pDUazE/tsf0mkyRTlQO/8ALbxXYI6q6jh84AKjb1IBVfwrgPDeIXnHmu7C3IW9cRsF0sPSORHLHP5mumvOCiXjEd5a3Qnmiga38hIyd2YE5bkOXWl+D8OveGR8U/xGLQ8t3LIuDkMukYIP0NDjlx5HSYeUMmOLb76/2cfZLxThfhGHjdnxSWZVh1z2t361I1lfQ3NenPPWr3hvH47q5/A30MllxADeCb+L3VuTCkGUp+zAKOtmBkjqX/1p3xLwaDjPGeFW8sjBvw9yVdWwyMoXDD3Bx+dHjkliSp/AOWKGaTUu7fJc6cjNQYHtSHhe7nvOB273fquUd4ZW/mZHKlvrirFw3Sn4S3xTOTKLxzcReQYrSAnmDipNkdK0rEDnQmkuw6k30Twqt6gSOynBrKg51DJG/saylZ9jWN0gXpCAVEsANgKq7TiqXEKMiuzMA2kYIGRkDPLbOKRteMO2WuHygOPRHqye2Bvzx/WmXqYqrl2A+jm7SXRcXdyIIxJpLDWq4zjmQM/nSHFWUXtmknPzOWOmelV1zdXcoulcCKADWnmfGMHI2GRjnsT0FRtD+Nub6Ml5JonIkmk0rjoNIA22FJ6jWWmhzT6La0/J1MuQ3PbptSt3Y2t2QZ4lZuWckE/3FVIvTb2VokAZt2STVOTowNjz67/ambjiHDjbsrXpjLId/MYgEj8z12o2TVY8q2/qwGPSZMUty+fAxNDbcLsZ7q2t4y8MbOuWzkgE0hO/FxBw+duKvGbueJGSOFVVFcZ2zknFV8v4i0tjaOzYmtpi6lidxH0/OnjMo4fwVjIq6bi2Pxchvv8ApSscuNPbFUPywzrfJ3/sYjuONxcWeyh4hBcBLdZsXNsMnLY05Xl86eg8RpDNLDxS2a0aEqHniJkhXUMjLAArsDzFAhmhHiSVxNFp/AIC2saT+85ZzR+CpJccY4o1pGZCTAMpuCCnLPamXJL/AC8ie3d+UfH/AB5L1BDcxpIrJKDurjfPyP8AasaJwcRuwH8rDI/vXJcGsLzhvhD/ABywkKsjt5tvI2Ypv3pXl/CwzzHbcGu/8OrZ8Ugl80yxXNu3l3NpJs8L9jjmOzDYisPV4krl3+jb0uVOlyv2Ut3Zi5UCRGK6g37s5yR7DemLKxWK4lnjbEk2kP5jBFGO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/&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;A cama voadora (1932)&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://t0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQyAtWB03XgdYmi5615mZvlB2jwDhKkEZIiRJp70WdCjL8U1Gg&amp;amp;t=1&amp;amp;usg=__WZk1NOUpIk3cFE1vqyIyVQU_LIU=" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://t0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQyAtWB03XgdYmi5615mZvlB2jwDhKkEZIiRJp70WdCjL8U1Gg&amp;amp;t=1&amp;amp;usg=__WZk1NOUpIk3cFE1vqyIyVQU_LIU=" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Uns quantos golpes (1935)&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Toda a obra de Frida Kahlo é fascinante, mas todo artista tem aquelas obras que de fato são fora do comum, realmente impressionantes e que nos deixam boquiabertos. No caso da pintora mexicana, as duas obras de tirar o fôlego são a já citada &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;A coluna partida &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;e &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;As duas Fridas (1939)&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;. Pintada pouco depois do divórcio da pintora com o também pintor Diego Rivera, a tela &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;As duas Fridas &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;é um auto-retrato composto por duas personalidades diferentes. Neste trabalho, Frida trata das emoções envolvidas na separação. A parte de si que era respeitada por Diego Rivera é a Frida mexicana, com trajes pré-colombianos e com uma pequena fotografia nas mãos, enquanto a outra Frida, não tão respeitada assim, &amp;nbsp;leva um vestido branco mais europeu. Os corações das duas mulheres estão expostos e são ligados, um ao outro, apenas por uma artéria e a parte européia &amp;nbsp;corre o perigo de se esvair em sangue até a morte, uma vez que uma das veias de seu coração, embora meio que obstruída, ainda sangra, manchando de vermelho o belo vestido branco.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://t2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcR1NRzogaD2p8bfQ-pjIJOeiAmnt6gNvuNtZh9244GqHl2cDmo&amp;amp;t=1&amp;amp;usg=__xmQdYD2KWce3mnejPXTl-bnDRWI=" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://t2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcR1NRzogaD2p8bfQ-pjIJOeiAmnt6gNvuNtZh9244GqHl2cDmo&amp;amp;t=1&amp;amp;usg=__xmQdYD2KWce3mnejPXTl-bnDRWI=" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;b&gt;&lt;i&gt;As duas Fridas&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;É difícil pra mim, quando estudo, ou quando apenas aprecio a obra de Frida Kahlo, não estabelecer um paralelo com a canção Beatriz, do Chico Buarque, principalmente na voz de Milton Nascimento. Se repararmos nas expressões faciais da maioria das telas da artista, perceberemos uma certa imparcialidade de sentimentos, como uma atriz que se despe de si mesma para melhor se enxergar. Olhando somente para seu rosto,&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt; &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;fico imaginando, &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;“Será que ela é triste / Será que é o contrário / Será que é pintura... / E se eu pudesse entrar na sua vida...” &lt;/i&gt;Então me deparo com o quadro &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;A Máscara (1945)&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;, que inverte o principio da máscara, onde encontramos a verdadeira Frida, nua e desesperada, com as lágrimas rolando...&amp;nbsp; E então eu posso entrar na vida dela, mesmo vinte quatro anos separando sua morte do meu nascimento. Hoje escrevi essas linhas só pra dizer a ela que a amo e a entendo. É pouco eu sei, mas &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;“Se um dia ela despencar do céu /&amp;nbsp; e se os pagantes exigirem bis / e se um arcanjo passar o chapéu...” &lt;/i&gt;quero estar por aqui e ter mãos carinhosas e &amp;nbsp;palavras doces na língua pra dizer a ela. Beijos Frida. &amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a 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src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-3408951474880246336?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/3408951474880246336/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=3408951474880246336' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/3408951474880246336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/3408951474880246336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2010/11/que-maravilha-consta-nos-diarios-de.html' title='FRIDA KAHLO: MARAVILHOSA E VISCERAL'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Cypmm73KSZM/Smnsc0DIcJI/AAAAAAAAAMA/OctgO4XMxcA/s72-c/1943+fleur+de+la+vie+(1).jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-7960235176080135394</id><published>2010-10-23T16:07:00.005-02:00</published><updated>2010-10-23T16:34:20.698-02:00</updated><title type='text'>Para Pensar</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Em 1837 Liszt deu em Paris um concerto, onde se anunciava uma peça de Beethoven e outra de Pixis, obscuro compositor já então considerado de qualidade ínfima. Por inadvertência, o programa trocou os nomes, atribuindo a um a obra de outro, de tal modo que a assistência, composta de gente musicalmente culta e refinada, cobriu de abraços calorosos a de Pixis, que aparecia como de Beethoven, e manifestou fastio desprezivo em relação a esta, chegando muitos a se  retirarem."&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O trecho acima está no livro  Literatura e Sociedade, de Antonio Candido, página 32 e serve para ilustrar o tamanho da importância do reconhecedor de talentos, do cara que se destaca do grande público e da massa e tem a capacidade e a sensibilidade de sentir e perceber o diferente. Talvez a figura que falte no cenário cultural brasileiro não seja a do escritor de talento, do músico de talento ou do pintor de talento. Talvez o que falte seja o cara que tenha tempo, paciência, boa vontade e generosidade para trazer à tona o trabalho de artistas ainda obscuros. Quando falta esse cara, honesto, bem intencionado e imparcial, as panelas e os conchavos tomam conta e muita gente boa acaba ficando de fora, enquanto outros, cujas obras têm qualidade questionável acabam &amp;nbsp;em evidência, mais por questões políticas que artísticas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que seria de Manoel de Barros sem a resenha de  Millor Fernandes no Pasquim? O que seria de Jean Michel Basquiat, sem  o artigo de René Ricard? Não estou dizendo que Manoel de Barros e Basquiat não teriam alcançado o sucesso sem as críticas de René e Millor, mas que as coisas teriam sido muito mais dificeis, lá isso teriam. Sem dúvida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-7960235176080135394?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/7960235176080135394/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=7960235176080135394' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/7960235176080135394'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/7960235176080135394'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2010/10/para-pensar.html' title='Para Pensar'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-3030997866239916837</id><published>2010-10-08T08:20:00.001-03:00</published><updated>2010-10-08T08:38:56.153-03:00</updated><title type='text'>SITE CRONÓPIOS</title><content type='html'>TEM TEXTO MEU NO CRONÓPIOS. OS QUE QUISEREM CONFERIR É SÓ ACESSAR:&lt;br /&gt;www.cronopios.com.br&lt;br /&gt;GRATO&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-3030997866239916837?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/3030997866239916837/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=3030997866239916837' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/3030997866239916837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/3030997866239916837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2010/10/site-cronopios.html' title='SITE CRONÓPIOS'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-1089645542323544412</id><published>2010-08-24T17:34:00.000-03:00</published><updated>2010-08-24T17:35:55.712-03:00</updated><title type='text'>CAVALOS</title><content type='html'>É no mínimo estranho encontrar agora, pouco antes do casamento do meu único filho, esse cachimbo que foi de meu avô. O sangue da vida se comunica com a gente das maneiras mais inimagináveis. Chega a ser mórbido o modo como a experiência se repete e a pessoa para quem gostaríamos de dizer: “Você tinha razão o tempo todo”, já não está mais aqui para ouvir que enfim aprendemos.&lt;br /&gt; Ele costumava fumar esse cachimbo enquanto me ensinava a jogar xadrez. Parecia fazer também parte de seu corpo, o cachimbo, um prolongamento de suas idéias e de sua boca enérgica. Era quando a mãe não estava em casa que ele ia me visitar, ou então ele me pegava na saída da escola e passávamos a tarde junto. Meu pai, seu genro, parecia gostar muito mais dele do que a própria filha. Era condescendente, o pai. Ela, a mãe, não conseguia perdoá-lo. Ela nunca conseguiria dizer pra ele: - Eu te perdoo.&lt;br /&gt; - Você precisa aprender a dominar os cavalos. Eles são imprevisíveis. Andam em L. Você pode surpreender o adversário ou ser surpreendido por ele de um instante para o outro. É preciso dominar os cavalos. – Costumava dizer meu avô.&lt;br /&gt; Gostava de jogar com as peças pretas. Nesta altura da vida tinha aprendido a dominar seus cavalos negros, mas nem sempre fora assim. Meu avô foi um daqueles caras que errou feio e errou bastante. Por muito tempo quis sugar o magma da vida, não se conformava em acompanhar apenas o balanço da maré. Ele quis construir novos oceanos, navegar lugares desconhecidos, arrancar com os dentes pedaços da carne cinza das horas. Isto tem um preço, às vezes alto demais. Leu filosofia, escreveu tratados. Estudou artes, pintou quadros. Participou de revoluções, houvesse um lugar onde a tirania e a barbárie ameaçassem o espírito e a liberdade dos homens e lá se ia meu avô. Arma em punho idéias na cabeça, defender o que acreditava. Viajou o mundo. Amou mulheres. Meu pai também gostava de ouvir suas histórias, mas sabia o quanto era difícil e perigoso ter um coração assim... em fogo ardente o tempo inteiro. É preciso aprender a dominar os cavalos.&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt; - Ariel – Grita a esposa de dentro da casa – você não é o pai da noiva, nem ela pode se atrasar Deus que nos livre, mas se continuar demorando assim vai atrasar o casamento do nosso filho e o padre avisou que tem dez casamentos para fazer hoje. Casal que atrasar mais de quinze minutos não casa mais.&lt;br /&gt; - Já vou, mulher. – Ele grita de volta da garagem. O cachimbo nas mãos. É um dia frio e lá fora começa a garoar. – É preciso aprender a dominar os cavalos! - repete baixinho olhando o céu de chumbo lá fora, como se alguém por trás das nuvens pudesse ouvi-lo.&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt; - Vovô, por que a mãe não conversa com o senhor?&lt;br /&gt; - É uma longa história, filho. Concentre-se no jogo.&lt;br /&gt; - Por que vô? Ela não é sua filha? Por que ela não te pede nem a benção? O senhor é um homem tão bom, todo mundo adora o senhor. Só ela é que não quer nem te ver. Isso não tá certo, vou falar com a mãe. Vou dar uma dura nela. Ela precisa mudar isso.&lt;br /&gt; - Você é só um menino, não se meta em assunto de adulto.&lt;br /&gt; - Mas vô!&lt;br /&gt; - Ponha-se no seu lugar, você é só um menino. Além disso, ela tem os motivos dela. Quem sabe um dia isso tudo passa. Quando estiver maiorzinho você vai compreender.&lt;br /&gt; Eu devia ter uns doze anos nessa época. Ofendia-me quando alguém dizia que eu era só um menino. Eu já fumava e queria agir como um homem, queria também ser respeitado como um homem.&lt;br /&gt; - Por que, afinal de contas, a mãe não conversa com o vô, pai? – Perguntei nessa mesma noite, enquanto tomávamos um leite na cozinha, meu pai e eu. A mãe estava na faculdade de Filosofia. Era a terceira faculdade que ela terminava... E lia, o tempo inteiro, embora nunca conversassem, os mesmos livros sobre os quais meu avô me falava.&lt;br /&gt; - Isso não é da sua conta. Você ainda é muito jovem pra se meter nesses assuntos de adulto.&lt;br /&gt; - Todo mundo diz isso que eu sou jovem... sou jovem... mas eu já sou um homem, sei muito bem compreender as coisas. Vocês deviam me respeitar um pouco mais.&lt;br /&gt; - Você é que devia me respeitar, afinal de contas eu sou seu pai.&lt;br /&gt; - Eu não estou te desrespeitando pai, só queria saber da verdade.&lt;br /&gt; - Tudo bem, já que você quer tanto saber, lá vai... Não é nada de outro mundo. Quando sua mãe tinha uns dez anos, seu avô pegou as coisas dele, montou no cavalo e foi embora de casa com um rabo de saia. Deixou sua vó, sua mãe e seus tios, sem eira nem beira. Sua mãe, que era a mais velha, teve de largar os estudos e trabalhar como faxineira na casa da tia Alice para ajudar no sustento da casa. Cinco anos depois, ele voltou com o rabo entre as pernas, arrependido, sua avó o aceitou de volta e o perdoou, seus tios e tias também. Sua mãe, não. Desde o dia em que ele partiu até hoje, nunca mais trocou uma palavra com ele.&lt;br /&gt; - E isso já tem mais de trinta anos, né?&lt;br /&gt; - Pois é, mas você conhece a sua mãe. É a melhor pessoa do mundo, desde que você não pise na bola com ela.&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt; - Ariel!!! Pelo amor de Deus homem. Vem logo se arrumar. A gente vai perder o casamento do João!!!&lt;br /&gt; - Já vou... já vou...&lt;br /&gt; - Agora!&lt;br /&gt; - Estou indo.&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Era mil novecentos e oitenta e eu tocava numa banda punk quando fui visitá-lo no hospital. Estava morrendo, meu avô. Efisema pulmonar. Ele fumara demais por tempo demais. Já estava bem velhinho, encarquilhado, acho que nos últimos anos, ele tinha encolhido uns dez centímetros, era o contrário de mim que crescia como um uma girafa acasalando. Um adolescente ao contrário, meu avô. Estava dormindo quando eu cheguei, tinha um cano de plástico em forma de anzol espetado na boca e sondas nos braços. Deus o tinha fisgado. Não era um anzol muito especial aquele em sua boca, não para um peixe tão importante. &lt;br /&gt; Eu me encostei do lado da cama e segurei a mão dele. Acariciava com meu dedão as costas de sua mão. Até os pêlos dos dedos estavam totalmente brancos.&lt;br /&gt; Ele abriu os olhos, devagar. Parecia que as pálpebras pesavam uma tonelada. Queriam se fechar pra sempre, mas ele era um cara duro... cada ruga de seu rosto desvendava um rosário de erros e acertos. Era só um homem, mas qualquer mulher que tivesse um pouquinho de alma gostaria de beijá-lo na boca naquele momento. Não era um velho ali, diante de mim, era o mistério da vida com tudo o que ela tem de tristeza e de alegria.&lt;br /&gt; - Que bom que você veio, filho – Disse – mas que cabelo ridículo é este? -  Eu fui um daqueles caras que teve uma adolescência rebelde e prolongada, talvez herança do meu avô. Nos últimos tempos, tinha me afastado de toda família, até do meu avô. A gente faz cada bobagem nessa vida.&lt;br /&gt; Passei a mão nos poucos cabelos que ele tinha na cabeça.&lt;br /&gt; - Não fala nada vô, descansa. Eu só quero ficar aqui com o senhor.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- Eu só gostaria de ter o meu cachimbo aqui. – Sorriu. Respirou outra vez com dificuldades – Você guarda alguma mágoa minha, filho? Eu fiz muitas coisas erradas... muitas vezes...&lt;br /&gt;- O rock n´ roll não julga ninguém vô.&lt;br /&gt;- Que mané rock n´ roll... eu estou falando é da vida.&lt;br /&gt;- Eu sei porque a mãe não fala com o senhor.&lt;br /&gt;- Eu sei que você sabe. Está magoado com tudo o que aconteceu?&lt;br /&gt;- Não vô, todo mundo faz cagada.&lt;br /&gt;- Você acha que algum dia ela vai me perdoar?&lt;br /&gt;- Já perdoou vô, mas é orgulhosa demais pra admitir isso. Acho que ela queria que o senhor fosse até ela, talvez de joelhos, pra pedir perdão. Nesse assunto de vocês ela ainda não cresceu. Continua estudando como uma doida só pra te provar alguma coisa. Talvez ache que você não a ame, que o senhor nunca a amou de verdade. Ela é exigente no amor. Acho que só estuda tanto porque acha que assim um dia o senhor vai admirá-la e amá-la de fato.&lt;br /&gt;- Eu a amo mais que tudo. – Disse e pareceu se engasgar com a própria saliva. Soluçou. - Vocês também estão brigados, não é? Seu pai me disse.&lt;br /&gt;- É que ela é muito mandona... exige demais dos outros.&lt;br /&gt;- Todos nós dessa família, e isto inclui você, tem esse coração impulsivo e em brasas. Mas você se lembra o que eu te dizia quando jogávamos xadrez? É preciso aprender a dominar os cavalos, caso contrário, seremos derrotados... fracassaremos... seja no jogo... seja na vida.&lt;br /&gt;Quando saí do hospital naquele dia, os olhos dele me acompanhavam. Acho que olhei umas quatro ou cinco vezes pra trás e ele continuava olhando para a porta de vidro, além de observar a minha partida, esperava, muito mais, que alguém chegasse. Mas esse alguém que ele esperava não foi vê-lo e então, antes de outro dia amanhecer, ele morreu. Existem homens que se tornam imensos quando estão morrendo. É necessário, mais que viver, ser homem o bastante para morrer sem espernear.&lt;br /&gt;No funeral havia muita gente. Contavam histórias e mais histórias sobre meu avô. Ele tinha de fato muitas histórias. Minha mãe estava lá. Não quis nem que meu pai permanecesse por perto. Ficou agachada num canto. As lágrimas grossas escorrendo em silêncio pelo rosto. Ela não deu um pio. Quando desceram o caixão, aproximou-se da cova e jogou um punhado de terra. Acho que, só neste dia, ela envelheceu uns quinze anos, talvez mais. O cabelo, no decorrer do enterro, de negro ficou totalmente branco. As rugas despencaram de uma vez sobre os lábios. Era triste ver o quanto ela sofria. Tentei abraçá-la, mas ela me repeliu. Queria ficar só com sua dor como um canceroso que se agarra a seu tumor enquanto ele o mata.&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;- Ariel!!! Pelo amor de Deus homem.&lt;br /&gt;O homem acaricia o cachimbo em suas mãos como um menino acaricia seu cachorro companheiro. Guarda o objeto no bolso da blusa e pensa que na volta da festa vai ter de passar em alguma tabacaria e comprar fumo. Pretende também comprar um tabuleiro de xadrez, uma vez que hoje é o casamento do filho e os netos não devem tardar. Nada de novo sob o sol. Experiência que se repete. É preciso domar os... mas longe dali nos estábulos das fazendas que circundam a cidade os cavalos se revoltam... há cavalos baios... negros.. brancos... malhados... eles correm sob as chuva fina em direção ao poente. Aqui na cidade, enquanto caminha para o banheiro, Ariel não sabe nada disso, mas alguma coisa se agita em seu peito.&lt;br /&gt;- Você tinha razão o tempo todo. – Repete baixinho e passa a mão nos cabelos umedecidos pela chuva. Vida que segue.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-1089645542323544412?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/1089645542323544412/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=1089645542323544412' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/1089645542323544412'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/1089645542323544412'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2010/08/cavalos.html' title='CAVALOS'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-8243109765879172180</id><published>2010-04-18T15:05:00.001-03:00</published><updated>2010-04-18T15:06:51.156-03:00</updated><title type='text'>livro</title><content type='html'>&lt;a href="http://media.clubedeautores.com.br/downloads/books/18376/cover_front_perspective.png"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 100px; height: 168px;" src="http://media.clubedeautores.com.br/downloads/books/18376/cover_front_perspective.png" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;procurem em clube de autores:&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-8243109765879172180?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/8243109765879172180/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=8243109765879172180' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/8243109765879172180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/8243109765879172180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2010/04/livro.html' title='livro'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-2889635816681471104</id><published>2010-04-02T20:11:00.001-03:00</published><updated>2010-04-02T20:13:09.159-03:00</updated><title type='text'>na germina</title><content type='html'>TEM TRES CONTOS QUE VCS JÁ CONHECEM NA GERMINA. DE QUALQUER FORMA, SE QUISEREM CONFERIR O ENDEREÇO É:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.germinaliteratura.com.br/2010/naberlinda_daniellopes_mar10.htm&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ABRAÇO&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-2889635816681471104?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/2889635816681471104/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=2889635816681471104' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/2889635816681471104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/2889635816681471104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2010/04/na-germina.html' title='na germina'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-1378750618724178288</id><published>2010-03-18T21:38:00.001-03:00</published><updated>2010-03-18T21:40:28.944-03:00</updated><title type='text'>AINDA O AMOR</title><content type='html'>TE VER &lt;br /&gt;E NÃO MERGULHAR DE CABEÇA DURA NO TEU CORPO&lt;br /&gt;É COMO RETRATAR UM PAVÃO EM PRETO E BRANCO&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-1378750618724178288?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/1378750618724178288/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=1378750618724178288' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/1378750618724178288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/1378750618724178288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2010/03/ainda-o-amor.html' title='AINDA O AMOR'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-1862146223573541000</id><published>2010-03-13T20:45:00.000-03:00</published><updated>2010-03-13T20:46:05.953-03:00</updated><title type='text'>AMOR</title><content type='html'>Ele deu um beijo nela,  abriu a porta do carro e disse:&lt;br /&gt;- Te amo.&lt;br /&gt;- É a primeira vez que você diz.&lt;br /&gt;- Pois é.&lt;br /&gt;Então desceu do carro. Ela ficou lá dentro sorrindo e ele foi caminhando feliz, querendo que aquele momento durasse para sempre. Ao mesmo tempo se sentia fragilizado, um idiota. Era só o início.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-1862146223573541000?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/1862146223573541000/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=1862146223573541000' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/1862146223573541000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/1862146223573541000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2010/03/amor.html' title='AMOR'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-5341885217058686835</id><published>2010-02-28T12:23:00.002-03:00</published><updated>2010-02-28T12:25:10.160-03:00</updated><title type='text'>O MUNDO É UM MOINHO</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/L8U1Y9PBfig&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/L8U1Y9PBfig&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Mundo é um Moinho&lt;br /&gt;Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.&lt;br /&gt;O Mundo é um Moinho é uma canção composta pelo cantor e compositor de samba Cartola e gravada por ele em 1976, tendo sido gravada anos depois por Cazuza. Reza a lenda que Cartola escreveu a música para sua filha, numa das noites em que passou em claro após descobrir que a mesma estava se prostituindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No vídeo aparecem Cartola e o pai.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-5341885217058686835?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/5341885217058686835/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=5341885217058686835' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/5341885217058686835'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/5341885217058686835'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2010/02/o-mundo-e-um-moinho.html' title='O MUNDO É UM MOINHO'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-1770150066014876647</id><published>2010-02-13T21:50:00.004-02:00</published><updated>2010-02-23T08:04:01.288-03:00</updated><title type='text'>BOA SORTE, MACIEL</title><content type='html'>Às vezes a gente se apega, mesmo sem querer, e acaba gostando de alguém. Que pelo menos seja de uma criança então. Eu estava de saco cheio daquela história de dar aulinhas. Fora de brincadeira, os alunos eram uns capetas e os pais eram piores ainda, ganhava-se mal e, além disso, naquele ano, eu tinha ido parar numa escola do outro lado da cidade, tive até de comprar uma lambreta pra chegar a tempo de uma escola à outra. Sem contar que a toda hora aparecia algum jornalistinha, médico, padre, pedreiro, doutor, encanador e o escambal dando pitacos e oferecendo soluções sensacionais para o problema da educação. Falar é fácil, sempre foi. E a gente é que tinha de trabalhar em três escolas, correr de uma pra outra, fazer dezesseis horas por dia pra pagar as contas, vai vendo. E tinha aqueles coitados que não aprendiam nem se a gente desse cambalhota, ou fizesse malabarismo no meio da sala de aula. E tinha aqueles coitados que chegavam fedendo, doidos pra comer a merenda e esperar o lanche. Como é que alguém pode se interessar por Emílias e Narizinhos quando se chegava com o estômago pregado às costas e as orelhas cheias de bolachas familiares advindas da pinga paterna da noite anterior? E pro meu lado ainda tinha aquela diretora que parecia uma coruja de tanta plástica e de tanta chatice. É preciso dar nome aos bois, digo, à vaca: chamava-se Sandra Siqueira Nunes, ainda deve estar por aí, fodendo a vida dos outros. Não era mesmo fácil, mas eu tinha uma família pra sustentar e não podia entregar a rapadura. “Você reclama de barriga cheia” me diziam. Falar é fácil. Pimenta nos olhos dos outros é refresco. Como diria o Machado, suporta-se com paciência a cólica alheia. Isto mesmo. Mas eu tinha de agüentar até o fim do ano. Isto mesmo, só até o fim do ano... e arrastava outra vez minha carcaça cansada pro outro lado da cidade, onde quarenta e cinco alunos de onze anos, mais ou menos, me esperavam em cada sala de aula.&lt;br /&gt;Foi numa tarde em que o calor estava torrando nossos miolos que ele chegou até minha mesa. Todo malandro, negro, cheio de desenhos no corte de cabelo, franzino, com um par de tênis que devia caber uns dois pés dele dentro, querendo puxar assunto pra não fazer a lição, eu andava bem ligeiro com todas essas malandragens:&lt;br /&gt;- O senhor tem uma moto, né professor?&lt;br /&gt;- Uma lambreta.&lt;br /&gt;- É meio feia a moto do senhor, mas dá pro gasto. Sou doido por moto. Meu tio tem uma Hornet, por que o senhor não compra uma Hornet?&lt;br /&gt;- Não tenho dinheiro. O que é que seu tio faz.&lt;br /&gt;- Meu tio é ladrão. Meus tio é tudo ladrão. Tem dois que tá preso e um que morreu. Os outros dois só rouba. Teve um tio meu que deu um tiro na boca de um cara e os dentes saíram pela nuca. Meus tio é tudo doido. O outro só rouba caminhão e faz seqüestro relâmpago. O senhor é casado?&lt;br /&gt;- Sou, por quê?&lt;br /&gt;- Se não fosse, eu ia dar o telefone da minha tia pro senhor. Ela é a maior gostosa, queria que o senhor visse. Mas ela namora com um velho que deve ter mais de cem anos. Ela tem uma filha de dois anos também. A menininha é o maior barato, sabia que a primeira coisa que ela falou foi o meu nome? Vive atrás de mim, ela é o maior barato, professor, é esperta demais. Agora ela já fala tudo. Já sabe até contar. Quer dizer, sabe mais ou menos. Ela conta assim: um, dois, três, cinco, oito, dez, dezoito. Minha tia é meio chata. Às vezes ela me bate, mas quando ela tá legal também ela compra um monte de filme de terror e a gente passa a noite toda assistindo. O Senhor já assistiu O exorcista?&lt;br /&gt;- Já.&lt;br /&gt;- É muito louco, né. Esse é o melhor professor. E diz que morreu todo mundo que fez o filme. Sinistro, né?&lt;br /&gt;- Pois é. Mas e seu pai, Maciel? Sua mãe?&lt;br /&gt;- Meu pai morreu no ano passado, professor. Ele trabalhava pra prefeitura. Cortando as árvore. Aí uns dois anos atrás uma árvore caiu em cima dele. Ele ficou ruim um bocado de tempo. Ai melhorou um pouco e aí no ano passado ele morreu. Minha vó recebe a pensão dele, mas não me dá nada. Quer dizer, ela me dá roupa e comida, né professor e cuida de mim.&lt;br /&gt;- E sua mãe, Maciel?&lt;br /&gt;- Minha mãe bebe. – Ele falou e pela primeira vez pareceu se entristecer. Minha mãe bebe. Não precisava me dizer mais nada, eu podia deduzir o resto. Bateu o sinal.&lt;br /&gt;- E a lição, Maciel?&lt;br /&gt;- Foi mal professor, não fiz não, mas é que essa lição é muito chata. - Eu sabia que a lição era chata mesmo. A escola era um pé no saco pra todo mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;Durante o intervalo, na sala dos professores, perguntei aos outros sobre o Maciel.&lt;br /&gt;- É um vagabundo. – Disse um.&lt;br /&gt;- Não faz nada. – Disse outra.&lt;br /&gt;- Parece que a família é toda desestruturada. – Disse outra e continuou. – Deu um trabalho danado no ano passado, quando o pai morreu. Arrumava briga todo dia. Arranjava confusão até com os meninos da oitava série. E pior que muitas vezes ele, daquele tamanho, conseguia bater nos meninos grandes.&lt;br /&gt;- Vem alguém na reunião de pais?&lt;br /&gt;- Nunca veio ninguém. – Disse o professor que chamara o Maciel de vagabundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;Quando voltei de novo na sala do Maciel, ele mal esperou que eu terminasse de fazer a chamada. Pegou suas coisas, sua cadeira e foi se sentar junto de mim, na minha mesa.&lt;br /&gt;- Ei professor, hoje eu vou fazer toda a lição. – Disse – Pode encher a lousa que eu vou fazer tudo.&lt;br /&gt;Só que era aula de leitura. Estávamos lendo O pequeno príncipe, quero dizer, estávamos tentando ler O pequeno príncipe. A maioria só abria o livro e começava a conversar, obrigando-me a aumentar o tom de voz, que é um jeito de gritar elegantemente. Mas o Maciel quis ler neste dia e quis ler em voz alta. E leu... e bem. Daí  em diante o moleque mudou na minha aula. Não que ficasse quieto, porque isso ele não conseguia mesmo. Mas fazia todas as atividades e terminava primeiro que todo mundo. Só depois é que começava a bagunçar.&lt;br /&gt;- O Maciel só faz a lição do senhor, professor. – Diziam os outros alunos. E ele fazia mesmo. Rápido e bem feito... a letra não era das melhores, mas dava pra perceber que ele se esforçava. Às vezes eu ficava até envergonhado, não imaginava porque todo aquele apego a mim. Eu, que andava sempre tão estressado. Eu, que tinha tão pouco tempo e  pouca paciência sempre. Mas a verdade é que eu também me apegava ao menino... e conversava com ele... e gostava de conversar... só precisava dar um freio quando ele começava a querer falar de sexo. Já sabia um bocado de coisas, o danado, e queria me mostrar que sabia, mas eu precisava cortar, afinal de contas aquilo era uma quinta série.&lt;br /&gt;Dois meses antes de seu aniversário, ele já estava me perguntando, o que eu daria de presente a ele. Perguntei o que ele queria ganhar.&lt;br /&gt;- Pode me dar uma moto professor. – Disse e sorriu. – brincadeira, professor, dá o que o senhor quiser. – Emendou e sorriu de novo. &lt;br /&gt;- Beleza.&lt;br /&gt;- Dá um dinheirinho mesmo, professor.&lt;br /&gt;- Ta, quando chegar seu aniversário eu te dou um dinheirinho.&lt;br /&gt;- Aê. – Ele disse e ficou em silêncio uns instantes, pensando, antes de perguntar: - Professor, como é que faz dinheiro?&lt;br /&gt;- Como assim?&lt;br /&gt;- É, como é que faz dinheiro?&lt;br /&gt;- É na casa da moeda. Existem umas máquinas.&lt;br /&gt;- Meus tio são meio burro né professor. Era só roubar uma máquina dessas e aí ficava fazendo dinheiro em casa, não precisava roubar mais nada.&lt;br /&gt;- Maciel!&lt;br /&gt;- Mas não é professor! Bastava uma máquina, de fazer logo nota de cinqüenta. Uma vez meu pai me deu uma nota de cinqüenta.&lt;br /&gt;- Deixa de bobagem, Maciel.&lt;br /&gt;Dei-lhe algum dinheiro, quando chegou seu aniversário. Adverti que não dissesse a ninguém, pois poderia me complicar.&lt;br /&gt;- Ta achando que eu sou alcagüete, professor?&lt;br /&gt;- Não Maciel, não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo, sempre senhor de tudo, transcorreu. O fim do ano se aproximava e numa tarde de novembro o menino chegou com ar preocupado na minha mesa.&lt;br /&gt;- Que foi Maciel?&lt;br /&gt;- Nada não professor.&lt;br /&gt;- Como nada, e por que é que você tá todo jururu?&lt;br /&gt;Silêncio.&lt;br /&gt;- Fala Maciel.&lt;br /&gt;- Sabe o que é professor. O ano ta acabando , né? E o senhor mora longe, né? Queria saber se no ano que vem o senhor vai dar aula aqui?&lt;br /&gt;Respirei fundo. Êta pergunta danada de difícil de responder. Ainda bem que não caiam perguntas desse tipo nos concursos. Tinha de dizer a verdade.&lt;br /&gt;- Já pedi a remoção, Maciel, ano que vem vou trabalhar noutra escola mais perto da minha casa.&lt;br /&gt;- Hã...  tá bom. – Ele disse e eu pude ver o brilho das lágrimas umedecendo seus olhos, contudo não chorou. Estava calejado, o Maciel. Era só um menino, mas já tinha aprendido a agir como o mais duro dos homens. Eu, por meu lado, me sentia um traidor, um tremendo mau caráter. “É a vida”. Eu dizia de mim para comigo em cima da minha lambreta enquanto pilotava até a outra escola. Como se pudesse me enganar... Como se pudesse disfarçar aquela coisa ruim que me oprimia o peito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Depois de amanhã é o penúltimo dia de aula, professor. A gente vai fazer uma apresentação lá no CEU. Eu vou ser o Michel Jackson, professor. – Ele diz e aí começa a imitar os passos do artista recém-falecido, talvez até melhor que o próprio Michel. – O senhor vai lá ver, né, professor?&lt;br /&gt;- Que hora vai ser a apresentação?&lt;br /&gt;- Uma hora da tarde.&lt;br /&gt;- Puxa vida, Maciel. Eu saio da outra escola, lá do outro lado da cidade, meio dia e meia.&lt;br /&gt;- Tudo bem professor. – Ele diz baixando o olhar como se tivesse levado um tapa na cara.&lt;br /&gt;- Vou ver se consigo sair mais cedo, Maciel, não prometo nada. Mas vou ver se dou um jeito de chegar a tempo.&lt;br /&gt;- Faz um esforço, professor. Queria que o senhor me visse lá amanhã.&lt;br /&gt;- Vou ver. – Eu digo e dentro de mim mesmo me prometo que vou fazer o que for preciso pra ver o menino dançar.&lt;br /&gt;                   &lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;                      &lt;br /&gt;Não consegui chegar no início da apresentação, mas o Maciel percebeu quando cheguei e sorriu. Embora ele sorrisse o tempo inteiro, achei que sorrisse por causa da minha chegada. &lt;br /&gt;Ao final, ele e as outras crianças agradeceram à platéia se curvando como se fossem artistas famosos. O público, formado principalmente por alunos da escola onde eu trabalhava e do CEU, estava delirando com a apresentação. Batiam palmas, assobiavam, gritavam.&lt;br /&gt;Voltamos a pé pra escola. Era perto. No caminho o Maciel estava empolgado. Era o centro das atenções. Tinha arrebentado. As meninas do CEU ficaram babando. E quando ele tinha feito o Moon Walker, então? Moon o que, professor? Aquele passo que você desliza pra traz. Aquele passo é o maior boi professor, difícil foram os outros que eu mesmo fui inventando na hora. Deu tudo certo, né professor?&lt;br /&gt;- É Maciel, deu tudo certo.&lt;br /&gt;No final da aula, era praticamente a última, ele me pediu que o levasse para casa de moto. Seria da hora. Disse que não podia. Não tinha um capacete pra ele e seria perigoso. Entristeceu de novo. Dei um abraço nele e uns tapas no ombro. Eu estava sem jeito.&lt;br /&gt;- Então tchau, professor.&lt;br /&gt;Abracei de novo. Os outros alunos tiraram sarro. Briguei com eles.&lt;br /&gt;- Se cuida, carinha. Você é gente boa demais. É o moleque mais firmeza do Parque Bristol, Clímax, da zona Sul – Falei&lt;br /&gt;- Beleza, professor. – Disse e foi deslizando pra trás, fazendo o Moon Walker do Michel Jackson.&lt;br /&gt;Na hora de vir embora chovia. No caminho, acabei caindo da moto. Eu tinha escolhido ser professor, porque já tinha sido menino. Diabo, eu não era bom com o tal do Adeus. Era um péssimo professor. E eu sentia uma coisa ruim por dentro. E pensava nos meus filhos. E tinha vontade de chorar. E me preocupava com o que o futuro e o mundo guardavam pro Maciel. Mas tinha de terminar de fechar as médias da outra escola. Que merda de mundo burocrático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei porque hoje eu estava triste. A velha depressão contra a qual eu tenho lutado desde menino. Coloquei umas músicas... e... me lembrei do Maciel. O que ele estaria fazendo neste feriado de carnaval? Seria que tinha caído já no crime? Pensei em orar pra Deus por ele. Brigo muito com Deus, sou meio mal humorado às vezes, mas, sempre que me vejo em enrascadas, apelo pra ele. Desisti de orar. Sempre quis ser artista, então, em vez de orar, escrevi esta história. A arte é a oração do artista. Boa sorte, Maciel.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-1770150066014876647?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/1770150066014876647/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=1770150066014876647' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/1770150066014876647'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/1770150066014876647'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2010/02/quero-acordar-com-os-passarinhos-cantar.html' title='BOA SORTE, MACIEL'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-774597201858267571</id><published>2009-12-07T21:51:00.002-02:00</published><updated>2009-12-07T21:54:53.868-02:00</updated><title type='text'>Teu zói é a flor da paisagem/Sereno fim da viagem</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/7cdzna7SHiQ&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/7cdzna7SHiQ&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Flor da Paisagem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Composição: Robertinho de Recife &amp; Fausto Nilo &lt;br /&gt;Intérprete: Raimundo Fagner&lt;br /&gt;Arranjos: Hermeto Paschoal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teu zói é a flor da paisagem&lt;br /&gt;Sereno fim da viagem&lt;br /&gt;Teu zói é a cor da beleza&lt;br /&gt;Sorriso da natureza&lt;br /&gt;Azul de prata, meu litoral&lt;br /&gt;Dois brincos de pedra rara&lt;br /&gt;Riacho de água clara&lt;br /&gt;Roupa com cheiro de mala&lt;br /&gt;Zoim assim sãomais belos&lt;br /&gt;Que renda branca, que renda branca, que renda branca na sala&lt;br /&gt;Quem vê nêo enxerga a praia&lt;br /&gt;Nois no lenços, nois no lençol , nois no lençol de cambraia&lt;br /&gt;Teus zoi no fim da vereda&lt;br /&gt;Amor de papel de seda&lt;br /&gt;Teus zoi que clareia o roçado&lt;br /&gt;Reluz teu cordão colado&lt;br /&gt;que renda branca na sala ...&lt;br /&gt;nois no lenços, nois no lençol ...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-774597201858267571?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/774597201858267571/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=774597201858267571' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/774597201858267571'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/774597201858267571'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/12/teu-zoi-e-flor-da-paisagemsereno-fim-da.html' title='Teu zói é a flor da paisagem/Sereno fim da viagem'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-2869640356625134098</id><published>2009-12-05T18:21:00.001-02:00</published><updated>2009-12-05T18:21:32.113-02:00</updated><title type='text'>IT´S MY LIFE</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/HNzmrEgz_GI&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" 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CHEGA DE FIRULAS, SEMANA ROCK N´ROLL E SOUL TB.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-951420953353038237?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/951420953353038237/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=951420953353038237' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/951420953353038237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/951420953353038237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/11/tim-e-ben-lorraine.html' title='TIM E BEN - LORRAINE'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-5327437927170292148</id><published>2009-11-20T18:32:00.002-02:00</published><updated>2009-11-22T12:35:02.146-02:00</updated><title type='text'>THE OUTSIDERS - MISFIT</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/rgZpQPG6dvs&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/rgZpQPG6dvs&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CHEGA DE FIRULAS, SEMANA ROCK N´ROLL.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-5327437927170292148?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/5327437927170292148/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=5327437927170292148' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/5327437927170292148'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/5327437927170292148'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/11/outsiders-misfit.html' title='THE OUTSIDERS - MISFIT'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-3430209236250786824</id><published>2009-11-20T18:32:00.001-02:00</published><updated>2009-11-22T12:34:11.557-02:00</updated><title type='text'>HAVE LOVE, WILL TRAVEL - THE SONICS</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/20S_kwNb4rg&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/20S_kwNb4rg&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DUCA!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CHEGA DE FIRULAS, SEMANA ROCK N´ROLL.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-3430209236250786824?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/3430209236250786824/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=3430209236250786824' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/3430209236250786824'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/3430209236250786824'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/11/have-love-will-travel-sonics.html' title='HAVE LOVE, WILL TRAVEL - THE SONICS'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-5722465128066399823</id><published>2009-11-11T22:04:00.002-02:00</published><updated>2009-11-11T22:12:38.965-02:00</updated><title type='text'>AS MANGAS AINDA ESTÃO DE VEZ</title><content type='html'>JÁ NÃO PENSO TANTO NELA.&lt;br /&gt;GRAÇAS A DEUS!&lt;br /&gt;JÁ NÃO ME LEMBRO BEM DO SOM DO SEU SORRISO,&lt;br /&gt;NEM DA COR DA SUA VOZ.&lt;br /&gt;GRAÇAS A DEUS!&lt;br /&gt;ONTEM FUI À FEIRA,&lt;br /&gt;COMO JUNTOS COSTUMÁVAMOS FAZER.&lt;br /&gt;ACARICIEI OS OLHOS COM TANTAS CORES,&lt;br /&gt;O OLFATO COM TANTOS ODORES,&lt;br /&gt;E OS BOLSOS, POIS NADA COMPREI.&lt;br /&gt;PENSEI EM LEVAR MANGAS,&lt;br /&gt;PORQUE ACREDITO QUE É TEMPO DE MANGA DE NOVO,&lt;br /&gt;MAS AS MANGAS,&lt;br /&gt;MISTERIOSAMENTE,&lt;br /&gt;AINDA ESTÃO DE VEZ.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-5722465128066399823?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/5722465128066399823/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=5722465128066399823' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/5722465128066399823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/5722465128066399823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/11/as-mangas-ainda-estao-de-vez.html' title='AS MANGAS AINDA ESTÃO DE VEZ'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-7278520295757244260</id><published>2009-11-06T22:20:00.004-02:00</published><updated>2009-11-06T22:40:28.947-02:00</updated><title type='text'>DANCING IN THE MOONLIGHT</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Unnh0T2Ftro&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/Unnh0T2Ftro&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-7278520295757244260?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/7278520295757244260/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=7278520295757244260' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/7278520295757244260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/7278520295757244260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/11/dancing-in-moonlight.html' title='DANCING IN THE MOONLIGHT'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-1159576691952131383</id><published>2009-10-28T13:14:00.002-02:00</published><updated>2009-10-28T13:22:10.064-02:00</updated><title type='text'>PEQUENO PRÍNCIPE - CAP. XXI</title><content type='html'>&lt;a href="http://guisalla.files.wordpress.com/2009/07/pequeno-principe.gif"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 395px; CURSOR: hand; HEIGHT: 421px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://guisalla.files.wordpress.com/2009/07/pequeno-principe.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(O MAIS BELO DIÁLOGO JÁ ESCRITO)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E foi então que apareceu a raposa:&lt;br /&gt;- Bom dia, disse a raposa.&lt;br /&gt;- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.&lt;br /&gt;- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...&lt;br /&gt;- Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...&lt;br /&gt;- Sou uma raposa, disse a raposa.&lt;br /&gt;- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...&lt;br /&gt;- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. não me cativaram ainda.&lt;br /&gt;- Ah! desculpa, disse o principezinho.&lt;br /&gt;Após uma reflexão, acrescentou:&lt;br /&gt;- Que quer dizer "cativar"?&lt;br /&gt;- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?&lt;br /&gt;- Procuro os homens, disse o principezinho. Que quer dizer "cativar"?&lt;br /&gt;- Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bem incômodo! Criam galinhas também. É a única coisa interessante que fazem. Tu procuras galinhas?&lt;br /&gt;- Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"?&lt;br /&gt;- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."&lt;br /&gt;- Criar laços?&lt;br /&gt;- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...&lt;br /&gt;- Começo a compreender, disse o principezinho. Existe uma flor... eu creio que ela me cativou...&lt;br /&gt;- É possível, disse a raposa. Vê-se tanta coisa na Terra...&lt;br /&gt;- Oh! não foi na Terra, disse o principezinho.&lt;br /&gt;A raposa pareceu intrigada:&lt;br /&gt;- Num outro planeta?&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;- Há caçadores nesse planeta?&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Que bom! E galinhas?&lt;br /&gt;- Também não.&lt;br /&gt;- Nada é perfeito, suspirou a raposa.&lt;br /&gt;Mas a raposa voltou à sua idéia.&lt;br /&gt;- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra.&lt;br /&gt;O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. &lt;em&gt;E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:&lt;br /&gt;- Por favor... cativa-me! disse ela.&lt;br /&gt;- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.&lt;br /&gt;- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!&lt;br /&gt;- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.&lt;br /&gt;- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...&lt;br /&gt;No dia seguinte o principezinho voltou.&lt;br /&gt;- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração... É preciso ritos.&lt;br /&gt;- Que é um rito? perguntou o principezinho.&lt;br /&gt;- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, possuem um rito. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira então é o dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu não teria férias!&lt;br /&gt;Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:&lt;br /&gt;- Ah! Eu vou chorar.&lt;br /&gt;- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...&lt;br /&gt;- Quis, disse a raposa.&lt;br /&gt;- Mas tu vais chorar! disse o principezinho.&lt;br /&gt;- Vou, disse a raposa.&lt;br /&gt;- Então, não sais lucrando nada!&lt;br /&gt;- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.&lt;br /&gt;Depois ela acrescentou:&lt;br /&gt;- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.&lt;br /&gt;Foi o principezinho rever as rosas:&lt;br /&gt;- Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Ela é agora única no mundo.&lt;br /&gt;E as rosas estavam desapontadas.&lt;br /&gt;- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o pára-vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.&lt;br /&gt;E voltou, então, à raposa:&lt;br /&gt;- Adeus, disse ele...&lt;br /&gt;- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: &lt;em&gt;só se vê bem com o coração&lt;/em&gt;. O essencial é invisível para os olhos.&lt;br /&gt;- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.&lt;br /&gt;- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.&lt;br /&gt;- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.&lt;br /&gt;- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...&lt;br /&gt;- Eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-1159576691952131383?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/1159576691952131383/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=1159576691952131383' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/1159576691952131383'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/1159576691952131383'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/10/pequeno-principe-cap-xxi.html' title='PEQUENO PRÍNCIPE - CAP. XXI'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-4310415641151469443</id><published>2009-10-20T11:44:00.004-02:00</published><updated>2009-10-20T11:50:59.638-02:00</updated><title type='text'>OS ABISMOS SÃO PARA OS PROFUNDOS</title><content type='html'>&lt;a href="http://oglobo.globo.com/blogs/arquivos_upload/2008/02/129_1120-escolar1.JPG"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 499px; CURSOR: hand; HEIGHT: 594px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://oglobo.globo.com/blogs/arquivos_upload/2008/02/129_1120-escolar1.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;May you always do for others&lt;br /&gt;And let others do for you…&lt;br /&gt;...May you stay forever young&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bob Dylan&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu era o cara velho em roupas novas que observava tudo no canto da sala. O quadro, O escolar de Van Gogh, emitia sua energia louca, parecia haver um campo magnético ou qualquer coisa assim em volta dele. Havia Modiglianis muito bons, havia Gauguin e havia Delacroix, mas Van Gogh é outro papo. Todo o museu, melhor, todo o mundo, parecia girar em torno daquele quadro. Seria o Aleph? O princípio e o fim? E a tristeza nos olhos e no olhar vazio do menino? Eu podia ver a dor do artista desesperado naqueles traços. Eu podia ver o seu amor e seu carinho pela humanidade. Eu podia ver a ternura e a tormenta em cada canto vermelho ou alaranjado. Eu tinha impressão de que, se tocasse aquele quadro, abriria uma porta pra outro mundo, pra outra dimensão, onde eu poderia abraçar Vincent e conversar sobre as coisas da vida. Eu também tinha sofrido demais. Eu também tinha perdido tudo e fracassado. Muitos amigos meus haviam desaparecido. Muitas mulheres tinham encontrado homens mais interessantes e meus filhos agora estavam longe. Há muito tempo, eu chegara a acreditar que poderia realizar algo de bonito e grandioso, agora eu era só o cara velho em roupas novas e a menina que observava o quadro era tão jovem e tão bonita. O museu estava praticamente vazio neste dia por causa da chuva. Havia cinco dias que não parava de chover na cidade e o feriado prolongado tinha feito muita gente fugir pro interior ou pro litoral. Eu gostava de dias assim. Eu gostava de passear pela cidade vazia olhando as coisas. Quando estava vazia, a cidade era meu espelho. Quando havia pessoas nela, a cidade me lembrava cocaína e eu tinha vontade de fugir e de morrer. A simples idéia do suicídio havia me ajudado a passar muitas noites difíceis, pois eu sabia que um dia me mataria mesmo e então não haveria mais nada, além da brancura de uma folha vazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina se distanciou um pouco mais do quadro, como para senti-lo de outra forma. Ainda não havia me notado no canto da sala. Na verdade, ela se parecia um pouco com a minha segunda esposa, aquela que... melhor nem falar dela. Na arte de odiar as mulheres são inigualáveis, além disso, eu... então o elevador parou e dele desceu um rapaz magro, despenteado e barbudo. Parecia muito doido. Atravessou as outras salas da exposição quase que correndo e se ajoelhou ao lado da moça, olhando pro quadro. Ela riu um pouco e então olhou pra trás e me viu no canto da sala. Acho que o rapaz também havia se dado conta da magia e da força. Não acredito em santos e nem em messias, mas acredito em Van Gogh. Acho que o garoto pensava como eu. Ele ficou lá ajoelhado por uns cinco minutos, enquanto a moça me olhava e fazia gestos indicando que o rapaz devia estar maluco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu preciso me salvar! – ele disse ao se levantar, abraçando a moça. Tem cada malandro nesse mundo.&lt;br /&gt;- Não existe salvação. – Eu falei.&lt;br /&gt;- Velho você não entende, você já fez o que tinha de fazer e eu não, eu preciso conseguir.&lt;br /&gt;- Essas coisas só pioram com o tempo. Porque você sente que a morte está chegando e nada muda. Então você renova as esperanças e tenta outra vez e nada muda novamente. Quando você se dá conta, as rugas já tomaram conta do seu rosto e você continua agindo feito um menino. É ridículo. Uma piada das mais sem graça.&lt;br /&gt;Então a menina abriu a boca:&lt;br /&gt;- É tudo tão triste. – Disse.&lt;br /&gt;Droga eu também era um menino, mas o meu corpo era velho. Isto é mesmo ridículo. Em algum lugar dentro de mim morava um homem que queria amar, mas o corpo, o corpo estava fechado para o amor. Os lábios dela eram bailarinas e o meu espírito tinha de agir como velho porque meu corpo era velho e a gente só pode ser por meio do corpo. Além do corpo ninguém sabe o que será.&lt;br /&gt;- Não, não tem nada de triste. Nós ainda podemos conseguir. – Disse o menino e abraçou a moça ainda mais forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela olhou pra mim outra vez meio encabulada e eu me lembrei que também já tinha sentido as coisas daquele jeito e me lembrei dos meus amigos artistas que agora estavam mortos e eu me lembrei das minhas mulheres artistas que agora estavam mortas. Todas as pessoas pra quem eu esculpi, todas as pessoas pra quem eu pintei, estavam mortas agora. O monstro cria gerações e mais gerações pra se alimentar delas. Moloch! E toda geração acha que vai ser diferente, mas no fim fica tudo igual. Somos todos crianças sempre. Alguém aí se lembra de Judy Garland? Alguém aí se lembra de Etta James? Eu chorei ouvindo Etta James. Mantenha suas mãos ocupadas, velho! Mantenha ágeis os seus pés!&lt;br /&gt;- Eu preciso beber alguma coisa. Não quero ficar com essa coisa ruim por dentro. Não para de chover e essa dor está me matando. A moça falou ajeitando os cabelos atrás da orelha.&lt;br /&gt;- Eu bem que gostaria de te pagar alguma coisa, mas não tenho dinheiro. Nunca tenho dinheiro. – Disse o moleque.&lt;br /&gt;- E o senhor? – Ela perguntou olhando na minha direção.&lt;br /&gt;- Vamos.&lt;br /&gt;Atravessamos outra vez à sala. Eu disse adeus ao Escolar e a moça apertou o botão pra chamar o elevador. Tinha um arco-íris pintado em cada unha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entramos no primeiro bar aberto. A menina pediu um copo cheio de vodka. Tinha uma sede daquelas. O rapaz pediu uma cerveja e três copos. Eu emborquei meu copo e pedi um refrigerante. Não bebia mais, havia sofrido por mais de trinta anos nas garras do mais cruel dos alcoolismos. Eles começaram a conversar. Jovens e velhos desesperançados na mesma mesa imunda. Eu fiquei quieto ouvindo. A sobriedade, como tudo o mais, tem suas vantagens e suas desvantagens. Era mesmo linda a menina. E parecia tão triste quando sorria! A tristeza deixa as pessoas magnéticas. Mesmo o humor, o melhor dos humores, esconde uma grande dose de dor e de insatisfação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles beberam mais. Continuei firme no meu refrigerante. Lá fora o céu desabava. Imensas gotas azul-claras escorriam pelos vidros e pela lataria dos automóveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um dia ainda escrevo um grande livro! Posso senti-lo germinando na minha cabeça. Quando ele sair vai ser como o Werther. - Disse o menino.&lt;br /&gt;- Torço por você garoto.&lt;br /&gt;- Não agüento mais beber... não tenho mais casa... não quero ir pra casa! – Disse a menina.&lt;br /&gt;- Também não posso te levar pra minha casa. Moro de favor na república de uns amigos. - Emendou o rapaz enquanto pegava um dos meus cigarros sobre a mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então a menina fez uma coisa. Levantou-se. Cambaleou até mim e escorregou a ponta dos dedos pelo meu rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você é um velho tão feio. Tem rugas tão profundas. - Disse e aí me beijou na testa, como se fosse ela a minha mãe e passou os dedos entre meus cabelos ralos.&lt;br /&gt;- Se quiserem podemos ir pra minha casa. Falei.&lt;br /&gt;- Eu adoraria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamamos um táxi e nos escondemos ali dentro prontos pra atravessar a cidade. Não demoramos a chegar. Era mesmo bom ter vazia a cidade. Paguei a corrida e subi na frente pra cobrir os meus trabalhos. Eu não precisava mais que os outros os elogiassem. Eu era um velho. Voltei ao portão e os coloquei pra dentro. Eles beberam algumas cervejas que havíamos trazido e eu bolei um bom baseado como nos velhos tempos. E foi bem nessa hora que ficamos felizes e somamos nossas idades e dividimos por três para sermos iguais, mas, porra, eles eram mais jovens que meu filho mais novo. Sei que cai no chuveiro pra um bom banho e, quando voltei, eles estavam dormindo abraçados no meio da minha sala. Descolei uma coberta e joguei por cima. E aí peguei um lápis, uma folha de papel e os desenhei. Eram lindos. Quando terminei o desenho, peguei a câmera que eu levava sempre à mão e tirei uma fotografia. A menina abriu lentamente os olhos e, no meio de um bocejo, disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deita aqui com a gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devo confessar que fiquei indeciso por alguns segundos, mas ao final, também entrei embaixo das cobertas. Ela me abraçou e beijou meu rosto. Na televisão passava um velho vídeo dos Stones que minha quarta mulher havia deixado quando partiu. Um novo tipo de afeto crescia dentro de mim. Uma coisa misturada, não definida, uma coisa que eu sabia que ninguém mais havia sentido no mundo, algo feito o surgimento do amor romântico nos tempos mais cruéis do cristianismo, quando as chamas eram bem mais que uma metáfora. O que era aquilo eu não sabia, mas como todas as outras coisas intensas da vida, também me levaria para o abismo. Pouco me importava, pouco me importa. Os abismos são para os profundos. Lá fora continuava a chover. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-4310415641151469443?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/4310415641151469443/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=4310415641151469443' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/4310415641151469443'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/4310415641151469443'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/10/os-abismos-sao-para-os-profundos.html' title='OS ABISMOS SÃO PARA OS PROFUNDOS'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-4123721544523340730</id><published>2009-10-13T22:20:00.001-03:00</published><updated>2009-10-13T22:20:52.930-03:00</updated><title type='text'>LA NEGRA.</title><content type='html'>ADIÓS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/BcID17wcZHU&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed 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href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/4123721544523340730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/10/la-negra.html' title='LA NEGRA.'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-5077701275648294049</id><published>2009-10-06T20:15:00.003-03:00</published><updated>2009-10-06T20:56:03.016-03:00</updated><title type='text'>4 DE OUTUBRO</title><content type='html'>POR UMA DESSAS COINCIDÊNCIAS INEXPLICÁVEIS, ACABO DE CONSTATAR QUE JANIS JOPLIN E MERCEDES SOSA MORRERAM NO MESMO DIA: 4 DE OUTUBRO.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" 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href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=5077701275648294049' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/5077701275648294049'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/5077701275648294049'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/10/4-de-outubro.html' title='4 DE OUTUBRO'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' 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fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com papoulas nos olhos&lt;br /&gt;Do fundo do meu poço sem fundo&lt;br /&gt;Aplaudo desde já os gênios mais jovens da minha geração&lt;br /&gt;A vida é labirinto e eu não consigo achar saída.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-5222790180157575801?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/5222790180157575801/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=5222790180157575801' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/5222790180157575801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/5222790180157575801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/09/vinte-quatro-horas-de-serena-sobriedade.html' title='VINTE QUATRO HORAS DE SERENA SOBRIEDADE'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-7396057111318976976</id><published>2009-09-25T10:42:00.003-03:00</published><updated>2009-09-30T23:34:06.985-03:00</updated><title type='text'>À CHAMA</title><content type='html'>Não importa se estamos sozinhos ou acompanhados&lt;br /&gt;Não importa se estamos nos conhecendo ou nos despedindo&lt;br /&gt;Não faz diferença se estamos cantando ou em  silêncio&lt;br /&gt;A máquina do mundo não desacelera suas engrenagens&lt;br /&gt;A máquina da vida não se importa com a artrose de suas partes&lt;br /&gt;A eternidade é agora&lt;br /&gt;E agora a  eternidade já é outra&lt;br /&gt;O problema da solidão não é o vazio&lt;br /&gt;É a ausência onde antes havia algo&lt;br /&gt;Talvez quente... talvez bom... talvez... talvez...&lt;br /&gt;Um campo de girassóis depois da colheita&lt;br /&gt;Dias e noites se revezam nos nossos gritos&lt;br /&gt;Enquanto na areia da praia os meninos constroem palácios e mais palácios&lt;br /&gt;Para as marés que se agigantam indiferentes&lt;br /&gt;A beleza está nas mãos pequenas que meticulosamente tecem formas&lt;br /&gt;Ainda que seja tudo em vão.&lt;br /&gt;Em vão?&lt;br /&gt;Eu amo como Lúcifer ama ao Deus que o condena ao Inferno.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-7396057111318976976?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/7396057111318976976/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=7396057111318976976' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/7396057111318976976'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/7396057111318976976'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/09/chama.html' title='À CHAMA'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-275497155720673768</id><published>2009-09-21T17:21:00.001-03:00</published><updated>2009-09-22T09:17:41.901-03:00</updated><title type='text'>POR UM CORAÇÃO DE OURO</title><content type='html'>Somente a consciência da dúvida é que me faz inteiro&lt;br /&gt;Procuro-me no pântano dentro de mim&lt;br /&gt;Como procuro o olho de Deus num canto qualquer do universo&lt;br /&gt;A fé está onde eu não alcanço&lt;br /&gt;E a poesia está para além das palavras&lt;br /&gt;Assim como o amor de Van Gogh está para além das tintas e das telas.&lt;br /&gt;A música suaviza o caos&lt;br /&gt;E as rosas escalam a tarde feito os vagabundos do Dharma&lt;br /&gt;Eu acredito no Deus dentro do meu inimigo&lt;br /&gt;Eu acredito no Deus dentro do meu corpo sensual&lt;br /&gt;Eu acredito no Deus dentro dos desajustados e dentro dos que não entendem.&lt;br /&gt;Qual é o sentido do magma, senão fugir de dentro de um vulcão ereto?&lt;br /&gt;Qual é o sentido da chuva, senão que ela molha dentro de mim?&lt;br /&gt;Qual é o sentido das flores?&lt;br /&gt;A beleza não faz sentido e ainda assim emociona.&lt;br /&gt;Lá fora os homens constroem templos&lt;br /&gt;E acariciam os cabelos brancos do mistério.&lt;br /&gt;Aqui,&lt;br /&gt;Na memória dos meus órgãos,&lt;br /&gt;Eu carrego as cicatrizes dos meus ancestrais&lt;br /&gt;Aqui,&lt;br /&gt;Na memória dos meus órgãos, &lt;br /&gt;Eu arranco a coroa de Cristo e a planto na minha cabeça grande&lt;br /&gt;Assim como arranco os pregos da cruz e os cravo em minhas mãos espalmadas&lt;br /&gt;Eu levo em mim&lt;br /&gt;Nos recônditos mais soturnos&lt;br /&gt;O sangue das vaginas de dez milhões de virgens enganadas&lt;br /&gt;O sangue de dez milhões de amigos traídos&lt;br /&gt;O sangue de dez milhões de amores assassinados&lt;br /&gt;Ninguém é inocente&lt;br /&gt;Ninguém é culpado&lt;br /&gt;O fim pode estar na próxima esquina&lt;br /&gt;Por isso eu amo como quem morre&lt;br /&gt;Os anjos tocam jazz com suas trombetas no fundo das minhas retinas.&lt;br /&gt;A natureza esculpe crisântemos nos meus tímpanos.&lt;br /&gt;Todos os meus sentidos são UM.&lt;br /&gt;Cristos e Judas se perdoam no meu coração,&lt;br /&gt;Enquanto a velhice vem a galope feito uma puta com as tetas de fora.&lt;br /&gt;Vou deixar de lado as coisas de menino&lt;br /&gt;E agir como Homem.&lt;br /&gt;Meus filhos esperam que eu seja grande.&lt;br /&gt;Eu também continuo cavando por um coração de ouro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Eh44QPT1mPE&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/Eh44QPT1mPE&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-275497155720673768?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/275497155720673768/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=275497155720673768' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/275497155720673768'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/275497155720673768'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/09/por-um-coracao-de-ouro.html' title='POR UM CORAÇÃO DE OURO'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-3630565459971939398</id><published>2009-09-16T18:15:00.001-03:00</published><updated>2009-09-16T18:16:49.622-03:00</updated><title type='text'>I´D RATHER GO BLIND</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/YApNirMC9gM&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/YApNirMC9gM&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A MÚSICA MAIS TRISTE DO MUNDO!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-3630565459971939398?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/3630565459971939398/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=3630565459971939398' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/3630565459971939398'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/3630565459971939398'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/09/id-rather-go-blind.html' title='I´D RATHER GO BLIND'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-8523204133057264874</id><published>2009-09-13T10:29:00.000-03:00</published><updated>2009-09-13T10:30:22.469-03:00</updated><title type='text'>LIMÃO</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;para todos aqueles amigos que não vejo há tanto tempo.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PORQUE o homem está sentado no meio da ponte em silêncio&lt;br /&gt;De mãos dadas com o velho&lt;br /&gt;De mãos dadas com o menino&lt;br /&gt;PORQUE um novo dia virá de leste a oeste&lt;br /&gt;Tenhamos ou não esperanças&lt;br /&gt;PORQUE todo homem sabe tanto quanto todo menino&lt;br /&gt;PORQUE todo homem precisa de proteção e de um Deus amoroso&lt;br /&gt;PORQUE muitos amigos vão caindo pela estrada&lt;br /&gt;PORQUE muitos amores vão correndo pra outras camas&lt;br /&gt;PORQUE  os cães da infância estão mortos&lt;br /&gt;PORQUE  só nos resta acreditar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vou fazer um som com meus amigos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PORQUE meu sangue gela nas veias&lt;br /&gt;PORQUE os canalhas vencem sempre&lt;br /&gt;E porque a única coisa que um homem de bem  pode fazer nestes tempos escrotos é fracassar&lt;br /&gt;PORQUE as portas estão sempre fechadas&lt;br /&gt;E meus sonhos estão caindo em espiral feito pássaros feridos&lt;br /&gt;PORQUE  eu quero cobrir de flores tua alma quebrada&lt;br /&gt;PORQUE  a verdade realiza prodígios&lt;br /&gt;PORQUE  eu sou só um homem tentando ser o meu melhor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vou fazer um som com meus amigos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PORQUE  o sol me dói no corpo&lt;br /&gt;PORQUE a chuva me deixa triste como um bicho morto no acostamento da estrada&lt;br /&gt;PORQUE  eu já machuquei muita gente&lt;br /&gt;PORQUE  eu já fui ferido profundamente&lt;br /&gt;PORQUE não sabemos&lt;br /&gt;PORQUE morremos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vou fazer um som com meus amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vão cruzar muitas fronteiras&lt;br /&gt;Os acordes da canção&lt;br /&gt;Vão fazer a moça triste sorrir e os velhos cantarem de braços dados&lt;br /&gt; como se fossem meninos na formatura de uma pré-escola&lt;br /&gt;Os acordes da canção&lt;br /&gt;Vão fazer os amigos lembrarem de amigos há muito esquecidos&lt;br /&gt;Os acordes da canção&lt;br /&gt;E os pássaros dirão estarrecidos:&lt;br /&gt;- Podemos cantar juntos o refrão?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-8523204133057264874?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/8523204133057264874/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=8523204133057264874' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/8523204133057264874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/8523204133057264874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/09/limao.html' title='LIMÃO'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-375141706002568093</id><published>2009-09-08T23:30:00.003-03:00</published><updated>2009-09-08T23:45:25.657-03:00</updated><title type='text'>OS DIAS MAIS FELIZES DE UM CORAÇÃO SOLITÁRIO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Como pode ser gostar de alguém&lt;br /&gt;E esse tal alguém não ser seu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcelo Jeneci&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acorrentado. Amar sem ser amado. Ou será que eu era? Já faz tempo. Hoje achei uma fotografia dela sorrindo. Já faz tempo. Vinte anos hoje. Eu sei porque é a data do meu aniversário. Eu faço trinta e sete. Fazia dezessete. Detesto os nostálgicos, ainda que seja um deles. Se pudesse construiria uma casa no passado e ficaria morando por lá, junto à piranha que amei. Não que o passado tenha sido bom, não era, já disse que odeio os nostálgicos. Em verdade, em verdade vos digo que o passado era uma merda, mas o problema é que o presente é vazio. E, entre a merda e o vazio, fico com a merda. Paixão é sofrer junto, mas eu sofria sozinho, eu sofro sozinho, com tudo o que tinha de ruim, aqueles foram os melhores dias do meu coração solitário. Pra dizer a verdade, eu tenho é inveja desses filhos da puta que arrumam uma dúzia de piranhas pela vida a fora e não se envolvem com nenhuma. Analisam friamente custo e benefício e, como o custo quase nunca compensa o benefício, caem fora e não sofrem. Eu só gostei de uma mulher. E como sou mesmo um filho da puta muito azarado, foi logo de uma puta. Essa não é uma história romântica. E a minha puta não é dessas que choram e têm histórias tristes pra contar, não. A minha puta gostava mesmo era de dinheiro e só de dinheiro. Bem que eu queria que ela gostasse de qualquer outra coisa, mas ela gostava mesmo era de dinheiro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estávamos comemorando meu aniversário. Eu e mais dois parceiros. Fomos ao puteiro e ela estava lá.Vocês acreditam em amor à primeira vista? Eu sei, acontece o tempo todo. Eu só preciso de uma ajudinha dos meus amigos. Não vou dizer que tenha sido amor à primeira vista. Antes foi amor à primeira foda. Como tínhamos dinheiro, ela deu logo conta dos três. Tinha uma boceta de fogo. Era impressionante, como conseguia ficar excitada o tempo todo, se visse dinheiro aí então é que transformava mesmo a xota num rio. Eu não posso explicar porque foi que me apaixonei, porque foi que fiquei tão louco. Eu mesmo não sei dizer. Aliás, só escrevo pra tentar desvendar. Ela não era a mulher mais linda do mundo. Não era a mulher mais inteligente do mundo. Não era sequer a mais gente fina do mundo, era uma filha da puta egoísta e insensível, não insensível não, porque ela pintava uns quadros. Não sei como eles eram, os quadros, ela nunca me mostrou um deles sequer. De qualquer forma pintava e isso já é alguma coisa, nénão? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sei que, depois do primeiro dia, eu não conseguia mais parar de ir lá. Ela não falava muito, só fodia. Diabos, havia um mistério e eu precisava decifrar. Acho que eu tinha lido contos de fadas demais e ficava o tempo todo fantasiando. Ficção e realidade me eram iguais. Eu achava que tinha que me foder um pouco, porque queria ser escritor e todos os escritores se fodiam. É a vida. Mas aí, não devemos brincar com essas coisas. É como brincar de fazer pacto com o diabo, no fim você pode se dar muito mal. Ela não fazia questão de esconder que só queria meu dinheiro e se divertir um pouco. O problema foi que eu fiquei obcecado. Perdi todo o meu dinheiro e meu orgulho. Perdi o amor e o respeito de todos que gostavam de mim. Já fumei crack e já cheirei heroína, não posso dizer que apliquei porque sempre tive medo de agulhas. De qualquer forma, já usei drogas bem pesadas e posso dizer que nada me destruiu mais do que aquela mulher. Eu tinha de decifrar o mistério, mas talvez nem sequer houvesse mistério algum, talvez ela fosse uma filha da puta egoísta mesmo. Mas eu cismei que existia um mistério e dentro dele qualquer coisa de ternura. Ternura? Ternura é passar pomada no cu arrebentado da piranha amada depois de uma noite de trabalho. Há que ser delicado e cuidar das pregas como se fossem pétalas de rosas, como dói. É dor que nenhuma substância química, nenhuma religião, nenhum amigo pode apagar. No fim de tudo ela ria alto e perguntava quanto eu ainda tinha nos bolsos. “Só isso? com esse dinheiro eu só posso te bater uma punhetinha, estou exausta.” E aí ria de novo e pegava meu pau com a mão e só o jeito dela pegar no meu pau, me olhando nos olhos, eu não resistia e gozava rápido. Conversa de apóstolo, aquela idéia de que o amor é bom e não quer o mal. Tem amor de tudo quanto é jeito. Se ele quiser o bem, o amor, sorte do indivíduo. Se quiser o mal, azar do sujeito. Um peixe bem fisgado não escapa do anzol. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um amigo me disse que eu só perdi o controle assim porque eu sou adotado e meu pai era um bêbado que ficava jogando isso na minha cara o tempo inteiro:&lt;br /&gt;- Eu devia ter deixado esse traste pra morrer em cima do formigueiro. Não sei porque fui tirar esse filho da puta de cima daquele formigueiro. Devia ter deixado as formigas acabarem com ele. – Ele ficava gritando sempre que enchia a cara.&lt;br /&gt;Minha mãe era boa, mas entrava na porrada também, quando o velho chegava muito doido. Um dia eu cresci e meti a foice na cabeça dele. Ele ficou mais de um mês internado. Foi bom pra ele aprender uma coisa. Hoje ele está lá, todo fodido em cima da cama. Precisa de alguém que lhe limpe o cu. E eu estou aqui, também não posso dizer que esteja melhor que ele, aqui nessa clínica, com medo de sair na rua e de pegar em dinheiro... Mas também não quero falar disso. Eu preciso é desvendar a puta. Até hoje aquilo tudo me atormenta&lt;br /&gt;- Isso é espírito de pomba gira. – Minha mãe sentenciou logo da primeira vez que a viu. Era uma mulher muito ligada às coisas espirituais, minha mãe. Jamais entenderia uma mulher como aquela que eu amava. Tentei várias vezes, mas não consegui me desvencilhar dela... até que ela morreu. Graças a Deus! Morreu de aids, não faz tanto tempo, e ainda riu na minha cara porque a gente tinha feito amor uma porrada de vezes sem camisinha. Queria mesmo me destruir eu sei lá o motivo, Karma vai ver, mas não conseguiu, porque isso já faz uns dois anos e eu fiz vários exames de lá pra cá. Todos deram negativos. Pior pra ela. E agora sinto até vontade de rir um pouco. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Depois que ela morreu, eu ainda levei flores ao túmulo dela por um bom tempo. Não havia nada que me convencesse de que não havia ternura lá. Pra mim, era eu quem tinha falhado, eu é que não tinha conseguido encontrar o tesouro que existia dentro dela. Daria qualquer coisa pra ver um daqueles quadros, talvez a chave esteja neles, vai saber. Contudo eu nunca vi quadro algum e nem sequer sei se eles existem, ou existiram efetivamente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Foi há vinte anos hoje. A vida não vale mesmo a pena para algumas pessoas. Não penso em suicídio, mas pra mim chega. Esse bando de depravados não valem a poeira de que são feitos. Os motéis cospem porra e carros o dia inteiro. Pra mim chega. Faz vinte anos hoje. Que confusão. Os ovos não devem bailar junto às pedras. Nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/OOtK_PiCesA&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/OOtK_PiCesA&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-375141706002568093?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/375141706002568093/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=375141706002568093' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/375141706002568093'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/375141706002568093'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/09/os-dias-mais-felizes-de-um-coracao.html' title='OS DIAS MAIS FELIZES DE UM CORAÇÃO SOLITÁRIO'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' 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width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-7897876322227540911?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/7897876322227540911/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=7897876322227540911' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/7897876322227540911'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/7897876322227540911'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/09/creep.html' title='CREEP'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-8146906385657358719</id><published>2009-08-28T10:10:00.002-03:00</published><updated>2009-08-28T10:15:03.649-03:00</updated><title type='text'>Sr. PÉSSIMO</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Para o Isaac, que ainda sofre por amor.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;"A vida é a Arte do encontro,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Embora haja tanto desencontro pela vida"&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Vinicius de Moraes&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Depois de novo tombo,&lt;br /&gt;Ele chegou à seguinte conclusão:&lt;br /&gt;É o nosso olhar que faz alguém especial&lt;br /&gt;Porque metade das pessoas é estúpida&lt;br /&gt;E a outra metade...&lt;br /&gt;Mal-intencionada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-8146906385657358719?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/8146906385657358719/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=8146906385657358719' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/8146906385657358719'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/8146906385657358719'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/08/sr-pessimo.html' title='Sr. PÉSSIMO'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-344434971498242026</id><published>2009-08-26T12:09:00.001-03:00</published><updated>2009-08-26T12:09:53.704-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela'/><title type='text'>MEU MARFIM QUE SANGRA - 19 E 20</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;19.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Abro os olhos. Estamos atravessando uma imensa ponte. Embaixo há só o fundo, não posso vê-lo. Sei que ele existe, mas não posso vê-lo. Está tudo tão escuro! Sinto náuseas.  Não há salvação. Continuamos subindo. Acho que nunca mais sairemos da ponte. Estou tão cansada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Quem poderia cantar uma canção pra mim, a menina que um dia foi barco?&lt;br /&gt;            No quarto onde eu estava escorria sangue pelas paredes. Por que tantas pessoas esfaceladas pelo mundo? Eu me perguntava sem saber bem o porquê. Por que pessoas sem pernas, sem braços, sem mãos, sem os dedos, sem uma das orelhas? Por que outras pessoas que têm tudo isto por fora, mas só de dar uma olhada pra cara delas a gente percebe que por dentro foi tudo amputado? Só de dar uma olhada, a gente percebe que não deixaram uma rosa qualquer ou um colibri pra contar a história? Foi tudo amputado. O massacre da serra elétrica.&lt;br /&gt;Toquem mais alto esta gaita! Soprem ainda mais forte a flauta! Talvez sejamos todos fortes! Mas no quarto o sangue continuava escorrendo. Sempre. Sem parar. Pelas paredes. Tantas baratas e  escorpiões, e moscas, varejeiras, e vermes e mais baratas e escorpiões e vermes. Sempre o mesmo mantra maligno. Sempre a mesma ladainha peçonhenta. E lá no alto, no teto, desenhado, a figura meio touro, meio homem. Tenho medo do mal. Esse cheiro de sangue me desanima. Melhor dormir. Tomara que eu não tenha sonhos. Tomara!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-344434971498242026?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/344434971498242026/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=344434971498242026' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/344434971498242026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/344434971498242026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/08/meu-marfim-que-sangra-19-e-20.html' title='MEU MARFIM QUE SANGRA - 19 E 20'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-1593810254211125648</id><published>2009-08-22T15:14:00.001-03:00</published><updated>2009-08-22T15:14:38.733-03:00</updated><title type='text'>Há dias em que os pássaros não cantam</title><content type='html'>Há dias em que os pássaros não cantam&lt;br /&gt;E a casa reflete o monstro que somos&lt;br /&gt;Não é o amor é a morte que grita o tempo inteiro&lt;br /&gt;No meio da sala, ficaste sozinho&lt;br /&gt;Os dias transcorrem sem maiores alegrias&lt;br /&gt;A alegria não existe&lt;br /&gt;Existe o Som&lt;br /&gt;O gozo&lt;br /&gt;A procura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As crianças chupam picolé e não pensam no infinito&lt;br /&gt;Saio&lt;br /&gt;O mar molha meus pés&lt;br /&gt;E a distância tricota outros destinos&lt;br /&gt;Quem afinal nos aguarda no instante seguinte?&lt;br /&gt;Um menino de vinte anos que toca violão?&lt;br /&gt;Uma bailarina de pedra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um navio se aproxima.&lt;br /&gt;Será que guarda histórias de amor e aquelas paixões que enfrentam o mundo?&lt;br /&gt;Não tomaremos cianureto de mãos dadas&lt;br /&gt;O amor nesses tempos cínicos guarda os olhos para outro amor na esquina.&lt;br /&gt;Vou tentar novos museus&lt;br /&gt;Vou tentar um cinema ameno&lt;br /&gt;Embora saiba que a mocinha vai ter sempre seu olhar&lt;br /&gt;Pequenos peixes bailam entre meus pés&lt;br /&gt;E eu penso que devo esquecer teu sorriso&lt;br /&gt;Cavalos marinhos procriam&lt;br /&gt;E eu penso que devo esquecer teu gosto&lt;br /&gt;É difícil levar a paixão adiante sendo um eunuco&lt;br /&gt;Vamos cuidar das mães&lt;br /&gt;Elas estarão conosco até o final&lt;br /&gt;A bebida me faz cada vez mais cruel... e triste&lt;br /&gt;Com o tempo&lt;br /&gt;Não seremos mais que uma fotografia meio amarelada pela areia da praia&lt;br /&gt;No fim é tudo a mesma coisa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-1593810254211125648?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/1593810254211125648/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=1593810254211125648' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/1593810254211125648'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/1593810254211125648'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/08/ha-dias-em-que-os-passaros-nao-cantam.html' title='Há dias em que os pássaros não cantam'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-3469343893094669636</id><published>2009-08-20T23:28:00.002-03:00</published><updated>2009-08-20T23:34:38.925-03:00</updated><title type='text'>YOU MAKE LOVING FUN</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Para a Marcita, quando ela acordar&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossos lábios explodem a escuridão&lt;br /&gt;E se derramam numa cortina de estrelas&lt;br /&gt;antes das crianças acordarem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Te trago&lt;br /&gt;Te sorvo toda com minha boca impura&lt;br /&gt;Te faço do avesso&lt;br /&gt;e&lt;br /&gt;Te machuco&lt;br /&gt;Te desmancho&lt;br /&gt;Te derramo em prantos&lt;br /&gt;No final&lt;br /&gt;Me convulsiono sôfrego&lt;br /&gt;E adormeço como um lagarto cinza&lt;br /&gt;No teu seio&lt;br /&gt;Ou continuo dançando&lt;br /&gt;Como um cisne-menino&lt;br /&gt;Dentro do lago teu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Não sei colocar vídeo no blogue. cliquem então aqui&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://br.youtube.com/watch?v=XoMWa3jRtLo"&gt;http://br.youtube.com/watch?v=XoMWa3jRtLo&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-3469343893094669636?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/3469343893094669636/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=3469343893094669636' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/3469343893094669636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/3469343893094669636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/08/you-make-loving-fun.html' title='YOU MAKE LOVING FUN'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-8594816852214261617</id><published>2009-08-19T14:42:00.000-03:00</published><updated>2009-08-19T14:43:44.554-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela'/><title type='text'>MEU MARFIM QUE SANGRA - 18</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;18.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Lembro-me dos Céus escuros. E das pancadas que as imensas ondas me davam, contudo eu me sentia tão calma! Era como se enfim eu me encontrasse. Era como se enfim eu fosse uma heroína. Alguém muito especial. E o mar me jogava, pra baixo, e pra cima e pros lados. Pula macaco bonito! A força dos meus cílios criava noites imensas. Sem buracos negros ou estrelas. Eu me afogava calmamente. Podia ouvir vozes e sentir as mãos tentando, de longe, me tocar. Mas eu não queria voltar, nunca mais! Não. Era uma criança solta e feliz. E a força dos meus cílios criava noites onde os morcegos tinham arco-íris explodindo nas asas, e as corujas sorriam estrábicas. Meu chapéu não perdia suas luas, ou se soltava dos meus cabelos. E aquela voz divina sempre e sempre clamando e me acalmando. “Você é mulher-maravilha, menina!. Tão criança! Eu vou pintar um céu extremamente lindo pra você! Não se assuste com toda esta escuridão de agora. Tenho um segredo pra te contar... você é uma santa! Por isto precisa sofrer tanto! NÃO SE PREOCUPE! EU SOU O SENHOR!”  E sobe e desce, calmamente, não me afogo porque sou um barco colorido. O mar me mostra seus dedos cheios de afagos. E sobe e desce, a ovelha negra da família não vai mais voltar. Vai sumir!  Prum lado e pro outro, como um barco colorido. Vinho em taça de prata. E os gritos vêm da areia.Talvez não esteja contando direito, talvez eu tenha que contar tudo outra vez. Vou tentar assim: Mais alta que as montanhas da Serra. Entre as nuvens escuras. Mulher-maravilha. Uma Santa! Ufa! É tão difícil alcançar! Não existe medo porque Deus é uma presença concreta como uma rocha, ou um feto. Meu útero vibra, explode, ergue bem alto suas trompas, seus ovários, sua vagina salgada. Víveres em liquidação! Posso provocar um maremoto! Mas não é maremoto que quero criar, quero é gritar toda essa bondade que se arrebenta no meu peito. Eu sou um templo! Jesus o que é isto! E sobe e desce! O oceano te abraça, ele quer fazer amor com você, menina. Mais uma vez, pra baixo e pra cima... pra baixo e pra cima... Mas então a voz do Senhor se distancia. Por favor, não vá embora. Sinto medo. Não quero ficar sozinha! Não atire essa pedra tão pesada em mim, não agora! Sobe e desce, sobe e desce. Fale comigo Senhor. Deixe estas águas  limpar minhas feridas! Por favor Deus,  faça de mim mulher-maravilha de novo! Não se afaste Senhor, leve-me leve com o senhor. Eles vão quebrar tudo dentro de mim de uma vez. Prum lado, pro outro. Não quero separar minhas pálpebras. Ele grita do lado de fora, mas não é mais Deus ou o meu pai, não é mais nada humano ou bom, ele é o mal e arranca demônios das narinas, pequenos demônios, e arranca demônios dos ouvidos, e dos olhos, dos olhos Senhor! Dos olhos! E da boca, e do pênis, e do cu, e de todos os orifícios do seu corpo saem demônios, de todas as cores, uma aquarela inteira de crueldade e ódio. Nunca o mal foi tão claro. Estou nos braços do mal. Desmaiada nos braços do mal. Por que me abandonaste Pai? “Faz respiração boca a boca nela!”  “Onde diabos se meteu o salva-vidas?”  “Saiam de perto, ela precisa de espaço!”  “Não seu idiota, eu não preciso de espaço, eu preciso é continuar sem respirar! Não quero mais voltar”. Na serra, espadas emergem das profundezas do solo. A água escapa do meu corpo. Entra o ar. Que merda!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-8594816852214261617?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/8594816852214261617/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=8594816852214261617' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/8594816852214261617'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/8594816852214261617'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/08/meu-marfim-que-sangra-18.html' title='MEU MARFIM QUE SANGRA - 18'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-7279128012589905266</id><published>2009-08-16T10:49:00.002-03:00</published><updated>2009-08-16T10:55:46.450-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela'/><title type='text'>MEU MARFIM QUE SANGRA - 15 E 16</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;15.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            A palavra é uma fôrma muito pequena para um bolo grande demais. O bolo é o mais importante, mas tudo o que eu consigo mostrar é a fôrma. Melhor é ser como uma banda punk:  Baixo, guitarra, bateria. Simples. A crueza das emoções. A estética do escarro... Neste mundo escroto a única coisa verdadeira é a dor. Levanta as mãos macaco! Pula, cambaleia, prossegue, retorna! Eles pedem bis! Tudo de novo, outra vez. Eles pedem bis! Nunca se cansam do espetáculo! Pula, cambaleia, chora, ri, prossegue, retorna... em volta do pouco que brilha, tudo escurece. A estética do escarro. Quando o ódio se instaura é difícil voltar atrás. Mais uma vez! Pula, agora, cambaleia! E vai tecendo teu longo mosaico de rancores. Pior será se exigirem que se abra a porta  do guarda-roupa, onde  um búfalo funga do outro lado do espelho, pronto pra bater sua cabeça contra a minha. Os bichos existem apenas, não procuram fazer sentido. No meu sonho, havia baratas sobre o sabonete que deveria ensaboar meu corpo. É a vida, é a vida.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;16.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;               Décimo quinto corte. Será que nunca mais poderei sair? Os versos continuam vindo, as narrativas também. Retoco-os como se fossem unhas. Retoco-os sempre.&lt;br /&gt;               Sonho:&lt;br /&gt;               Estou tomando banho. Calma. Num lago ainda mais calmo e de águas cristalinas... cristalinas. Não há preocupações e eu estou nua. Há bananeiras em volta do lago. Estou cantando algo. Entre as bananeiras alguma coisa começa a se mover. Apenas olho. Não me preocupo. A água é limpa. Mergulho no lago. Quando volto à superfície, reparo nas manchas pretas e vermelhas perto da beirada do lago, entre as bananeiras. Fico curiosa. Forçando as vistas consigo distinguir os dois enormes jacarés que agora estão entrando no lago. Negros. Vermelhos. Tento fugir. Nado pra outra margem, mas nunca consigo alcançá-la. Estou presa. Os jacarés se aproximam. São enormes.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-7279128012589905266?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/7279128012589905266/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=7279128012589905266' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/7279128012589905266'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/7279128012589905266'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/08/meu-marfim-que-sangra-15-e-16.html' title='MEU MARFIM QUE SANGRA - 15 E 16'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-1601101247570786896</id><published>2009-08-13T18:41:00.003-03:00</published><updated>2009-08-13T18:47:17.151-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela'/><title type='text'>MEU MARFIM QUE SANGRA - 14</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;14.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto quando a poesia está vindo. São dias em que fico mais sensível. Tudo me toca e eu sinto que minha alma compreende o mundo inteiro. Com a prosa é diferente, é um trabalho mais braçal.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tenho pensado na minha avó. Em todos aqueles dias que nós passamos juntas, apenas ela e eu. Agora tudo aquilo ficou num lugar tão estranho, tão longe, parece que nem existe mais. Havia flores nas janelas. Ainda posso vê-la, a avó, aqui na minha frente. Ainda posso ver cada ruga do seu rosto, e a sujeira acumulando-se aos poucos sob as unhas, e o cheiro forte e bom de peixe. “Mas por que será que essa neném não sorri, gente!” - Ela dizia – “será que esse mundo nunca foi bonito pra você?” e passava as mãozinhas sujas de peixe na minha cabeça. A cada instante parece que fica mais difícil continuar por aqui. Tudo que parecia valer a pena dissolveu-se, derreteu, desapareceu, pra sempre. Nesta estrada de agora, parece não haver um poste de luz sequer. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Meu pai cultivava poderes estranhos. Tem, ainda hoje, uma força que não vem apenas do seu corpo musculoso, vem de dentro da sua alma sem escrúpulos. Não tenho provas concretas para acusá-lo, mas sei que, de algum jeito, ele está envolvido na morte da minha vó. Sei que de alguma forma foi ele quem roubou sua sanidade. Sei disso desde o dia em que fui até àquele quarto, distante da casa, que ficava trancado e ao qual apenas ele tinha acesso. Sei disso desde o dia em que fui até lá, e o quarto era pintado todo de vermelho, e no teto havia o desenho de um animal estranho, meio homem, meio touro, e ele, meu pai, recitava uma prece estranha, numa língua diferente. Desde aquele dia sei que ele está no centro de tudo o que aconteceu depois. Até porque minha avó sabia de tudo, eu mesma havia contado, e ela, a vó, havia dito que iria denunciá-lo. Ele é vingativo. Daí em diante tudo começou a desmoronar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Minha avó era uma mulher muito ativa antes da coisa toda acontecer. Como já foi dito antes, trabalhava na feira. Levantava-se as três e meia da madrugada todos os dias. De terça a domingo. Às vezes, quando eu passava uma das minhas férias escolares em sua casa, ela me levava pro trabalho. Passávamos juntas os dias inteiros. Eu gostava da gritaria da feira. Gostava dos peixes e de suas escamas. A única coisa que se podia chamar assim de... chata... era o cheiro, mas até com isto a gente pode se acostumar. Ela comprava pastel e caldo de cana. Era bom. Eu enchia meu pastel de catchup e mostarda. Fazia uma sujeira danada. Ela não brigava. Em casa, se eu mastigasse fazendo barulho tomava logo um safanão na orelha pra ficar esperta. Vó Lílian era um anjo e se é pra falar bem de alguém que seja dessa velhinha, coitada, que me fazia cafuné com as mãozinhas pequenas sujas de peixe. Eu nem ligava que minha cabeça ficasse fedendo. À tarde, quando as barracas eram desmontadas, juntavam-se uma dúzia de meninos, pegavam tudo que era resto de frutas, legumes, verduras e começavam sua guerrinha. Eu não brincava, mas gostava de ficar olhando. Era engraçado. Quando a gente chegava em casa, quase de noite, ela pedia logo uma pizza pra gente comer. Eu comia bastante. Enchia a pança e depois dormia sem tomar banho, nem escovar os dentes, nem nada. Era uma maravilha. Esse defeito é preciso mesmo reconhecer que ela tinha: não se importava muito com a higiene. Eu gostava.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um dia, logo depois das férias que eu tinha passado lá e depois de eu ter falado a respeito das coisas que aconteciam lá em casa pra ela, uma coisa ruim aconteceu. Ela, que já não era muito limpa, deixou de tomar banho de vez. O cheiro foi ficando insuportável. Os espíritos fizeram sua parte. Ela acordava à noite gritando. Atordoada. Quase não dormia mais. Mostrava a vagina. Colocava o dedo dentro na frente de todo mundo. Um dia enfiou um peixe inteiro ali dentro. Meu avô que estava morto havia mais de dez anos voltou para aterrorizá-la o tempo inteiro. Então um dia eles a levaram de vez. Prenderam-na. Um bocado de tempo depois eu fui visitá-la. Ela estava limpa coitada! Metida numa roupa branquinha, branquinha. Falava mole. Mal me reconheceu...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Morreu um tempo depois. No funeral meu pai quase sorria. Minha mãe não chorava, Nunca vi mulher mais sem graça que aquela. Uns feirantes que eram amigos dela, da vó, sim, choravam. Fizeram questão de segurar as alças do caixão. Estavam bêbados. Na briga pra ver quem é que iria carregar a coisa, o caixão acabou caindo. A tampa abriu. Jogaram o corpo pra dentro de novo, às pressas. Começou a chover forte. O padre mal teve tempo de fazer as orações. Jogaram o caixão logo dentro da cova e saíram todos correndo pra se abrigar da chuva. Ela ficou sozinha lá no meio da tempestade... sem ter pra onde correr... a cova aberta... depois voltaram todos... jogaram aquele barro cremoso, estranho, sobre ela... pra sempre...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-1601101247570786896?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/1601101247570786896/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=1601101247570786896' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/1601101247570786896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/1601101247570786896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/08/meu-marfim-que-sangra-14.html' title='MEU MARFIM QUE SANGRA - 14'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-5671486787192382849</id><published>2009-08-03T17:58:00.002-03:00</published><updated>2009-08-04T10:10:54.322-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela'/><title type='text'>MEU MARFIM QUE SANGRA - 13</title><content type='html'>13.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando as férias chegaram, eu estava mesmo precisando de umas férias. Tinha completado sete anos. Pedi aos meus pais pra visitar minha avó por parte de mãe, a avó paterna tinha morrido fazia tempo, antes de eu nascer. A princípio ele não concordou, odiava a sogra. A avó tinha uma banca de peixe. Ele gostava do peixe, mas odiava a vó. Trabalhava na feira. Em Marília. Ele a chamava de porca. Achava-me parecida com ela, eu só podia ter puxado aquele lado ruim e sujo da família.&lt;br /&gt;Minha mãe era a favor de eu passar uns dias na casa da avó. Adorava-me a vó. A mãe trabalhou bastante na campanha pró-férias em Marília. Há que se reconhecer que o trabalho dela não foi nada fácil. Ele não queria me ver longe. No final, entretanto, ela acabou conseguindo convencê-lo.&lt;br /&gt;Quando se está predisposto, em tudo quanto é lugar se encontra poesia. Entramos no ônibus e pegamos a estrada. Sempre achei as estradas misteriosas. Há lirismo no asfalto quente. Nos formigueiros no meio do mato. No gado pastando. Nos postos velhos de gasolina abandonados. No canavial. No cafezal. Em todos os cheiros misturados. Estava contente. Estava indo pra longe de casa. Minha mãe, no banco ao lado, dormia com a boca aberta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-5671486787192382849?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/5671486787192382849/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=5671486787192382849' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/5671486787192382849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/5671486787192382849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/08/meu-marfim-que-sangra-13.html' title='MEU MARFIM QUE SANGRA - 13'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-4779943056411321547</id><published>2009-08-03T17:58:00.001-03:00</published><updated>2009-08-03T17:58:55.278-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela'/><title type='text'>MEU MARFIM QUE SANGRA - 12</title><content type='html'>12.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Jesus em Getsêmani: Minha alma está profundamente triste até a morte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-4779943056411321547?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/4779943056411321547/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=4779943056411321547' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/4779943056411321547'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/4779943056411321547'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/08/meu-marfim-que-sangra-12.html' title='MEU MARFIM QUE SANGRA - 12'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-8344244715750251232</id><published>2009-07-30T18:04:00.001-03:00</published><updated>2009-08-13T19:12:50.288-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela'/><title type='text'>MEU MARFIM QUE SANGRA - 11</title><content type='html'>11.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje fiz o décimo quarto corte. Tiraram o aparelho de som aqui do quarto. Primeiro foi computador depois a televisão e por último o som. Agora também não posso ouvir música. As coisas ficaram mais difíceis. Era bom de noite. Quando todos estavam dormindo. Eu colocava alguma coisa da Rita, dos Beatles, ou do Floyd, acendia um cigarro e ficava olhando as luzes dos caminhões subindo bem devagar a Raposo Tavares rumo a Paraguaçu Paulista, Presidente Prudente, Presidente Venceslau, cada caminhão uma cabine, cada cabine um caminhoneiro, cada caminhoneiro um mistério... atrás havia a sombra escura do canavial. Era bom ficar pensando. Escrevendo. Pintando. Agora levaram o som. Todavia ainda restam a rodovia, o canavial, os meus próprios pensamentos.&lt;br /&gt;Sou um macaco olhando as estrelas. Só isto: um macaco olhando as estrelas.&lt;br /&gt;Eu queria poder dizer algo sobre estas estrelas, escrever cru como a dor, mas a coisa toda fica presa um pouco antes de se transformar em palavras, em cores, em sons. É triste constatar, mas não há arte em mim. Estou a um passo da arte, mas não consigo alcançá-la. Sinto-me como um cego num quarto lavado de sol. É um milagre. Um macaco olhando as estrelas, tentando em vão tocá-las. De que adianta tanta juventude? Pôr fogo em tudo, inclusive em mim. Mas, enquanto não vem a coragem para o fogo, usar apenas a gillete: pra cortar os braços, as sobrancelhas, os cabelos rente à cabeça, deixar à mostra todo o couro cabeludo. Que confusão! A gente na vida só tem uma vida e olha só aonde a minha vida veio parar... Só rindo! Que confusão! Sofrimento puro. Sem arte, sem nada. Sofrer até pelo silêncio. Eu não sou Elis Regina!&lt;br /&gt;A roupa dos forçados tem listras rosas e brancas. Uma frase comum. Construída com palavras comuns. Juntando-se mais algumas tem-se um romance. Entretanto um romance já não é uma coisa comum. Qual será a magia?&lt;br /&gt;Olho novamente pros lados do canavial e imagino que lá há montanhas e que em cima das montanhas mora um gigante, e que o gigante gosta de fumar cachimbo, e que o cachimbo dele, do gigante, é enorme e faz esta fumaça que invade todas as noites à cidade inteira e aquele vermelho no horizonte que parece o fogo no canavial é, na verdade, o fumo queimando dentro do seu cachimbo, e no meio da fumaça do cachimbo do gigante, bailam uns casais de gambás, cantam umas cigarras e guitarras, abraçam-se e perpetuam suas histórias os fantasmas, no meio da fumaça sangram motocicletas e chicletes, e os elefantes dançam ao som de Verdi, no meio da fumaça minha avó sorri entre escamas de peixe, no meio da fumaça a dor está morta. Conta comigo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-8344244715750251232?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/8344244715750251232/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=8344244715750251232' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/8344244715750251232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/8344244715750251232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/07/meu-marfim-que-sangra-11.html' title='MEU MARFIM QUE SANGRA - 11'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-5328894062211506163</id><published>2009-07-25T22:43:00.000-03:00</published><updated>2009-07-25T22:45:27.914-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela'/><title type='text'>MEU MARFIM QUE SANGRA - 7 AO 10</title><content type='html'>7.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Estava pintando quando meu pai chegou. Gostava de inventar rostos de pessoas, pintá-los, dar um nome, um drama, uma história pra eles. Não o vi, ele estava às minhas costas, mas senti a música do seu cinto cortando o ar... vrrrrrrrrruuuuuuummmmm. Pá. AAAAAAIIIIIIIIIIIIIII.  Com ele era  assim. Primeiro a surra depois as perguntas e as explicações.... vrrrrrrrruuuuuuuuuuuummmmmmmmmmm. Pá. De novo eram as notas, eu sabia. Tinha dado fim às provas, mas  não sei de que jeito ele acabou encontrando. Eu ia acabar matando-o, ele dizia, eu só dava mesmo era desgosto. Só rindo. A culpa é sua Ana, gritava. Nós merecemos isto, foi você Ana, foi você sua vaca, que deixou essa menina desse jeito, sempre protegendo, protegendo, protegendo. Suava, gritava, passava a mão com força pela cabeça, arrancava os cabelos. Vrrrrrrrrrummmmmmmmmmm. Pá. Eu não agüento mais, dou duro o dia inteiro, atendo aquele bando de morféticos: tuberculose, gripe, gonorréia, pinga daqui pinga de lá, sífilis, chato, aids, sarampo, o diabo! E o que é que eu ganho? Pra que tudo isto? Não há quem agüente. Vrrrrrrrrrummmmmmmmmm. Pá. E essa menina? Você pensa que ela está arrependida, Ana? Pensa que ela está?  Olha a cara dela, não derrama uma lágrima sequer, é ruim como o diabo, puxou aquela sua família, sua mãe, aquela velha suja.  Eu mereço! Eu mereço! Eu mereço! Vrrrrruuuuuuummmmmmmm. Pá. Será que você não entende menina, será que não percebe que desse jeito você não vai a lugar algum? Pra que tanta teimosia?”  “Não, ela não vai tomar jeito nunca.” Diz minha mãe e virando-se pra mim:  fala menina o que é que você quer? Você quer mesmo é matar a gente de desgosto? É isto que você quer? Mas o que  é isto? Está toda mijada esta porca! Ele grita voltando da cozinha com o copo cheio de café. Fico com vontade de pedir um pouquinho de café, mas ele, num acesso de raiva, espatifa o copo contra a parede.&lt;br /&gt;-         Calma Antonio! Ela grita.&lt;br /&gt;-         Calma porra nenhuma, eu não agüento mais vocês. Tenha santa paciência. Eu não mereço isto. Eu devo ter jogado pedra na cruz.&lt;br /&gt;Ela começa a chorar. Bem feito mesmo!&lt;br /&gt;Ele pega o cinto e começa a colocá-lo na calça. Irrita-se de novo. Tira o cinto e me dá mais umas três cintadas nas costas que é pra eu aprender a lição. Aí põe de vez o cinto na calça e sai pra rua. Antes de sair  ainda me manda ir logo pro banheiro e lavar bem as orelhas, os pés, o pescoço.&lt;br /&gt;            No banheiro é que eu consigo chorar um pouco, baixo, sozinha, em frente ao espelho.&lt;br /&gt;            Quando saio, a outra está com o terço na mão, ajoelhada, rezando por seu Antonio querido.Tão esforçado! Tão sofredor! Eu também rezo pelo meu pai, todas as noites, faço pactos e mais pactos com  Deus pra que ele não consiga acordar nunca mais. Mas ele sempre acorda.&lt;br /&gt;            Na cama. Dentro da minha cabeça a música começa linda, um piano calmo que sobe e desce precipícios. Antes de adormecer totalmente vejo se aproximar um tigre e se sentar perto da minha cama. Em seguida, ao longe, já não mais no meu quarto, mas numa imensa savana, vêm correndo um bando de leões. Eu sorrio, estou em cima do maior e mais veloz deles. Boa noite mamãe. Boa noite papai. Boa noite. Sonhem com os anjos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Depois das pancadas era a hora dos carinhos.  Eu não sabia o que era pior. Sempre a mesma história. Inventava um jeito de fazer a mulher sair, comprar alguma coisa diferente pro jantar. Começava com os exercícios e aí me chamava. Pra buscar um suco. É que ele estava muito quente, dos exercícios, sabe. Eu pegava o suco e levava pra ele. Aí ele queria conversar. Crescia o cheiro de mofo entre os azulejos da casa. Você sabe que o papai te ama, não sabe, que só quer o seu bem... Sempre a mesma cantilena. Com o tempo, esse blá, blá, blá acabava me fazendo mais mal que a coisa em si. Papai te ama! Papai te ama! Papai te ama uma ova! Eu preferia que ele tirasse a coisa logo de uma vez, sem falar demais. Mas aquilo devia ser uma briga dele lá com a consciência dele. Aquele era o seu jeito de me dar amor. Pra cima e pra baixo. UHUHU....UHUHUHU....UHUHUHU... com as duas mãos... UHUHUHU...UHUHUHU.... pra cima e pra baixo... UUHUHUH...HUHUHUUHUH... pra cima e pra baixo ... mais rápido. Aaiii... Aiiii... Aaiiii... Slopfit... Aí soltava aquilo em cima de mim e me mandava tomar banho. Direito!&lt;br /&gt;            Quando minha mãe chegava, toda contente porque tinha encontrado os filés de frango mais perfeitos, ou o peixe mais fresco, ia direto pra cozinha preparar o jantar do seu marido. Não havia como conversar com ela. O jeito era suportar tudo sozinha e calada.&lt;br /&gt;            Uma coisa  é preciso dizer: eu também não era boba, mas de que adiantava? O que é que eu podia fazer? Nada, ou quase nada. Só que um dia resolvi não descer. Ele ficou lá embaixo me chamando. Bufava. Desça aqui agora! Não e não e não. Desça! Eu não iria descer mesmo. Ele podia espancar, esfolar, matar, vomitar que eu não iria descer. Fiquei só esperando o momento em que ele iria aparecer na porta, não sentia medo, eu esperava apenas. Mas ele não apareceu. Nem sinal. Continuei ouvindo a música que vinha da sala de musculação até a hora em que minha mãe chegou. Contudo ainda não me sentia segura. Sabia que na primeira oportunidade ele se vingaria. Certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Este é o décimo terceiro dia que estou trancada no quarto. Sei disso por causa dos pequenos cortes que faço com a gilete no braço. Faço um corte por dia. Hoje fiz o décimo terceiro.  A única pessoa que eu vejo é a Francisca, a empregada. Ela também não conversa comigo, mas pelo menos traz a comida e uns dois ou três cigarros. É boa gente. Arrisca-se. Por minha causa. É uma pena que um dia ela também desaparecerá. Tudo desaparece.Tenho saudades dos meninos e meninas que brincavam comigo na pré-escola. Permaneceram apenas nas fotos, com seus conguinhas vermelhos e as camisetas brancas. Foram todos embora e eu fiquei sozinha neste quarto. Ground control to major Tom… Sobreviver não é fácil! Queria segurar pelo menos a Francisca pelo braço e prendê-la, pra que ela nunca pudesse fugir, sumir, desaparecer.  Mas ela também vai desaparecer, vai  se esquecer de tudo, pra sempre,  é pra sofrer menos, cada um se defende como pode. Ground control to major Tom. Eu escrevo. Foi o que sobrou, já que até hoje ainda não consegui aprender a tocar um instrumento sequer. Mal sei assobiar. Então escrevo. Não me dá prazer, mas eu escrevo, feito uma escrava. É uma obrigação. Agora por exemplo estou lutando com um conto sobre uma mulher  velha, viciada, que vive numa casa também velha e destruída  com um monte de ratos. Gosto da mulher. Ela gosta dos ratos.&lt;br /&gt;Nunca acho bom o que escrevo. Às vezes tenho esperança, enquanto estou escrevendo, mas, quando termino, tudo desmorona. Tudo que eu queria era ser uma pessoa diferente pra poder dizer coisas belas. Uma pessoa com menos coisas estranhas na cabeça, com menos coisas quebradas por dentro, com um pouco mais de fé e de esperança, mas não há mais em mim fé ou esperança. Tudo o que existe é uma conformação, uma conformação triste e a possibilidade  de, de vez em quando,  escapar da carne, de ficar longe da minha boca, dos meus olhos, das tripas. Há momentos em que me transformo em rosa vermelha, em outros sou serpente. And the papers want to know whose shirts you wear.  Um sonho, aprender tocar bateria, foi.......&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            A oportunidade dele surgiu numa sexta-feira. Foi no dia em que eu tinha dito as coisas            à professora. Minha mãe não perdeu tempo. Só esperou ele tomar seu primeiro banho de duas horas e depois foi bater com a língua nos dentes. Era o que ele esperava. Sim. Eu já estava toda dolorida da surra que ela havia me dado, mas o que viria a seguir eu não podia sequer imaginar. Naquele dia ele não usou a sala de ginástica, sua sala  de ginástica foi minhas costas. Aquela surra poderia ter entrado pro guinness como A maior surra de todos os tempos. Uma surra memorável. Tentei segurar o choro, mas não consegui. No começo até que não chorei, mas depois, à medida que ele batia e eu não chorava, as pancadas vinham com mais e mais força, era uma violência sem limites, até minha mãe ficou assustada, só que não disse nada, não era boba, podia sobrar pra ela também. Ele suava, urrava, parecia um bicho. Eu achei que iria morrer. Mas não morri. Fiquei vinte dias sem aparecer na escola. Estávamos esperando as marcas desaparecerem.&lt;br /&gt;-         E bico fechado! Ou está achando que essa surra foi pouco? Se este assunto sair aqui de casa, a senhorita vai achar que esta surra foi pequena se comparada com a próxima que eu vou te dar.&lt;br /&gt;            Eu podia até ser um bocado rebelde, mas não era doida. Fiquei em silêncio.Tanta pancada até que teve um lado que não foi de todo ruim: fiquei resistente à dor, não me assusto mais com ela. Não mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-5328894062211506163?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/5328894062211506163/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=5328894062211506163' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/5328894062211506163'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/5328894062211506163'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/07/meu-marfim-que-sangra-7-ao-10.html' title='MEU MARFIM QUE SANGRA - 7 AO 10'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-9007880279509763792</id><published>2009-07-23T14:40:00.000-03:00</published><updated>2009-07-23T14:41:23.116-03:00</updated><title type='text'>A CASA DOS AFETOS EM RUÍNAS</title><content type='html'>Escurece&lt;br /&gt;Pelas paredes os fantasmas se dissipam feito fumaça de cigarro&lt;br /&gt;Sinto que por trás das coisas existe algo&lt;br /&gt;Como o sonho de um sonho inalcançável&lt;br /&gt;E eu me perco de você!&lt;br /&gt;Cortam os anos o coração de um cavalo&lt;br /&gt;Dor dor dor dor dor dor dor dor&lt;br /&gt;Gritam seus cascos ao cortar o chão&lt;br /&gt;A morte estende o pijama no coradouro&lt;br /&gt;E você nem me vê&lt;br /&gt;As crianças cantam e atestam que nada vai mudar&lt;br /&gt;O amor é lepra e faz feridas&lt;br /&gt;Pra que tudo isto?&lt;br /&gt;Na noite de outro século&lt;br /&gt;Meus antepassados construíram essa casa&lt;br /&gt;Restam agora as ruínas&lt;br /&gt;E os demônios nos rejuntes dos azulejos&lt;br /&gt;Onde ainda há azulejos&lt;br /&gt;Que cantam canções deste outro lado que existe e eu não entendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pessoas como você  encaram os dias e os fatos&lt;br /&gt;É preciso fabricar um novo vinho&lt;br /&gt;E suportar a mudança das modas&lt;br /&gt;A mudança das ruas&lt;br /&gt;A mudança da casa destruída&lt;br /&gt;Um câncer sobe as escadas até o cérebro&lt;br /&gt;O que foi feito de todos os mortos?&lt;br /&gt;O que foi feito de todos aqueles chapéus que adornavam as cabeças e os pensamentos nos anos vinte?&lt;br /&gt;Lisboa no meu som&lt;br /&gt;Sempre a mesma ladainha na guitarra de DEUS.&lt;br /&gt;E eu tenho pena de DEUS e de sua solidão&lt;br /&gt;Por isso entendo seu rancor e sua crueldade&lt;br /&gt;DEUS nunca dormiu no seio de uma mulher&lt;br /&gt;No lugar de flores macias recebemos plantas carnívoras&lt;br /&gt;A casa será demolida&lt;br /&gt;Grãos de areia refletem a luz da lua&lt;br /&gt;DEUS é a aventura&lt;br /&gt;Tudo é o mesmo sempre&lt;br /&gt;Viver é arrancar sangue-sugas do pau.&lt;br /&gt;O mar é tão profundo!&lt;br /&gt;E eu me perco de você.&lt;br /&gt;Eu me perco sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-9007880279509763792?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/9007880279509763792/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=9007880279509763792' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/9007880279509763792'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/9007880279509763792'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/07/casa-dos-afetos-em-ruinas.html' title='A CASA DOS AFETOS EM RUÍNAS'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-4962054017579577285</id><published>2009-07-21T17:35:00.009-03:00</published><updated>2009-07-22T20:06:14.115-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dando um tempo no marfim'/><title type='text'>GO</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(ALGUÉM AÍ SE SENTE COMO EU?)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você é livre pra viajar&lt;br /&gt;Você é livre pra curtir a noite e os bares&lt;br /&gt;Você é livre pra beijar e pra foder&lt;br /&gt;Afinal de contas a boceta é mesmo sua&lt;br /&gt;Você é livre pra aprender inglês ou esperanto&lt;br /&gt;Você é livre pra escrever talvez com s&lt;br /&gt;E esquecer os pequenos detalhes e ritos que constroem um amor e uma história&lt;br /&gt;Você só não é livre pra levar na carteira todo amor que havia nos meus olhos&lt;br /&gt;Não é livre pra fazer (como já fez) piada do meu desespero&lt;br /&gt;Não é livre pra sonhar sozinha ou acompanhada os sonhos que sonhamos juntos:&lt;br /&gt;O filho de pé no quintal&lt;br /&gt;Os quadros na parede da sala&lt;br /&gt;O padre e suas bençãos feito o cobertor de um amor normal&lt;br /&gt;Assim como o amor dos teus pais&lt;br /&gt;Assim como o amor dos meus pais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica de tudo a enchente desse teu vestido vermelho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto eu,&lt;br /&gt;do meu lado,&lt;br /&gt;recolho a matéria clara que restou do teu gozo&lt;br /&gt;E fabrico lãminas que decapitam&lt;br /&gt;E as cordas negras que engravatam os suicidas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre nosso futuro ergue-se um muro maravilhoso...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-4962054017579577285?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/4962054017579577285/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=4962054017579577285' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/4962054017579577285'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/4962054017579577285'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/07/go.html' title='GO'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' 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href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/371297369418703058/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=371297369418703058' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/371297369418703058'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/371297369418703058'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/07/alquimia-e-o-boi.html' title='A ALQUIMIA E O  BOI'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' 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Tenho escrito muito. Contos. Poemas. Piadas. Também posso desenhar e a empregada não deixa faltar cigarros.  Ordem e progresso. Se meu pai descobre... coitada dela. Não é de todo mal ficar. Não implorarei pra poder sair. Não. Posso suportar. Metal pesado. Chove e eu gosto da chuva.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-7525207168592550797?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/7525207168592550797/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=7525207168592550797' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/7525207168592550797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/7525207168592550797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/07/meu-marfim-que-sangra-6.html' title='MEU MARFIM QUE SANGRA - 6'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-7195946430007043441</id><published>2009-07-13T10:58:00.001-03:00</published><updated>2009-07-13T11:00:00.255-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela'/><title type='text'>MEU MARFIM QUE SANGRA - 5</title><content type='html'>5.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AÍ... CAÍ.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A criança se foi&lt;br /&gt;Com ela foram os sonhos&lt;br /&gt;Hoje tudo dói.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-7195946430007043441?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/7195946430007043441/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=7195946430007043441' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/7195946430007043441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/7195946430007043441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/07/meu-marfim-que-sangra-5.html' title='MEU MARFIM QUE SANGRA - 5'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-9155958902774196342</id><published>2009-07-10T18:17:00.000-03:00</published><updated>2009-07-10T18:19:58.619-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela'/><title type='text'>MEU MARFIM QUE SANGRA - 4</title><content type='html'>4.        &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E difícil entender. Quando chegava em casa, a primeira coisa que ele fazia era passar o dedo sobre a madeira que unia as pernas de uma das cadeiras da sala de jantar, a cadeira na qual ele gostava de se sentar pra  jantar. Se o dedo voltasse sujo, a expressão de seu rosto já mudava. Nasciam umas rugas entre as sobrancelhas, no canto dos olhos e havia algumas que cresciam  do nariz até a boca. Olhava pra minha mãe. Não dizia nada. Minha mãe tentava se esconder, mas não havia pra onde ela fugir. Tinha que ficar lá esperando, se roendo, aguardando.  Bem feito pra ela também, pra ela deixar de ser besta! Gostava que tudo na casa fosse branquinho... branquinho...  Os móveis, os lençóis, as toalhas de banho, as toalhas de mesa, tudo, tudo, branco, branco. Primeiro tomava um banho... de duas horas... usava um sabonete por banho e ainda usa um sabonete por banho. Aí, quando saía do banho, ia fazer alongamento. Minha mãe continuava se escondendo dele. Coitada, ela tentava fugir, mas estava presa, feito um ramster. Só depois do alongamento é que ele voltava. Ia pra cozinha onde ela preparava o jantar. “Tem alguma coisa errada, Ana?” Perguntava. “Não, por que?” ela respondia. “Querida, você vê, você sabe o quanto eu trabalho. Dou um duro danado naquele consultório, naquele hospital. Suporto todos aqueles clientes. Faço de tudo, me viro e me reviro pra dar do bom e do melhor pra vocês. E o que é que eu ganho em troca? Desprezo! Relaxo! Sujeira! Assim eu não agüento, não é esta a família que eu sonhei pra mim. Não mesmo! O que é que você faz o dia inteiro? Por que é que não fiscaliza essa porra dessa empregada pra que ela limpe a casa direito, ou não limpa você mesma? Será que amanhã eu vou ter que ir pro consultório mais tarde pra falar eu mesmo com a empregada? Hein Ana? Será que vou ter que me atrasar com as consultas? Responde, porra!” “Não querido, pode deixar que amanhã eu falo com ela, desculpe.”&lt;br /&gt;            Depois dessa bronca, ele ia pra sala de musculação. Gostava de exercícios físicos. Chegava a fazer o tal do supino com cinqüenta quilos de cada lado. Depois dos exercícios, tomava outro banho de duas horas. Só depois do banho é que a minha mãe podia servir o jantar. Não comíamos muita carne vermelha. Comíamos sim peixe, ou frango, quase todos os dias. Grelhado. Eu gostava de carne vermelha, mas não podia comer, andava muito gorda, minha mãe também, não sei como conseguíamos engordar comendo aquelas coisas. Ele desmanchava todo o peixe, se encontrasse um espinho! Coitada da minha mãe! Era ela quem pagava o pato.&lt;br /&gt;            Um dia ele chegou mais cedo, era difícil mudar qualquer coisa em sua rotina, mas naquele dia mudou. Queria comer picanha. Grelhada. Mandou que minha mãe fosse comprar.  Queria bifes com um centímetro de gordura. Nem mais, nem menos. Senti uma coisa ruim por dentro, não sei bem explicar, mas era como se eu pressentisse que algo terrível estivesse pra acontecer. Garoava. O tempo tinha um cheiro estranho, de mofo. A empregada já tinha ido embora. Estávamos só nós dois na casa. O mofo aumentava, crescia entre os azulejos. Quando os espíritos ruins vêm, sempre trazem esse cheiro.  Fui pro meu quarto. Estava tentando me esconder. Eu vivia e vivo tentando me esconder nesta casa. Ouvia o barulho que vinha da sala de musculação. Barulho de ferros batendo, uma música estranha se misturando ao som da respiração forte, como que de animal.  De repente a música parou. Ouvi chamarem meu nome. Coloquei o travesseiro sobre a cabeça, queria me esconder embaixo dele, do travesseiro. Chamaram novamente meu nome. Havia mais energia na voz. Não, não e não. Eu não queria sair dali. “ L. desce já aqui, agora, vamos!”. Gritou. Desci devagar as escadas. Parecia haver menos degraus nela, na escada. Cheguei à porta da sala de ginástica... ele fazia um exercício... as veias do seu rosto, dos seus músculos, estavam enormes, parecia que iam explodir, as veias... o suor encharcava tudo... ele fungava... como um porco... terminou  o exercício.  “Pega um pouco de suco na geladeira pra mim, estou muito quente”. Disse. Fui até a geladeira... não sabia bem porque, mas sentia vontade de chorar... apanhei o  suco... era de morango... ele esperava sentado na mesa de supino. Entreguei o copo a ele. “Vem aqui, senta um pouquinho  aqui perto do pai, vamos conversar”. Fui. Sentei ao lado dele. Abriu a boca: “Por que é que você tem medo do pai, filha? O pai só quer seu bem e se às vezes ele ralha com você é pro seu próprio bem, você sabe, não sabe?” Eu não sabia, mas respondi que sabia. Ele me abraçou. Estava sem jeito. Eu sentia nojo da respiração, dele, do suor.  Fedia. “Você sabe que papai te ama filha, não sabe?”. Colocou-me no colo. Beijou meu rosto. Senti seu bafo quente. Sua saliva. Meu estômago começou a doer.        Ele pôs a mão na minha cintura. Apertou minhas dobras. Disse que ia me mostrar uma coisa, que já estava na hora de eu saber, mas que não devia fazer com mais ninguém e nem  devia contar pra ninguém, seria nosso segredo, disse e sorriu. Aí abaixou o short e me mostrou aquela coisa enorme. Mandou que eu pegasse. Meu estômago doía. O suor escorria pelo rosto dele. Minha mão não conseguiu fechar. Mandou que eu segurasse com as duas mãos e chacoalhasse. É fácil, dizia, pra cima e pra baixo, pra cima e pra baixo, pra cima e pra baixo. Gemia, suava, como um porco. Pra cima e pra baixo, pra cima e pra baixo, mais rápido, mais rápido, pra cima e pra baixo. As veias explodindo no rosto, nos músculos, entre minhas mãos. Não demorou muito, soltou aquela coisa gosmenta, quente, na minha mão, nos braços, no pescoço. Assim que terminou, fechou a cara na hora, que mudança! Mandou-me tomar banho. Direito. Rápido. Não sentia mais vontade de chorar, apenas me doía o estômago. Uma sensação estranha, como se tivesse sido roubada. Naquela época, quando alguém me perguntava a idade, eu gostava de mostrar com as mãos,  os cinco dedos de uma e mais um dedo da outra... Ralhavam comigo... Eu não era mais uma criancinha... Os anos contavam seis de mim... Este será nosso segredo. Sim. Gastei um sabonete inteiro no banho. Nem assim me sentia limpa, mas a sujeira não estava nos pés, ou no pescoço, ou atrás  das orelhas. Não.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-9155958902774196342?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/9155958902774196342/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=9155958902774196342' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/9155958902774196342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/9155958902774196342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/07/meu-marfim-que-sangra-4.html' title='MEU MARFIM QUE SANGRA - 4'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-2184392650653824612</id><published>2009-07-03T11:23:00.001-03:00</published><updated>2009-07-03T11:24:21.961-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela'/><title type='text'>MEU MARFIM QUE SANGRA - 3</title><content type='html'>2.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina entrou no bosque escuro e...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... nunca mais saiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente a gente abre os olhos, as narinas, os ouvidos, os sentidos, enfim, e está no meio da merda, no cerne dela, da merda, como aliás sempre esteve. Eu poderia ficar aqui agora tentando enxergar o lado bom das coisas, como sempre fazem os mais otimistas. Mas estou cheia. Não quero mais brincar. Não tenho mais paciência pra ficar vendo flores no meio desta porcaria toda.&lt;br /&gt;Às vezes sinto como se estes braços, estas pernas, estes olhos não fizessem parte de mim. Vou ao espelho e presto bem atenção em mim e me toco pra ter certeza de que me sou. Mas nem assim consigo ter certeza de que estou dentro dessa carne toda. É como se uma parte, pequena, de mim estivesse dentro do meu corpo e a outra parte, a grande, estivesse distante, longe, olhando essa parte que se observa em frente ao espelho. Levanto os braços, fecho as pálpebras, dou pequenos saltos, danço e nem assim chego a ter certeza de que me sou inteira. Sou quase uma desconhecida de mim mesma. Puxa vida! Pelo menos posso abrir a torneira a qualquer momento e pôr os braços, a cabeça embaixo da água corrente. Não resolve, mas alivia um pouco. Meu espírito esperneia, se é que o espírito tem pernas, por só poder ser através dessa carne suja, imunda.&lt;br /&gt;No começo havia o som de piano e aquela voz grave que me dizia coisas e eu era criança. 2002? 2001? 2000? Não antes, muito antes disso. 1999? 1998? 1997? Ainda não, caranguejos marcham pra trás na areia da praia: um exército. 1996? 1995? 1994? Sim, agora, sim, acho que a primeira vez que a voz veio acompanhar o piano foi em 1994. Foi impossível ficar calada. Sim. Estou sentada num banco de concreto no meio do pátio da escola. É um dia frio, cinza. Sinto medo. Estou sozinha, todas as outras crianças já foram embora, estão em suas casas brincando de boneca, de casinha, nunca gostei de brincar de casinha, estão jogando bola, bolinha de gude, soltando pipa. Será que é tempo de pipa? E eu ainda estou aqui. É por causa da música na minha cabeça. Sim. Disse coisas horríveis à professora. Mas foi a voz, a música que me fez gritar as coisas. Sim. Além do mais eu a vi, de noite, dentro do meu sonho, a professora, ela mesma, num carro vermelho, fazendo coisas com um cara de bigodes pretos. Mas não foi de noite que a música veio e insistiu pra que eu dissesse as coisas que tinha visto. Foi agora, há pouco, que ela, a música, veio. E ela, a professora não a música, nunca gostou de mim. Tem nojo de mim, me acha parecida com uma lesma, quando a gente joga sal em cima. É por causa dessa minha pele amarela, branca, transparente: transparente, mas suja. É por causa dessa gordura gosmenta que se junta embaixo da minha pele amarela. Suja. A professora é tão bonita!Tão mulher! Posso vê-la agora, enquanto escrevo. É tão bonita! Mas em 1994, durante a aula, os sons na minha orelha, dentro da minha cabeça, me azucrinam. Música imperativa. Gritei no meio da sala de aula as coisas que a professora andava fazendo, no meu sonho, com o cara de bigodes, dentro do carro vermelho. Agora estou esperando minha mãe sair. Ela está lá dentro. Sim. Na sala da diretora, junto com a professora. Estão me fritando. Minha mãe é brava e branca. Ela também parece uma lesma. E no queixo dela tem uns fiapos grossos de barba que ela vive arrancando com a pinça de noite, mas que sempre voltam. Acho que vou apanhar. Sim. Uma bela surra. Quando ela sair lá de dentro vai me dar logo um baita de um beliscão no braço e dizer: “quando a gente chegar lá em casa você vai ver”. E aí, quando a gente chegar em casa, ela irá até o pé de manga que nunca deu uma manga sequer, só serve mesmo é pra fornecer os cipós com os quais ela me bate. Quando eu crescer vou arranjar um machado e arrancar esse pé de manga, bem perto da raiz e no toco que sobrar ainda vou colocar fogo. Sim. Mas por enquanto o pé de manga vai estar lá. Ela vai arrancar o cipó e me mandar ir tomar banho. Depois, quando eu estiver pelada no banheiro, ela vai bater na porta, mandando que eu a abra. “Espera um pouco mãe que eu tou pelada”. “Abre já está porta”. “Mas mãe é só um minuto”. “ AGORA!” Então eu abro a porta. Mal tenho tempo de destravar o trinco. Ela mete o pé com tudo na porta. Levanta o cipó e... vrrrrrrrruuuuuummm... Eu vou acabar deixando-a doente de tanto desgosto... Eu não valho mesmo nada... O que é que ela fez pra eu magoá-la tanto... vrrrrrrrrrruuuuuuummmmm... ela não sabe! Vvvvvvvvvrrrrrrrrrrrrrrrrruuuuuuuuummmmm... onde o cipó bate, logo cresce um vergão negro, feito uma lagarta... Ninguém merece uma filha assim... A filha de fulana é tão boa! A de cicrana então é ainda melhor! Só eu é que não presto. Eu, essa massa de carne flácida e branca. Pareço uma porca. Só sei fungar. Comer de boca aberta. Sim. Minha carne é flácida. Sou uma porca. Uma porca imensa. Sim. Pareço um verme gigante. Uma lesma. Uma coisa medonha! O que ela fez pra ter uma filha que nem eu, Jesus!?! Logo ela, uma serva tão fiel! No final, quando o couro tiver acabado, ela vai me mandar tomar um banho e ver se lavo bem os pés e as orelhas, eu, a porca. Sim. Vai acender um cigarro. Deve ter gozado a filha da puta. Está esgotada, cansada, fuma devagar, sorvendo bem a fumaça. As estátuas dos santos pela casa estão cobertas com panos roxos. Abro o chuveiro. “Isto é só o começo, quando o seu pai chegar é que você vai ver o que é bom”. Diz. Aí eu passo o resto do dia pensando na outra surra. O bom é que nessas horas a música na minha cabeça é bem calma. Ajuda a suportar um pouco. A tardinha chega o outro. O que o deixa passado é o meu silêncio. Quer que eu chore, que peça perdão, clemência, que me arrependa, que peide, sei lá. São iguais, os dois. A única diferença é que uma gosta da natureza, prefere os cipós, se não fosse tão burra acho até que faria parte do greenpeace. O outro gosta mais do cinto de couro, não está nem aí pra natureza.&lt;br /&gt;Continuo sentada. Enfim ela sai da sala da diretora. Lá vem. Sim. Bufando com a carona vermelha. Fungando. A professora e a diretora vêm junto. Sinto vontade de correr. Entrar de vez pra dentro da minha cabeça grande e ficar lá, quieta... ouvindo a música.&lt;br /&gt;Pararam na porta. Estão me olhando. Conversam e me olham. Sinto meu estômago virar, doer, embrulhar. Não agüento mais. Vou acabar vomitando em cima delas. Se pelo menos eu fosse invisível! O banco continua frio, mas eu suo muito. Despedem-se. A diretora sente pena de minha mãe. Ninguém merece uma filha como eu. Todos os alunos já sabiam escrever e eu mal copiava o meu próprio nome. Ficava o tempo todo contando aquelas histórias idiotas. Eu não valia mesmo a pena... às vezes queria morrer.&lt;br /&gt;Lá vem. Primeiro o beliscão... A boca se abre no meio da cara branca e gorda... Os fiapos de barba sob o queixo... “Quando a gente chegar em casa você vai ver!” Quase vomito, mas prendo a respiração. Sim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-2184392650653824612?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/2184392650653824612/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=2184392650653824612' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/2184392650653824612'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/2184392650653824612'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/07/meu-marfim-que-sangra-2.html' title='MEU MARFIM QUE SANGRA - 3'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-5934266544442065760</id><published>2009-06-30T10:38:00.002-03:00</published><updated>2009-06-30T10:40:07.334-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela'/><title type='text'>MEU MARFIM QUE SANGRA - 2</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O essencial do diário não é ser secreto. O essencial do diário é que se escreva nele todos os dias. Não sei se isto é ou será um diário e muito menos se será secreto. Memória? Também não. É que não gosto de datas e nem me importo com a ordem das coisas, não me preocupo mais. A única coisa importante é continuar lembrando, escrevendo. Sempre e sempre. Porque escrever é um jeito de estar só e, ao mesmo tempo, acompanhada. Porque escrever é vingança e perdão, é esvaziamento e mudança, é sangue e inutilidade, é um meio de ouvir Nirvana e Beethoven, mesmo sem estar ouvindo Beethoven e Nirvana. É um jeito de dançar. Agora não escrevo, DANÇO. Entre as linhas. Entre as letras. Quer dançar comigo? Não venha tão desarmado, não sou mais tão criança. Os relâmpagos em vez de me amedrontarem deixam-me arrepiada. Sinto-os dentro de mim. Dentro do couro. Atrás da pele. Como se eu os tivesse engolido e eles ficassem brincando dentro de mim. Não sou mais tão criança... mas, às vezes, me sinto tão triste e há noites em que o vento sopra tão forte e faz tanto barulho lá fora. (P A I) perdoa-me porque pequei. Estou com o braço marcado escondido pela blusa e a porta do quarto está trancada há dias (P A I) entretanto ainda não me sinto segura. (P A I) perdoa-os, eles também não sabem o que fazem. Acendo um cigarro e fico observando como a fumaça vai embora fácil pela janela, fico observando como ela, a fumaça, brinca entre meus dedos, feito os dias, feito os anos, feito as luzes dos carros lá fora, subindo pela rodovia. Tudo parece tão claro agora! (P A I). Evito olhar pra parede onde teu retrato atlético (P A I) me recrimina e me tortura, talvez por causa do cigarro, talvez por causa de tudo. Sigo o fumo e escrevo. Esta evanescença é o único caminho. Peço perdão sim, mas estou pronta para morrer a qualquer momento (P A I) eu queria amor assim... porque este tipo de amor que o senhor me tem não dá certo... Fica então como ontem eu escrevi...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;FADO, FADO.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dor é necessária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou morta e dôo,&lt;br /&gt;Mas caminho entre as flores&lt;br /&gt;E colho as crianças que brotam nos cantos do caminho.&lt;br /&gt;Com minhas mãos translúcidas.&lt;br /&gt;Já é algo.&lt;br /&gt;Fuga entre jazigos.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-5934266544442065760?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/5934266544442065760/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=5934266544442065760' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/5934266544442065760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/5934266544442065760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/06/meu-marfim-que-sangra-2.html' title='MEU MARFIM QUE SANGRA - 2'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-2900745328782461999</id><published>2009-06-29T12:36:00.002-03:00</published><updated>2009-06-29T12:38:57.395-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela'/><title type='text'>MEU MARFIM QUE SANGRA - 1</title><content type='html'>NOTA DO EDITOR.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;O presente relato nos caiu em mãos em meados do ano de 2003. Logo que o encontramos, encaminhamos cópia à polícia civil do Estado de São Paulo que tratava do caso naquele momento. Hoje, muito tempo após o crime, e até porque o mesmo continua sem solução, resolvemos publicar este obscuro texto, que acreditamos valer não só pela contundência de seu conteúdo, como também por sua farta riqueza simbólica e por lançar, quem sabe, luz sobre aspectos psicológicos desta estranha família brasileira. O texto que se segue é publicado na integra, do mesmo modo como nos chegou em mãos, não há nele qualquer corte ou acréscimo, exceto os nomes que foram omitidos ou modificados para preservar a identidade dos envolvidos. A separação em capítulos corresponde a um esquema de separação que havia no próprio manuscrito, alguns trechos estavam digitados em folhas à parte, mas dobrados e colocados em diversas partes do diário, procuramos inseri-los no corpo do texto da melhor maneira possível.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-2900745328782461999?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/2900745328782461999/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=2900745328782461999' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/2900745328782461999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/2900745328782461999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/06/meu-marfim-que-sangra-1.html' title='MEU MARFIM QUE SANGRA - 1'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-2536839357914743210</id><published>2009-06-27T19:12:00.003-03:00</published><updated>2009-06-27T19:15:55.900-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela'/><title type='text'>MEU MARFIM QUE SANGRA</title><content type='html'>MANCHETES RETIRADAS DOS PRINCIPAIS JORNAIS DE SÃO PAULO NO PRIMEIRO SEMESTRE DE 2003.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“FAMÍLIA MORRE ENVENENADA APÓS COMER MOUSSE DE MORANGO, APENAS FILHA ESCAPA.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“PARA POLÍCIA, ASSASSINO QUERIA MATAR TODA A FAMILIA E SUICIDAR-SE.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“MÉDICO ENVENENADO ESTAVA ENVOLVIDO COM SEITA SATANICA.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“POLICIA INVESTIGA E-MAILS DA FAMÍLIA ENVENENADA.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“EXAME APONTA METAL PESADO NO CORPO DA JOVEM .”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“POLÍCIA QUER LAUDOS NO CASO DE FAMÍLIA ENVENENADA.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“ HAVIA ARSÊNICO NO MOUSSE, AFIRMA O INVESTIGADOR.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“FAMÍLIA ENVENENADA: SUSPEITA DE ABUSO SEXUAL.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“MÉDICOS AFIRMAM QUE A ADOLESCENTE ESTAVA GRÁVIDA.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-2536839357914743210?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/2536839357914743210/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=2536839357914743210' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/2536839357914743210'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/2536839357914743210'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/06/meu-marfim-que-sangra.html' title='MEU MARFIM QUE SANGRA'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-920316038019418243</id><published>2009-05-12T09:01:00.002-03:00</published><updated>2009-05-12T09:04:07.167-03:00</updated><title type='text'>BILHAR</title><content type='html'>Cerveja pela metade.&lt;br /&gt;Última tacada.&lt;br /&gt;Bola quinze na caçapa do canto direito.&lt;br /&gt;E o coração pergunta:&lt;br /&gt;- Como pode o verde da mesa ter entrado nos teus olhos, menina?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(texto mais antigo)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-920316038019418243?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/920316038019418243/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=920316038019418243' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/920316038019418243'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/920316038019418243'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/05/bilhar.html' title='BILHAR'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-7157801738612103523</id><published>2009-05-03T10:13:00.001-03:00</published><updated>2009-05-03T10:15:39.413-03:00</updated><title type='text'>RISO APUNHALADO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;Para Luís e João Silvério Trevisan&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Submarino amarelo. É na profundeza escura das águas que se encontram as paixões mais espanholas... Espanha dos meus desejos tão distantes... Submarino amarelo, e a maioria deles não são mais que canoas flutuando na superfície dos afetos. Eu não... eu não me importo de me perder nas profundezas, não sou mesmo como você, que cria o amor como um bicho entre grades. Eu bem sei que eles te rejeitaram. Eu bem sei que você esconde um crisântemo violentado na lapela. Eu bem sei dos preconceitos injetados no teu falo e no teu ânus. Menino de ferro. Liberdade encarcerada dos teus vinte e poucos anos. De onde você se esconde pode ver as estrelas? Deus dos deslocados tende piedade daqueles que atravessam a vida inteira sem amor. Deus dos deslocados tende piedade daqueles que atravessam a vida sem poder dar amor. Escondem-se em escafandros e armaduras, mas no cerne do metal implantaram um coração vermelho que pulsa e pulsa. E o que se faz com isso, hein? Escarros do peito podre de meu pai fabricando a aurora e todos aqueles tios e primos gritando da margem da manhã que se iniciava:&lt;br /&gt;            - Joga ele no meio do rio que é pra aprender a ser homem.&lt;br /&gt;            Isso enquanto eu tentava, e pra minha sorte conseguia, sair do meio da correnteza. É doloroso recordar o esperma verde do fundo envolvendo feito membrana a pele dos meus pés. Mas sou forte e a superação é o trigo com que fabrico o pão cotidiano.&lt;br /&gt;            - Eu vou ser homem, mas jamais vou ser um homem como vocês. Eu disse.&lt;br /&gt;            Tudo isso me volta agora. Submarino amarelo dentro de mim. Talvez você não esteja preparado para passar o que as pessoas como nós têm de passar. Talvez você não esteja preparado para o escarro e o estrume. O crime é uma forma de se revoltar contra o que nos oprime por dentro. Se esse mundo não me quer, eu também não o quero. É isso ou estou errado? Sei que é duro ter de ficar o tempo todo provando que também se é humano. Às vezes cansa. Às vezes dá no saco. Sei que é duro, meu pequeno, entretanto, esqueça um pouco o mundo e sua dor, enquanto mergulha todas essas angústias que você leva por dentro no meu corpo gordo. É fato que jamais seremos felizes. É fato que nos tornaremos alcoólatras... Drogados... Criminosos. É fato que o amor não vai nos salvar nesta terra. Deixa, porém, isto tudo de lado nestes poucos minutos em que criamos a nossa fantasia de amor e brindamos o que sentimos sem champagne, mas inebriados de pinga de cadeia. Submarino amarelo. Forever.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-7157801738612103523?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/7157801738612103523/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=7157801738612103523' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/7157801738612103523'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/7157801738612103523'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/05/riso-apunhalado.html' title='RISO APUNHALADO'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-1167408400633821545</id><published>2009-05-01T19:31:00.010-03:00</published><updated>2009-05-01T22:44:33.375-03:00</updated><title type='text'>O SAL DAS LÁGRIMAS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Para o meu amigo Serginho,&lt;br /&gt;porque nunca me esqueci de todos aqueles dias.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;" Na praça vazia um grito, um aí."&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Milton Nascimento e Fernando Brant&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Astrólogo gostava de beber. O Astrólogo gostava muito de beber. Eu também gostava, mas o Astrólogo gostava muito mais que eu. Eu andava triste e passava a maior parte do tempo no meu canto, observando tudo. Desde pequeno que eu gostava de ficar no meu canto. Desde pequeno que as pessoas diziam que eu era um esquisito. O astrólogo também ficava no canto dele, atrás da banca de jornal da praça. Tinha um amor mal-sucedido, o Astrólogo, no entanto esse amor tinha dado errado havia mais de trinta anos, mesmo assim ele continuava cultivando a tristeza como quem cultivas flores num jardim. Quando estava bêbado, o Astrólogo gostava de jogar o seu tarô sobre um pano muito branco que ele guardava não sei bem onde. Quando estava muito bêbado, ele cantava canções do Roberto Carlos e ficava com os olhos brilhantes e até as rugas da face dele desapareciam. Era um negócio meio mágico. Acho que só tinha uma coisa que o Astrólogo gostava mais do que da bebida, do ocultismo e do Roberto Carlos. Não... não era do seu amor fracassado, era de um cachorro Vira-Latas, marrom e branco, branco não, amarelo, porque a sujeira era muita, que ele trazia sempre ao pé de si. Agora não consigo me lembrar do nome do Vira-Latas. Sei que quando conseguia um torresmo, um salgado, ou um churrasquinho, o Astrólogo sempre dividia com o seu cão, contudo a divisão nunca era feita em duas partes iguais. Uma parte sempre ficava maior que a outra. A parte grande era do cachorrinho, a menor era do Astrólogo, que demorava mais de meia-hora pra comer até migalha de pão. Dizia que não precisava de alimento, vivia por meio da natureza e da força dos astros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem não gostava muito do cachorro do Astrólogo era o Chinês, dono da lanchonete onde costumávamos beber. Era o bicho pôr as patas no boteco que logo vinha o Chinês praguejando em sua língua, ou na nossa, com uma caneca, dessas de fazer café, cheia de água pra jogar no bicho e no dono também, se qualquer dos dois bobeasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivíamos assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que um dia, o Astrólogo, milagrosamente, me pagou uma cerveja. Estava com dinheiro. Fiquei imaginando onde ele tinha arranjado a grana, porque ele me mostrou o maço de notas e era muita grana. As pessoas da lanchonete disseram que um artista muito famoso (eu também era artista, mas estava escrito nas cartas que eu nunca seria famoso) tinha vindo de muito longe pra fazer um mapa com ele e o tal artista tinha dado toda aquela pacoteira pra ele, pois as previsões eram positivas, mas não eram inventadas. Havia muita verdade em tudo o que ele, o Astrólogo, fazia em relação ao seu trabalho. Como diz o ditado, ele não brincava em serviço. Trabalhando, até sua fisionomia se tornava mais austera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando à lanchonete... o que sei é que bebi naquela noite até o apagamento. O Astrólogo continuou bebendo até o apagamento por mais três dias e três noites. Já disse que ele gostava de beber. Quando pude me curar da ressaca e retornar ao meu banco na lanchonete, me disseram que o Astrólogo estava internado no Hospital Municipal. A força dos astros não tinha sido o suficiente dessa vez e os médicos tiveram que fazer seu trabalho com a glicose e o soro habitual. Fiquei por ali com uma cerveja aberta, sem fazer nada, olhando as coisas e as pessoas como sempre fazia, até que reparei no Vira-Latas do Astrólogo atravessando a rua. Senti pena do cão. Como seria que ele estava se virando sem seu dono e o alimento que dele provinha? Chamei o bicho estalando os dedos e joguei o resto de um bolinho de ovo que tinha nas mãos para o animal. Nesse dia era a Chinesa e não o Chinês quem atendia no balcão. O Chinês estava fazendo os salgados lá pra dentro e, quando vinha trazendo uma bandeja recheada de quibes, e viu o cão dentro de seu estabelecimento, o homem ficou doido. Largou os salgados sobre o balcão e, sempre resmungando em seu idioma indecifrável, correu outra vez pra dentro da cozinha. Eu ainda estava rindo, como todo mundo dentro da lanchonete, quando o Chinês veio correndo com um tacho cheio de óleo quente e jogou inteiro no rosto do Vira-Latas do Astrólogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O animal atravessou a rua correndo e foi se esconder nos trapos do seu dono, atrás da banca de jornal, chorando de um jeito que eu nunca tinha visto nenhum ser vivo chorar até então. As pessoas dentro do bar ameaçaram espancar o Chinês. Confesso que até eu mesmo senti vontade de arrebentar com a cara do filho da puta, mas me lembrei dos Beatles e de John Lennon, vai saber porque, e resolvi dar uma chance à paz. O fato é que acabei salvando a pele do China. Porque não era bobo nem nada, assim que pôde o oriental baixou as portas e desapareceu com sua esposa. Não sei se chegou a perceber o tamanho da merda que tinha feito. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;*** &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu estava comprando cigarros, uns dois dias depois do incidente do óleo, na banca de jornal, porque agora eu não entrava mais na lanchonete do Chinês, quando avistei o Astrólogo atravessando a praça. Senti um aperto no coração. Ele tinha acabado de sair do hospital. Estava até mais corado, só que, quando viu seu cachorro, esse homem desmoronou. Caiu no chão e chorou ainda mais dolorido que seu animal. Os pêlos da minha barba e do meu corpo inteiro se arrepiaram. Eu estava diante do supra-sumo, do caldo da dor. O homem não gritava, não falava, não reclamava, mas perdia o ar como um menino de dois anos quando chora demais. Era um sofrimento de trincar os ossos e quebrar os dentes. Ali, agarrados, os dois choravam juntos, mas se consolovam, se entendiam, esfregavam seus corações dilacerados um no outro, porque sabiam que um compreendia o que o outro estava sentindo. E o Vira-Latas dizia ao seu dono:&lt;br /&gt;- Vamos não chore, eu vou ficar bem.&lt;br /&gt;E o Astrólogo dizia ao seu cão:&lt;br /&gt;- Vamos, não chore, eu vou cuidar de você.&lt;br /&gt;Entretanto, ambos continuavam chorando e se abraçando.&lt;br /&gt;Há sal demais nas lágrimas. Até nas minhas. Devo confessar que também chorei. Chorei pelos bichos e pelos homens e pelos filhos dos bichos e pelos filhos dos homens, que se arrebentam mutuamente sobre a crosta dessa ferida aberta em busca de alimento. Chorei por Vincent Van Gogh, sofrendo com uma bala encravada no peito uns duzentos anos atrás. Chorei pelo Théo que morreu sem ver o sucesso do irmão. Chorei pela insanidade de tudo e por mim também que nunca seria uma artista de verdade. Quando começou a juntar gente pra ver e caçoar ou se compadecer, eu fui embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dias depois voltei até à praça onde tudo o que estou contando aconteceu e soube que o cachorro ia sobreviver e que o Astrólogo não bebia havia mais de uma semana. Tinha de se manter sóbrio pra cuidar de seu bicho, era o que ele e as pessoas diziam. Cheguei a ver os dois sentados juntos sob a luz de um Sol matinal e fresco de abril. Pensei em ir até lá e dizer alguma coisa, mas me calei. Era o melhor a fazer. Fiquei ainda mais um tempo observando os dois irmãos, ou o pai e o filho, ou os dois amigos, ou o que vocês preferirem, conversarem, depois dei as costas e fui-me embora. Pra onde? Nem eu sabia. Eu tinha um boné de maquinista na cabeça e uma mochila nas costas. O emprego tinha ido pras cucuias. Tudo o que me restava era a certeza de que não pertencia mais àquele lugar, embora soubesse que aquele lugar moraria dentro de mim pra sempre. Ponta de areia. Ponto final.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-1167408400633821545?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/1167408400633821545/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=1167408400633821545' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/1167408400633821545'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/1167408400633821545'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/05/o-sal-das-lagrimas.html' title='O SAL DAS LÁGRIMAS'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-496003699089917272</id><published>2009-04-21T09:57:00.001-03:00</published><updated>2009-04-21T10:00:03.866-03:00</updated><title type='text'>SUICÍDIO</title><content type='html'>Quando acordei, abri as janelas.&lt;br /&gt;A cidade se lavava sim.&lt;br /&gt;A primeira grande chuva depois que você partiu.&lt;br /&gt;Fui até o pé de manga e não havia mais manga,&lt;br /&gt;mas reforcei com o canivete nossos nomes dentro do coração da manhã.&lt;br /&gt;Voltei.&lt;br /&gt;Não tinha café.&lt;br /&gt;Então fiquei olhando aquela sua revista velha,&lt;br /&gt;que tem na capa um enorme cavalo negro.&lt;br /&gt;Toquei sua crina.&lt;br /&gt;Ele não se fez arredio.&lt;br /&gt;Passei de leve a mão no dorso forte.&lt;br /&gt;Ele não demonstrou asco.&lt;br /&gt;Montei-o com a leveza de uma virgem.&lt;br /&gt;Ele aceitou.&lt;br /&gt;E assim,&lt;br /&gt;como quem já sorriu,mas apunhalou o riso,&lt;br /&gt;Partimos pro outro lado do espelho...&lt;br /&gt;E a tua escova ainda na pia do banheiro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(TEXTO MAIS ANTIGO)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-496003699089917272?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/496003699089917272/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=496003699089917272' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/496003699089917272'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/496003699089917272'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/04/suicidio.html' title='SUICÍDIO'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-8051993406988521756</id><published>2009-04-15T19:42:00.001-03:00</published><updated>2009-04-15T19:44:47.383-03:00</updated><title type='text'>PIANISTA BOXEADOR</title><content type='html'>Sempre gostei de rosas vermelhas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Difícil é te explicar porque foi que eu resolvi escrever depois de tanto tempo. Tudo parece tão absurdo que eu não consigo sequer imaginar um meio de começar a te contar. Talvez pelo início seja o melhor meio, mas é difícil também saber onde e quando tudo se iniciou. Vou começar então por onde a gente terminou. Naquela manhã chuvosa de domingo em que te perdi pra sempre. Talvez tudo tenha começado exatamente naquele momento, quando comecei a descer as escadas pra fugir do teu quarto e continuei a descê-las, mesmo quando cheguei ao porão. E continuei a descê-las, mesmo quando não havia mais escadas e eu arranquei as lajotas com as mãos e continuei a cavar e a descer até me embrenhar entre os vermes, longe das flores. Você sabe, sempre gostei de rosas vermelhas, embora aqui embaixo nunca tenha havido muitas delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando saí da sua casa naquele dia percebi que não havia mais jeito, que não havia mais um meio de voltar àquele passado onde havíamos sido felizes, porque eu, sempre eu, tinha destruído tudo outra vez e, dessa vez, eu o sentia, era pra sempre. Então fugi. Abandonei os ringues, as luvas vermelhas, o cinturão de campeão brasileiro de boxe, categoria peso pesado. Então fugi e abandonei os pequenos palcos e o meu piano branco, e quebrei meus discos de vinil forte, e decidi que rolaria no estrume até onde minha alma pudesse suportar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei pro crime. Você sabe que eu tenho habilidade pra isso. Retornei também ao pó que sempre me fez subir, mas que também já me passou rasteiras imensas. Estava sujo outra vez, mais sujo que nunca. Entretanto, no panorama negro da noite, entre cartas de baralho, carreiras, copos sujos de vodka, de conhaque e homens que atiravam com a mesma espontaneidade com que sorriam, muitas vezes me vinha nítida aos olhos a tua figura. Então eu me levantava no meio do jogo e tudo, e corria pra tentar tocar teus cabelos sempre amarelos e soltos, mas, quando chegava perto e tocava, só havia a noite, quente e densa. Aí eu voltava pra mesa e sorria  e meus companheiros, todos tão subterrâneos e brutos, alguns até mais subterrâneos e brutos que eu, aconselhavam-me para que parasse com o pó e deixasse um pouco o conhaque e a vodka de lado. Mas eles não entendiam que eu estava decidido. Não entendiam que nós havíamos sido crianças juntos. Você se lembra de quando me emprestava sua bicicleta verde e, à noite, brincávamos de pega-pega até nossas mães nos buscarem furiosas? Às vezes você ia na bicicleta e eu ia a pé, outras vezes eu ia na bicicleta e você ia a pé.  As mães ainda existiam naquela época. Mas agora não há mais mães. Agora está tudo fora de lugar e eu apunhalei meu anjo, esqueci de Jesus, da nossa professora de catecismo. TE PERDI PRA SEMPRE!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arquitetar crimes não é como compor canções, ou estudar um adversário no quadrilátero. Arquitetar crimes tem segredos e idiossincrasias específicas. Eu elaborei assaltos perfeitos. Transportei drogas em lugares que ninguém jamais poderia imaginar. Mas um dia falhei. Lembra do grande roubo a agência central do Banco do Brasil? Fui ferido. Na barriga.Quase morri, mas os anjos do mal que comigo andavam conseguiram um médico que aceitou me operar,  mesmo num barraco de madeira podre onde a noite entrava por todos os lados, entre as frestas. Sobrevivi. Ganhei uma cicatriz imensa na barriga e algumas dezenas de rugas em cantos do rosto  onde a barba não pode encobrir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava novamente de pé, na noite, e novamente o pó me acolheu e me levantou. Por pura maldade atirei num cachorro branco que latia à noite na rua Guaianases. Atirei também em alguns dos que se esforçaram pra me salvar. Não pelo egoísmo de ficar com todo o dinheiro, mas pelo simples gosto da traição, da mais vil traição. Quando era pequeno também fiz desaparecer a aliança do teu padrasto, isto mesmo, fui eu quem roubou a aliança, e você apanhou até que na sua pele brotasse imensos vergões negros, feito lagartas. Você sabe... sempre gostei de rosas vermelhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas vivemos sob as chagas de Cristo e às vezes, sempre na noite, eu chorava. Chorava pela loucura e o mal que usavam meu corpo, minha mente, meus braços. Chorava pelo pai que nunca tive. Chorava pelo nosso bebê que eu fiz você arrancar da barriga. Chorava por todos os crimes que havia cometido e por todos que sabia que ainda iria cometer. Chorava por ter ferido você, o anjo que perdi pra sempre. Longe de você, das luvas, das teclas, toda energia boa ou má que existia em mim e que poderia se transformar num beijo terno, num bom cruzado no ringue ou numa canção bonita se tornava atos vis e criminosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas vivemos sob as chagas de Cristo e um dia, quando eu me sentia superior e imortal, senti brotar na minha barriga, ao lado da cicatriz da operação, um pequeno nódulo, talvez o primeiro sinal de uma inflamação. A princípio não dei atenção alguma, apenas continuei, na noite. Só que, quando amanheceu, eu vi que o nódulo havia explodido e que de dentro dele, além do pus, saía um pequeno pedaço de tecido vermelho. Tinha textura delicada, o tecido, parecia camurça, mas, por incrível que pareça, era ainda mais macio que a mais macia das camurças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ó Deus, por que não fugimos pro meio do mato enquanto ainda era tempo? Por que não fizemos uma casinha simples, no pé de uma serra onde nas janelas houvesse cortinas brancas, como se todas elas, as janelas, estivessem usando vestidos de noiva? Por que?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora é tarde, porque aquele pequeno pedaço de tecido que brotou na minha barriga, aos poucos, foi crescendo. E até que era bonito, mas o pus continuava a correr o tempo todo junto a ele e, Deus, como doía. Não soube muito bem o que fazer. Eu nunca soube muito bem o que fazer. Apenas ficava lá, suportando a dor e acariciando com a pontinha dos dedos aquele vermelho tão pequeno e delicado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vermelho que crescia e desabrochava e parecia sugar todas as minhas forças, uma vez que eu me sentia fraco e minha pele, e meus olhos, estavam anêmicos, amarelos. Todavia, apesar da dor e do cansaço, eu estava feliz, porque do meio de todo aquele pus e daquela ferida, que agora era enorme, surgia algo bonito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer saber o que era aquele pedaço tão singelo de vermelho? Eu tive que esperar mais de uma dezena de dias pra que ele se mostrasse inteiro. Você não vai acreditar, eu mesmo não acreditaria se uma outra pessoa me dissesse. Apesar de, hoje, isto me parecer tão normal quanto uma espinha, naquele tempo eu custei muito a acreditar. Cheguei a pensar que estava enlouquecendo, ou que o pó já me dava alucinações. É difícil pra qualquer um ver brotar na sua barriga (violento, vermelho, macio, ereto) um botão de rosa. Isto mesmo, você sabe... sempre gostei de rosas vermelhas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que a coisa não ficou num botão apenas. Dia após dia, sugavam-me as forças, os galhos, os espinhos, as flores de toda uma roseira. Meus olhos, eu via no espelho, não tinham mais cor alguma. Cada espinho, da roseira que crescia, que passava pela minha barriga, fazia-me sentir dor como a de um dente arrancado sem anestesia. Mas a roseira era linda, a mais linda que eu já havia visto. Era bom acordar pela manhã e vê-la lá, tão imponente na minha barriga. Difíceis  eram as coisas simples, como conseguir comida, ir ao banheiro ou levantar da cama. Eu já tinha perdido trinta quilos. Era bonita, a roseira, mas estava me sugando a vida, e eu sou feio, egoísta e mal. Dar cabo da roseira era preciso, antes que ela desse cabo de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preparei minha navalha de cabo de marfim, um pano branco e o álcool indispensável. Manhã de outubro. Abri a navalha. Manhã de outubro. Bebi e fechei os olhos. Manhã de outubro.  Segurei o pezinho da roseira com uma das mãos e com a outra passei-lhe a lâmina... O sangue jorrou e, por Deus,  não existe dor maior no mundo... Apertei o pano forte contra a ferida e tentei me levantar, mas minhas vistas se escureceram e eu achei que tinha morrido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto acordei e me sentia forte. Continuar a viver era necessário e até que era bom poder viver, e caminhar pelas ruas, e ser livre. Mas minha liberdade, eu ainda não sabia, duraria pouco, pois a chaga da barriga mal cicatrizara e já me brotava outra roseira no braço direito. Novamente repeti o processo da navalha, do marfim, manhã de novembro. Mas aí começou a nascer o vermelho na minha perna. Da perna espalhou-se para a virilha e por mais que eu repita, até hoje, o processo da navalha, das toalhas brancas, sei que não vai adiantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã é natal. Cinco anos que eu não te vejo.Tenho aqui comigo um revólver. Quando terminar de ler esta carta, procure no jardim da sua casa a rosa  que está num vaso de cerâmica branca. O corpo estará um pouco mais distante, na praça em frente à catedral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feliz natal!  Se eu pudesse começar de novo, mudaria tudo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-8051993406988521756?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/8051993406988521756/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=8051993406988521756' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/8051993406988521756'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/8051993406988521756'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/04/pianista-boxeador.html' title='PIANISTA BOXEADOR'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-891842370338832319</id><published>2009-04-13T13:55:00.003-03:00</published><updated>2009-04-13T13:58:15.137-03:00</updated><title type='text'>SOBRE FRIDA KAHLO NO AMÁLGAMA</title><content type='html'>PESSOAL, TEM UM TEXTO MEU SOBRE A FENOMENAL PINTORA MEXICANA FRIDA KAHLO NO AMÁLGAMA. OS INTERESSADOS POR FAVOR ACESSEM:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;a href="http://www.amalgama.blog.br/04/2009/frida-kahlo-maravilhosa-e-visceral" target="_blank" rel="nofollow"&gt;http://www.amalgama.blog.br/04/2009/frida-kahlo-maravilhosa-e-visceral&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ESTA ARTISTA MERECE UMA LEITURA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ABRAÇÃO A TODOS&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-891842370338832319?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/891842370338832319/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=891842370338832319' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/891842370338832319'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/891842370338832319'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/04/sobre-frida-kahlo-no-amalgama.html' title='SOBRE FRIDA KAHLO NO AMÁLGAMA'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-1237693781814016805</id><published>2009-04-06T22:23:00.003-03:00</published><updated>2009-04-06T22:26:57.085-03:00</updated><title type='text'>DA ETERNA ADOLESCÊNCIA</title><content type='html'>Quem dentre todos os outros entenderá teu silêncio?&lt;br /&gt;Quem dentre todos os outros vai perceber a cor quente do teu riso?&lt;br /&gt;À meia-noite mil vultos teus me perseguem&lt;br /&gt;Com os teus crucifixos de ouro&lt;br /&gt;Com o teu olhar profundo&lt;br /&gt;Com a tua energia louca&lt;br /&gt;Nós fomos vassalo e susserana&lt;br /&gt;Nós fomos servo e duquesa&lt;br /&gt;Nós fomos escravos de tantos amores impossíveis&lt;br /&gt;Tua mão em mim me faz flor de mal me quer&lt;br /&gt;Criança magra dando show de calundu&lt;br /&gt;Trovador elétrico uivando na varanda tua&lt;br /&gt;Eu te faço mal&lt;br /&gt;Eu confundo teu peito&lt;br /&gt;Eu machuco teu braço&lt;br /&gt;Mas não saio ileso&lt;br /&gt;Trovador elétrico uivando na varanda tua&lt;br /&gt;Eu descanso meu desespero no teu colo fecundo&lt;br /&gt;E os teus olhos tão tristes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem?&lt;br /&gt;Quem dentre eles saberá dos teus sonhos?&lt;br /&gt;Quem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazê-la sorrir vale uma existência.&lt;br /&gt;Saiba só que não estás sozinha&lt;br /&gt;Fortaleza da minha agonia&lt;br /&gt;Eu também descasco mistérios&lt;br /&gt;E sonho com fantasmas árabes e adagas que mutilam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-1237693781814016805?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/1237693781814016805/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=1237693781814016805' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/1237693781814016805'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/1237693781814016805'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/04/da-eterna-adolescencia.html' title='DA ETERNA ADOLESCÊNCIA'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-1287528035777768675</id><published>2009-03-17T16:44:00.000-03:00</published><updated>2009-03-17T16:45:25.958-03:00</updated><title type='text'>...</title><content type='html'>Machuca como chuva numa tarde de domingo&lt;br /&gt;O avesso do sim ainda dorme no teu paladar&lt;br /&gt;E nós conversamos:&lt;br /&gt;Dois fantasmas molhados num terreno baldio&lt;br /&gt;Digo adeus aos sonhos de glória&lt;br /&gt;Você se confraterniza com novos falos&lt;br /&gt;Digo adeus aos sonhos de grandeza&lt;br /&gt;Você constrói um mundo de metal&lt;br /&gt;Digo adeus ao que fosse vermelho&lt;br /&gt;Você cose bandeiras da juventude&lt;br /&gt;E eu envelheci cinqüenta anos em cinco&lt;br /&gt;A velhice não é para delicados&lt;br /&gt;É preciso aprender a viver sem sonhos&lt;br /&gt;Os afetos escorrem pelo ralo no final&lt;br /&gt;Aqui onde as histórias terminam&lt;br /&gt;Mora um vazio, um escuro, uma ausência&lt;br /&gt;Um não sei que de triste, de aço, de frio&lt;br /&gt;Construo conchas de estanho e desprezo as pérolas&lt;br /&gt;O tempo cria covas nas minhas mãos e no meu destino&lt;br /&gt;A incompreensão é uma aranha que tece e tece&lt;br /&gt;E nós nunca nos entenderemos&lt;br /&gt;Estamos todos sozinhos&lt;br /&gt;Amor é nada&lt;br /&gt;O egoísmo é a espada que decepa&lt;br /&gt;Estamos todos sozinhos&lt;br /&gt;Chove sempre&lt;br /&gt;E a chuva afoga os anciãos&lt;br /&gt;Estamos todos sozinhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-1287528035777768675?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/1287528035777768675/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=1287528035777768675' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/1287528035777768675'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/1287528035777768675'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/03/blog-post.html' title='...'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-811204163660599150</id><published>2009-03-10T22:51:00.003-03:00</published><updated>2009-03-10T22:55:20.663-03:00</updated><title type='text'>fora por uns dias</title><content type='html'>Pessoal, o computador de casa deu pau geral. E no trabalho tem sido difícil acessar a net e cuidar blog e etc. De modo que ficarei fora por uns dias. Mas, assim que as coisas voltarem ao normal, colocarei em dia a leitura de todas as postagens. E voltarei com os meus textos.&lt;br /&gt;Espero que tudo se resolva rápido.&lt;br /&gt;Abraços,&lt;br /&gt;Vcs são mais que amigos, são meus críticos, parceiros e confidentes.&lt;br /&gt;Ronaldo a canção que vc falou do raul é metrô linha 743, né?&lt;br /&gt;Adriana, estou enrolado, mas assim que tiver um tempinho mando o livro. I promisse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniel&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-811204163660599150?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/811204163660599150/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=811204163660599150' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/811204163660599150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/811204163660599150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/03/fora-por-uns-dias.html' title='fora por uns dias'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-6809713520245807376</id><published>2009-02-27T18:25:00.004-03:00</published><updated>2009-02-27T22:35:16.347-03:00</updated><title type='text'>SIM, TODO AMOR É SAGRADO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando nos encontramos pela primeira vez, eu não estava vivendo bons tempos. Tinha acabado de passar por um processo de separação dos mais difíceis e olha que eu só tinha dezenove anos. Não que eu seja muito mais velho agora, isso faz uns dois anos, mas naquela época eu era muito mais inconseqüente. Foi assim: eu estava embriagado, dor de corno se é que me entendem, dentro de um táxi e ela, num semáforo, sem mais nem menos abriu a porta do carro correndo e entrou. Não que ela fosse linda, não era, mas feia também não era, ela era diferente e tinha uns olhos que mudavam de cor. Dependendo de como a gente olhava pra eles, os olhos ficavam verdes, azuis, castanhos e até pretos. Como seu nariz estivesse sangrando, eu arranquei a camiseta e entreguei pra que ela estancasse o líquido que brotava em jorros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Filho da puta. – Era tudo o que ela dizia e redizia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do meu lado, foi amor à primeira vista. Sou um cara muito impressionável. Todo mundo diz. Tenho a mania de ver magia nos seres e nas coisas. Tenho a mania de ficar procurando poesia em pessoas que muitas vezes são ocas, ou que, como ela mesma repetia, naquela noite, são umas verdadeiras filhas da puta. Sei lá eu o que é isso. Vício de sofrer, ou parcialidade talvez. Sei que, mesmo amando daquele jeito, fiquei com o pé atrás comigo mesmo. Nunca fui veado nem nada, de qualquer forma, estava mesmo cansado de tomar no cu. Chega uma hora em que a gente tem de pôr os pingos nos is e parar de fantasiar. Mas ela me disse que ele batia nela o tempo todo e que era um cara muito rico e poderoso. Eu nunca quis bater em ninguém e nem nuca fui rico ou poderoso. Também nunca quis nada dessas coisas, o que eu procurava mesmo era a paz. Todo mundo se fode na vida, todo mundo se despedaça de vez em quando, contudo eu me dava mal o tempo todo. Uma vez, eu contei minha história a um carroceiro, desses que pegam lixo reciclável, e até o burro chorou. Sem brincadeira, pra vocês verem como a coisa andava feia pro meu lado. Não cheguei a perguntar por que ela não largava o tal poderoso, tava na cara. O dinheiro impressiona as pessoas e faz dos homens seres confiantes e fortes. A maioria das mulheres gosta disso. Vai entender as mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim, fomos parar no apartamento dela e fizemos amor, mesmo sem sexo ou qualquer coisa assim. Ficamos nus e nos masturbamos mutuamente. De masturbação eu sempre entendi bastante. Acho que ela gostou, porque, daquele dia em diante, passamos a nos ver com alguma freqüência e, depois, essa alguma freqüência tornou-se um sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*********************************************************************************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você consegue sentir a dor? Algumas feridas não cicatrizam nunca. – Ela me diz, enquanto eu acaricio seu rosto inchado. Porra... algumas coisas são intoleráveis. Palavra.&lt;br /&gt;- Por que porra você não manda de uma vez esse cara à merda? Você não precisa dele. A gente pode ter uma vida diferente juntos. Mesmo sem muita grana nem nada. A gente podia visitar uns museus. Assistir uma peça, ou ir ao cinema de vez em quando. Isso não te faria bem? Não te deixaria feliz?&lt;br /&gt;- Talvez fizesse, mas é que eu amo esse cara. Queria sentir por você o que sinto por ele. Caralho... vocês não podem imaginar como dói ouvir uma coisa dessas assim... na lata. É mesmo coisa de fazer o camarada perder de vez as esperanças.&lt;br /&gt;- Você o ama, mas ele te arrebenta as fuças o tempo todo!&lt;br /&gt;- Sei que ele pode ser um pouco bruto, mas é a forma dele me dar amor. Ele teve muitos problemas na infância, é um cara confuso.&lt;br /&gt;- E quem é que não teve problemas na infância. A minha mesmo foi uma merda. Nem por isso fico por aí arrebentando a cara dos outros. Ele é um filho da puta mesmo, isso sim.&lt;br /&gt;- Talvez eu também seja culpada.&lt;br /&gt;- Claro que é. Isso não se discute, mas você sabe que esse tipo de coisa não te faz bem. Que não vai te levar a lugar algum.&lt;br /&gt;- Quando ele me bate, eu me sinto viva. – Ela diz e então acende um cigarro. Com essas últimas palavras, até eu fiquei com vontade de acabar de arrebentar a cara dela, pra ela deixar de ser idiota. Entretanto, tudo o que fiz foi dar um beijo no rosto dela e atravessar a rua sem dizer adeus. Sabia que tudo estava consumado. Meu coração era uma ferida rasgada por trás das costelas. O fim de um amor, quando ainda se ama, dói como uma morte. Não é fácil enterrar um filho, ou uma mãe, ou um parente próximo. Não é fácil enterrar um amor vivo. É como colocar um ente querido no caixão e joga-lo pra dentro da terra enquanto ele ainda respira. Talvez eu tenha olhado uma, ou duas vezes para trás. Ela estava olhando pra mim. Não sei se ela percebeu que eu não voltaria mais. Nunca mais. Ao todo ficamos juntos sete meses. Sei que pode parecer pouco, mas sinto que vou levá-la dentro de mim pra sempre. Caras sonhadores, como eu, apaixonam-se fácil, não há diferença entre nós e um cachorro vira-latas. Basta um elogio, uma carícia e já estamos conquistados pra sempre. É mesmo de dar nojo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;********************************************************************************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora dirijo meu opala velho, para fugir dela, nessa estrada que leva sempre ao Norte. Não há nada além da poeira e do caminho. É estranho, mas não trafegam outros automóveis. Não existem postos de gasolina. Não há hotéis, ou coisa que o valha. A memória é um pântano e uma desgraça. Não consigo me esquecer dela. Tudo é motivo pra lembranças. Faz calor. O Sol frita meu cérebro, meu carro velho e meu corpo. A gasolina está quase no fim e eu faria qualquer coisa por um banho e uma cerveja bem gelada. E aquele filho da puta continuaria a espancá-la e ela continuaria a amá-lo. Se eu tivesse tendências, depois dessa, teria me tornado um serial killer. É sério. O inferno é que sou mesmo um covarde e que o suor escorre o tempo todo pelo meu rosto. Calor. Calor cremoso e sufocante, daqueles que deixa trêmula a estrada inteira. Até o asfalto parece que vai derreter. Nos filmes americanos chamam isso de deserto. Por aqui o calor tem o nome de Sertão e eu não passo de um cara triste do sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nem o inferno pode ser tão quente! – Digo e neste exato instante, como se fosse uma resposta divina, avisto a igrejinha velha quase que em ruínas. - Senhor tende piedade dos fracos, dos sensíveis e dos que perderam as esperanças. Obrigado Deus! Eu sou um deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desço do carro, estico os músculos e entro na igreja. Por dentro, a coisa não tem muito que ver com uma igreja. Há luzes vermelhas que piscam anunciando: IRENE´S BOITE, um imenso balcão, bebidas, algumas mesas, moscas e um rádio que toca uma canção brega qualquer. Calipso, talvez, não sei ao certo. Atrás do balcão e ao lado das bebidas, existe uma porta enfeitada com uma cortina de pérolas vermelhas. Como não há ninguém, eu finjo tossir um pouco pra ver se surge alguém que me atenda, todavia não aparece viva alma. É então que eu reparo no pequeno sino, encostado num canto. Pego-o e chacoalho-o. Não demora muito e uma mulher morena, de cabelos lisos, na altura dos ombros, baixa, de nariz grande, lábios salientes e sorriso lindo surge por detrás da cortina.&lt;br /&gt;- Boa tarde, senhor. O que deseja? - Ela me pergunta esticando ainda mais o sorriso.&lt;br /&gt;- Eu gostaria de tomar um bom banho, beber alguma coisa gelada e depois comer algo bem leve.&lt;br /&gt;- Acho que posso ajudá-lo. – Ela diz ainda sorrindo e colocando um cd da Ivete Sangalo pra tocar. – Pode me seguir. - Continua em seguida, enquanto abre uma portinha na lateral do balcão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu a sigo feliz da vida até um banheiro onde há uma imensa banheira branca e antiga. Ela, delicadamente, retira minhas roupas, sem jamais deixar cair seu sorriso baiano do rosto. Passa a mão na minha própria face, enquanto a banheira enche, e fica me olhando como se me conhecesse há muito, quem sabe até desde outras encarnações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu te esperei tanto tempo! – Diz e em seguida me coloca dentro da banheira e sai pra logo depois voltar com um belo cálice de vinho nas mãos. Entrega-me o vinho. Eu noto que em seu braço moreno existem pequenas cicatrizes brancas.&lt;br /&gt;- Você consegue sentir a dor? Algumas feridas não cicatrizam nunca. – Eu digo.&lt;br /&gt;- Eu sinto a dor o tempo todo. – Ela responde e sai outra vez. Eu, por meu lado, vou bebericando o vinho e curtindo a água quente, sentindo meu corpo, aos poucos, ficar completamente relaxado, como se não me pertencesse mais. Tudo me agrada e eu quase sorrio. O sono vem leve e pesado feito um som do Led Zeppelin. A última coisa que percebo é a luz vermelha piscando no teto e ainda repito por umas três ou quatro vezes a palavra: AMOR. Pelos meus ouvidos ecoa a voz de Luciano Pavaroti. Ela deve ter posto alguma coisa no vinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;********************************************************************************&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É com dificuldade que consigo abrir os olhos e ver a luz forte e branca brilhando sobre o meu rosto. Tento me levantar, mas percebo que estou fortemente amarrado sobre a cama que não é uma cama, mas uma mesa de operações. Passeio a vista pelo cômodo branco e percebo nas paredes cabeças de homens empalhadas como se fossem cabeças de alces. Há homens de todas as idades. Diante de meus pés o corpo inteiro de um jovem negro e forte permanece em pose de ataque. Seus olhos são desesperadores. Ao meu lado, é um senhor moreno e barrigudo que está empalhado da cintura pra cima, na base que sustenta esse corpo está escrito em letras douradas: Vincent. Tento outra vez escapar, mas não há maneira. Estou fortemente amarrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher volta cantarolando uma antiga canção do grupo só pra contrariar. Mesmo na minha situação consigo distinguir a música. Além de tudo, ela tem um péssimo gosto musical. Traz nas mãos facas, adagas e punhais. “Tomei no cu direitinho dessa vez!”. Eu penso e sorrio, não há mais o que fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que isso, hein? – Eu pergunto.&lt;br /&gt;- É pelo filho que não tivemos e pela vida que não levamos. – Ela responde.&lt;br /&gt;- Mas, você nem me conhece. – Retruco.&lt;br /&gt;- Conheço sim. Você é Daniel, ou não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não pergunto mais nada. Eu me chamo efetivamente Daniel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não se preocupe. Não vai doer nada. Logo a anestesia fará efeito e você irá dormir profundamente. – Ela diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu ainda tento balbuciar alguma palavra, mas minha língua não obedece mais ao meu cérebro. Sinto apenas cócegas na barriga, depois a ouço gritar alto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Belinha! Belinha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Surge uma cachorrinha latindo e minhas tripas são jogadas ao chão para servir de alimento. Um belo jantar. Não sinto mais nada direito, mas minha mente continua funcionando. O sono está a caminho, posso sentir, o sono derradeiro. Antes de fechar de vez os olhos, ainda vejo-a se aproximar, beijar minha boca e dizer baixinho, como se fosse uma forma de consolo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu te amo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sei que é verdade, mas também sei que serei só mais uma peça, uma de suas obras de arte entre tantas outras. Por mais estranho que possa parecer, estou feliz em morrer assim e em me tornar isso. Do meu corpo dilacerado vejo decolarem entrelaçados anjos e demônios. Não tenho mais forças, mas mantenho meu sorriso. Ela também mantém o seu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu que pensei que o alcoolismo fosse um problema. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-6809713520245807376?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/6809713520245807376/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=6809713520245807376' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/6809713520245807376'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/6809713520245807376'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/02/sim-todo-amor-e-sagrado.html' title='SIM, TODO AMOR É SAGRADO'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-6507867924543426295</id><published>2009-02-20T18:51:00.000-03:00</published><updated>2009-02-20T18:53:51.237-03:00</updated><title type='text'>Tão longa estrada</title><content type='html'>Por que você não me deixou de uma vez caído?&lt;br /&gt;Por que você foi tão boa pra mim?&lt;br /&gt;Por que o teu café me faz tão bem?&lt;br /&gt;Tão longa estrada, a nossa...&lt;br /&gt;Tão cheia de obstáculos...&lt;br /&gt;Estrelas famintas se lambuzam no teu brilho&lt;br /&gt;Pena eu não ter sido prudente o suficiente&lt;br /&gt;Espinhos te fodem o útero&lt;br /&gt;Meus mil demônios fanáticos no teu rabo&lt;br /&gt;Fazem do teu grito meu orgasmo&lt;br /&gt;Quero arrancar teus olhos&lt;br /&gt;Beber teu rio&lt;br /&gt;Devorar teus mamilos&lt;br /&gt;Rasgar em dez milhões de pedaços tua alma azul clara&lt;br /&gt;Te fazer chorar de farra&lt;br /&gt;Só pra ser consolo&lt;br /&gt;Afogue-me no teu ódio&lt;br /&gt;Esfole-me o sexo agora&lt;br /&gt;Teu desespero me excita&lt;br /&gt;Faz do meu pau um pau de aço&lt;br /&gt;Obsceno psicopata sem coragem de matar&lt;br /&gt;Eu me escondo em você, porque o mundo não me quer&lt;br /&gt;E por mais que tenha medo&lt;br /&gt;Quero estar de frente&lt;br /&gt;E encarar contigo os pesadelos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-6507867924543426295?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/6507867924543426295/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=6507867924543426295' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/6507867924543426295'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/6507867924543426295'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/02/tao-longa-estrada.html' title='Tão longa estrada'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-5537339382052125920</id><published>2009-02-15T18:49:00.003-03:00</published><updated>2009-02-15T19:15:41.335-03:00</updated><title type='text'>TÃO PERTO, TÃO LONGE.</title><content type='html'>Um ao outro era tudo o que tínhamos&lt;br /&gt;Café nas noites frias.&lt;br /&gt;Cerveja nas noites quentes.&lt;br /&gt;Cardumes de sonhos nadando no lago dos teus lábios.&lt;br /&gt;Continuar, depois do fim, é cultivar um fogo-fátuo,&lt;br /&gt;É carregar nos bolsos o cadáver de uma dezena de amores fracassados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Deus se diverte!&lt;br /&gt;Ele também só quer ser amado.&lt;br /&gt;Feito um menino mimado qualquer,&lt;br /&gt;Cuja mãe não existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E dizem que Ele ama a humanidade, querida.&lt;br /&gt;Seis bilhões de sacos de merda&lt;br /&gt;Atravessando essa ponte sem sentido&lt;br /&gt;Seis bilhões de sacos de merda&lt;br /&gt;Inventando um teatro de amor&lt;br /&gt;Em meio a traições, doenças venéreas fatais,&lt;br /&gt;Cânceres que se formam entre as bolas&lt;br /&gt;Todos aqueles livros que não lemos...&lt;br /&gt;Todos aqueles livros que não escrevemos...&lt;br /&gt;Todas aquelas canções que não ouvimos...&lt;br /&gt;Todo o amor que não fizemos,&lt;br /&gt;Que deixamos para amanhã,&lt;br /&gt;Nunca sequer imaginamos que aquele era o último dia&lt;br /&gt;Que não haveria mais amanhã e que o Sol estava morto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E todas essas crianças metralhadas...&lt;br /&gt;E essa confusão mental...&lt;br /&gt;E os homens em busca de mais dinheiro e mais dinheiro e ainda mais dinheiro.&lt;br /&gt;- Afinal por que você está surpreso, Daniel?&lt;br /&gt;Acaso esperava um outro final para o espetáculo?&lt;br /&gt;Acaso imaginou que as drogas o salvariam?&lt;br /&gt;Bem... tenho algo a te dizer, meu velho,&lt;br /&gt;Elas enferrujaram todos os teus sonhos&lt;br /&gt;E crucificaram os teus amores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cardumes de sonhos nadavam no lago dos teus lábios.&lt;br /&gt;Aos cinco anos quebrei o braço e as esperanças.&lt;br /&gt;Tentei de tudo, mas não criei uma nova estética.&lt;br /&gt;Tentei de tudo e minha poética provou-se rouca.&lt;br /&gt;Pela cidade a boa nova esbarra nos edifícios.&lt;br /&gt;Feito um novo Noé, pelejo com as tábuas do meu barco&lt;br /&gt;E procuro nos céus um sentido e discos voadores.&lt;br /&gt;Lá fora chove&lt;br /&gt;Nos vidros da janela da sala&lt;br /&gt;Uma gota insignificante encontra outra&lt;br /&gt;Que busca uma outra,&lt;br /&gt;Que se junta a uma terceira,&lt;br /&gt;E formam uma correntezinha que desce e desce,&lt;br /&gt;Mas também morre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É muito frio, o vento que sopra dentro de mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-5537339382052125920?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/5537339382052125920/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=5537339382052125920' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/5537339382052125920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/5537339382052125920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/02/tao-perto-tao-longe.html' title='TÃO PERTO, TÃO LONGE.'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-3126628317163442721</id><published>2009-02-13T23:13:00.003-02:00</published><updated>2009-02-13T23:16:26.226-02:00</updated><title type='text'>BENEDITA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_k00Jmm09EeA/SLbpYd41TEI/AAAAAAAACzo/K3BrRn1ssn0/s320/Val5.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 221px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_k00Jmm09EeA/SLbpYd41TEI/AAAAAAAACzo/K3BrRn1ssn0/s320/Val5.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Se pudesse entender, não escreveria. Estava cansado, um bocado cansado mesmo, embora contente. Contente porque depois de três meses eu poderia me encontrar outra vez com Benedita, que é boa e eu amo. Contente por poder ficar longe de toda aquela correria do banco, daquele dinheiro todo, daqueles clientes todos, de todas aquelas gravatas coloridas e daqueles ternos bem e mal talhados. Estava feliz porque Benedita escrevia poesia e me esperava e era sexta-feira e o trem... o trem estava por vir, e me levar pro oeste, onde ela, Benedita, me esperava, usando seu vestido vermelho com elefantes indianos desenhados e a bíblia aberta sobre o criado-mudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo é que ainda sobrava tempo pra tomar um café e fumar um cigarro olhando os gêmeos colombianos tocarem suas flautas de bambu enquanto o trem não vinha. Enfim era tempo de sorrir, eu estava sem calor, de banho recém tomado, imaginando Benedita nua com seus olhos brilhando no meio do rosto alegre, o corpo deixando o vestido sair, as mãos prontas pra serem minhas. E pensar que em breve eu seria senhor de tudo aquilo! E pensar que em breve eu não estaria mais na estação vermelha esperando o trem, em breve São Paulo e suas neuroses seriam passado e eu beberia algumas cervejas bem geladas depois do amor.&lt;br /&gt;Eram sete e trinta e sete da noite, quando olhei no relógio da estação e decidi que era hora de abandonar o café e embarcar. Por farra resolvi pular a catraca, justamente na frente do guarda pra ver qual seria sua reação. Embora eu pulasse devagar, ele, o guarda, não esboçou qualquer reação. Fez como se não me tivesse visto. Melhor pra mim que poderia guardar o dinheiro pra mais tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trem não demorou a encostar. Estranhei-o, porque era extremamente velho. Como é que uma coisa naquela situação poderia suportar atravessar o estado? De qualquer maneira eles, os chefes da estrada de ferro, deveriam saber o que estavam fazendo. Não colocariam pro serviço um veículo que não poderia fazê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que as portas se abriram eu entrei. Já havia algumas pessoas, poucas, dentro do vagão. Achei que eram, principalmente por suas aparências, foragidas de algum circo. Havia um palhaço sentado no banco em frente ao meu que fazia crochê com lã vermelha, não consegui distinguir o que ele tecia. Um pouco mais adiante, sentados no mesmo banco, conversavam uma mulher barbada e um homem de terno negro e cartola, que eu deduzi ser o mago. No banco atrás do meu, dormia um senhor de uns noventa anos com roupa de trapezista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentei. Sorri. E decidi que era hora de tomar o meu comprimido azul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá fora a noite aumentava cada vez mais. E, aos poucos, uma névoa clara quase como nuvem envolvia o trem. Senti meu corpo amolecer. Estava relaxado da cabeça à ponta dos pés. O mágico acendeu seu cachimbo. Tinha um cheiro bom a fumaça que o cachimbo dele, do mágico, emitia.&lt;br /&gt;O trem ganhou velocidade. Avançava na noite feito um tigre. Não sei se adormeci, ou se ainda estava acordado. Talvez fosse sonho, talvez meus olhos estivessem realmente vendo aquele rio lindo correndo ao lado dos trilhos, cercado de girassóis azuis, e no qual os peixes eram todos de cores exóticas. Ao longe havia montanhas em cujos cumes um fogo intenso crepitava. Foi estranho que nem eu, nem ninguém no trem tivemos a menor reação, quando aquela cruz enorme surgiu entre as montanhas, tingindo tudo ao seu redor de fogo, feito o sol quando se põe. Mais estranho ainda foi ver aquele pano roxo enorme descer sobre a cruz, encobrindo tudo, inclusive as montanhas... Talvez eu estivesse mesmo sonhando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que quando dei por mim novamente os alto-falantes do trem anunciavam que dentro de dez minutos chegaríamos à estação onde eu deveria descer. Notei que os outros passageiros não estavam mais no trem. Fiquei feliz ao pensar que em vinte minutos, no máximo, eu teria Benedita só pra mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que o trem parou, pulei com minha mochila, entretanto estranhei a estação, não parecia ser mais a mesma. O mofo havia tomado conta de todas as paredes, que em muitos lugares estava destruída ou deixava os tijolos à mostra. Havia um cheiro azedo no ar. Pensei em tomar um café, uma cerveja, ou qualquer coisa assim, mas o telhado da estação, onde ficava o bar, havia desabado. Saí para a rua e a cidade inteira não estava em melhor estado. Era absurdo que as coisas tivessem mudado tanto em apenas três meses. O cheiro de carne podre empesteava o ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas ruas não havia mais asfalto, apenas buracos, buracos enormes. Resolvi caminhar. Viva alma não encontrei em toda a cidade, apenas aranhas, teias de aranhas e o zumbir das moscas, alimento. Pelo menos as ruas ainda existiam, embora as casas estivessem destruídas e as pessoas estivessem longe, invisíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dobrei uma esquina, depois a outra, segui em frente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, mesmo com medo de olhar, avistei a casa. Como a estação e todo o resto da cidade, não era mais que um emaranhado de ruínas, a casa. Continuei ... A porta estava escancarada. Em algumas partes da parede os tijolos também apareciam, porque o reboco havia caído. Onde os tijolos ainda não apareciam, o mofo cobria tudo. Um mofo negro, áspero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei devagar, sentindo o assoalho velho ranger sob meus pés. Ouvi vozes baixas que vinham do quarto onde Benedita dormia. Fui até lá. Meu coração disparou. A porta do quarto estava fechada. Pensei em bater, mas desisti e acabei entrando de uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia uma velhinha deitada na cama, segurando na mão de uma menina de uns doze anos. Conversavam. Não pude entender o que diziam. Aproximei-me da cama. A menina não se moveu um milímetro sequer. A velhinha, entretanto, virou-se pra mim e sorriu. Apesar de velho, era um rosto bonito o dela, e os olhos azuis, embora acinzentados pelo tempo, ainda brilhavam. Eu conhecia aqueles olhos. Ela disse meu nome calma, como se me conhecesse de longa data. Percebi pelos olhos, o sorriso, a voz que aquela senhora ali, deitada, de alguma forma, era Benedita, a minha Benedita. Havia uma cadeira encostada na parede. Tudo o que pude fazer foi me sentar e segurar a outra mão dela.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-3126628317163442721?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/3126628317163442721/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=3126628317163442721' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/3126628317163442721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/3126628317163442721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/02/benedita.html' title='BENEDITA'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_k00Jmm09EeA/SLbpYd41TEI/AAAAAAAACzo/K3BrRn1ssn0/s72-c/Val5.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-5802292621666702841</id><published>2009-02-05T16:16:00.001-02:00</published><updated>2009-02-05T16:18:48.191-02:00</updated><title type='text'>ULTRAVIOLETA</title><content type='html'>Muros crucificados&lt;br /&gt;Um Cristo dependurado em cada beco&lt;br /&gt;Meu registro de batismo queimado&lt;br /&gt;Flutuando feito uma dezena de urubus&lt;br /&gt;Ó mãe, onde foi que nos separamos?&lt;br /&gt;Onde foi que deixamos de nos entender?&lt;br /&gt;A tempestade fez da tua cama um canto ermo&lt;br /&gt;Todos os amantes que você não teve&lt;br /&gt;Negaram-me a alcunha de pai.&lt;br /&gt;E o que importa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ó mãe, por que o nosso amor não foi suficiente?&lt;br /&gt;Por que o medo fez de mim um depravado,&lt;br /&gt;E de você uma lágrima entre rugas?&lt;br /&gt;A morte está na estrada&lt;br /&gt;Você conhece alguém que não está morrendo?&lt;br /&gt;Crepúsculos sufocados nos teus olhos&lt;br /&gt;Luas cheias nos meus dedos&lt;br /&gt;A covardia joga o próximo na fogueira, sabia?&lt;br /&gt;Teus filhos já não são,&lt;br /&gt;Não serão jamais.&lt;br /&gt;Em verdade vos digo que o amor não foi suficiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jesus de tênis faz pose para as fotos no jardim.&lt;br /&gt;Sou minha imaginação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-5802292621666702841?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/5802292621666702841/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=5802292621666702841' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/5802292621666702841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/5802292621666702841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/02/ultravioleta.html' title='ULTRAVIOLETA'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-2027430855790826735</id><published>2009-02-01T11:17:00.003-02:00</published><updated>2009-02-01T11:32:39.429-02:00</updated><title type='text'>vaga lumes</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_yD-zm1139Dw/SXElUGROkLI/AAAAAAAAAGQ/BJsTKySuBBY/s320/capa_do_livro_de_luciano.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 222px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_yD-zm1139Dw/SXElUGROkLI/AAAAAAAAAGQ/BJsTKySuBBY/s320/capa_do_livro_de_luciano.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Ontem foi um dia bonito. Acordei cedo. O sol estava quente. Dei uma volta de bicicleta. Voltei pra casa. Lavei o quintal e aí o carteiro chamou. Tinha um sedex pra mim. Assinei um papel que o carteiro me deu. Peguei meu envelope e entrei em casa. Vinha de Cruz das Almas - BA, o envelope, e continha dois exemplares com dedicatória do livro Vaga lumes, do meu amigo Luciano Fraga.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Depois do almoço, deitei-me e comecei a ler. Fiquei encantado já com o prefácio do meu não menos amigo Ronaldo Braga... e então... passei aos poemas. E me deleitei com o já conhecido suíngue verbal do velho Luciano. Alguns poemas eu já conhecia do Versos e Perversos , mas eu os li novamente e foi um novo olhar e as palavras me revelaram coisas outras. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Outra coisa que não pode ficar à margem são as ilustrações magníficas do Ruela e todo o projeto gráfico que está pra lá de bonito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Muito obrigado Luciano e parabéns a todos envolvidos no projeto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EU INDICO.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-2027430855790826735?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/2027430855790826735/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=2027430855790826735' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/2027430855790826735'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/2027430855790826735'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/02/vaga-lumes.html' title='vaga lumes'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_yD-zm1139Dw/SXElUGROkLI/AAAAAAAAAGQ/BJsTKySuBBY/s72-c/capa_do_livro_de_luciano.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-9106487884962190803</id><published>2009-01-23T12:41:00.000-02:00</published><updated>2009-01-23T12:43:12.160-02:00</updated><title type='text'>PORQUE DELAS É O REINO DOS CÉUS</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;“He ain’t heavy, he’s my brother.”&lt;br /&gt;The Hollies.&lt;br /&gt;Para meu irmão Marcos, porque sempre esteve lá.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;            É estranho vê-Lo sorrindo agora, quase trinta anos depois. Mas o sorriso é o mesmo, não fossem as rugas e alguns cabelos brancos, eu poderia jurar que Ele ainda é o mesmo menino. Aproxima-se sem jeito, ainda rindo meio de lado e o sorriso dEle me desafina, me faz pensar que a minha vida inteira eu poderia ter sido uma pessoa melhor. Que eu poderia ter demonstrado mais o que sentia pelas pessoas e poderia ter feito mais por elas, entretanto eu não fiz. O caso é que nunca fui mesmo muito bom com esse negócio de sentimentos e emoções. É minha natureza, ou será que esse negócio da natureza é só mais uma das minhas desculpas? Como aquelas que sempre inventei pra não ter assumido o filho que perdi, pra ter abandonado a mulher que amava, ou pra ter comido e descartado tantas outras mulheres pelas madrugadas do mundo? Vai saber.&lt;br /&gt;            Ele por seu turno continua sorrindo. Eu tento sorrir de volta, contudo há anos que desaprendi a sorrir e minha boca é  como uma pintura colada na cara.&lt;br /&gt;            - Paga um doce. – Ele me pede, esfregando as mãos uma na outra, como sempre fez a vida inteira. Eu estou tomando uma cerveja só para me lembrar, porque, afinal de contas, esse bairro pequeno e perdido no subúrbio é a minha memória, o meu lado mais humano, bonito e verdadeiro. Havia cinco anos que eu não vinha aqui. Nesse meu ramo de negócios não podemos ser muito humanos e nem muito verdadeiros. O fato é que, apesar de tudo, meu trabalho me deu muito dinheiro, mas muito dinheiro mesmo. Contudo Ele, meu amigo,  não se importa com todo o meu dinheiro e continua esperando apenas o seu doce, ainda esfregando as mãos.&lt;br /&gt;            - Ô seu Mariano, o senhor tem caixa de bombom aí? – Pergunto ao dono do bar.&lt;br /&gt;            - Tenho.&lt;br /&gt;            - Faz um favor então, dá uma aqui pro meu amigo.&lt;br /&gt;            O dono do bar continua o mesmo desde que tínhamos oito ou dez anos. Tudo aqui parece continuar o mesmo. As pessoas envelheceram, mas não mudaram o olhar e nem o sorriso. As casas mudaram de cor, contudo conservaram o mesmo cheiro... o mesmo som. As ruas perderam o  paralelepípedo e ganharam um asfalto novo e bonito com duas faixas amarelas pintadas no meio, no entanto ainda são as mesmas ruas onde jogávamos bola com gols feitos de chinelo ou de pedra.&lt;br /&gt;            - Posso me sentar aqui? - Ele pergunta com a caixa de bombom nas mãos, sorrindo ainda mais que antes.&lt;br /&gt;            - Claro. – Respondo e então Ele se senta ao meu lado, no chão da porta de entrada do bar.&lt;br /&gt;            - Desse jeito, vocês vão me fechar toda a porta e aí como é que os fregueses vão entrar? – Grita o seu Mariano de trás do balcão. Os pêlos do meu braço se arrepiam. Como é que pode? É a mesma frase que ele gritava pra gente trinta anos atrás, quando nos sentávamos ali na porta, toda a molecada, depois do futebol, pra tomar um refrigerante qualquer em copos descartáveis que ele nos dava pra não ter que lavar tantos copos depois.&lt;br /&gt;            - Esquenta não Seu Mariano. Eu dou uma caixinha gorda pro senhor depois. – Falo e ficamos os dois sentados ali, lado a lado,  em silêncio olhando a rua. Até que Ele abre um dos bombons e diz:&lt;br /&gt;            - Esse é o que eu mais gosto.&lt;br /&gt;            - Do que é?&lt;br /&gt;            - De chocolate, ora.&lt;br /&gt;            - Eu sei, mas ele não tem outro sabor, banana por exemplo?&lt;br /&gt;            - Não sei.&lt;br /&gt;            - Deixa eu ver a embalagem. – Ele me entrega o papel que envolvia o bombom. Crocante com recheio de creme de leite.&lt;br /&gt;            Eu peço mais uma cerveja e reforço para o seu Mariano a idéia de que ele tem que pegar uma cerveja lá do fundo, porque elas é que são sempre mais geladas.&lt;br /&gt;            - Tá tudo igual. –Ele grita de trás do balcão. Sempre teimoso e mal-humorado esse Seu Mariano. Há cinqüenta anos que vende a mesma cerveja morna.&lt;br /&gt;            - Esse carro bonito é seu? Ele me pergunta com os dentes ainda cheios de chocolate enquanto aponta para o meu carro preto, conversível e importado, com rodas de liga-leve, direção hidráulica, trio elétrico e sistema de freios ABS.&lt;br /&gt;            - É sim, gostou?&lt;br /&gt;            - É bonitão.&lt;br /&gt;            Há trinta anos foi também um carro que mudou a nossa história. Tenho que pedir licença agora, pois o que vou contar não é algo de que me orgulho e também não é uma coisa lá muito bonita. Se quiser abandonar a história ainda é tempo. Se não, creio que o que devemos fazer é nos lembrar dos sapatos de plataforma, dos cabelos black power, das calças boca de sino, do senhor Emiliano Garrastazu Médici e de tudo o mais que compunha o cenário dos anos setenta.&lt;br /&gt;            Não é necessário repetir que éramos pobres, entretanto eu era o mais pobre de todos. Sempre descalço, sempre poupando o mesmo velho conga rasgado e vermelho pra escola. Filho de mãe solteira, empregada doméstica. Não era fácil suportar a tiração de sarro dos outros moleques. Ao contrário do que pregam, as crianças nem sempre são boas e inocentes, há muita maldade entre meninos. Mas eu não me deixava abater porque era forte e despeitado, quatrocentas lutas e quatrocentas vitórias, de modo que eu era o líder da nossa turma, mas não era um líder bom e nem piedoso. Este mesmo rapaz que está aqui sentado ao meu lado agora, comendo inocentemente seus bombons, foi um dos que mais sofreu nas minhas mãos.Uma das diversões da nossa turma, talvez a maior delas, era persegui-lo pelo bairro jogando pedras, paus, lixo, ratos mortos e tudo o mais que encontrávamos em cima dEle. Eu sempre na frente. Sempre liderando. Sempre tendo que me sobressair e mostrar a minha força, a minha coragem, a minha maldade. Não tinha mesmo piedade, se tivesse um revólver naquela época talvez tivesse dado um tiro na cabeça dEle sem pensar duas vezes. Só pra mostrar o quanto eu era homem, o quanto eu era forte, o quanto eu era gigantesco, potente, maior, melhor,  o quanto eu era inquestionavelmente um líder.&lt;br /&gt;Todavia um dia uma coisa aconteceu. É difícil contar isto com ele aqui ao meu lado sorrindo e desembrulhando seus bombons, mas vou contar de qualquer forma. Mais um dia, como sempre, nós o estávamos perseguindo. Eu ia adiante dos outros, como de costume, jogando sobre ele tudo o que encontrava pela frente. Ele era tudo o que eu mais odiava em mim mesmo, ele era a representação física da fraqueza, e eu não podia deixar espaço para a fraqueza, nem uma brechinha sequer. Naquele dia, os outros desistiram cedo da perseguição, porque alguém havia acertado uma pedrada, ou uma paulada, ou coisa que o valha bem na cabeça dele e agora ela, a cabeça, sangrava em abundância e ele chorava, mas tinha que continuar correndo, porque eu estava atrás com toda a minha fúria. Era tarde já e eu era o único a continuar na perseguição que já devia durar mais de três horas. Lembro que saímos do bairro, atravessamos a linha do trem, a avenida onde os ônibus passavam, entramos no outro bairro, onde moravam outros meninos, nossos maiores inimigos, mas não paramos de correr. Então, de repente, na adrenalina da perseguição, atravessamos uma rua sem olhar pra lado algum. Só ouvi o barulho da buzina, e do carro derrapando, e então senti o baque nas minhas pernas e voei pelos ares. O carro desapareceu na rua escura. Não fez qualquer menção de parar. Minha testa agora também sangrava e minha perna devia estar quebrada, porque eu não conseguia movê-la um centímetro sequer.&lt;br /&gt;Nem nós os havíamos percebido, nem eles nos haviam percebido, entretanto, com o barulho da batida, os meninos do outro bairro, que estavam jogando futebol justo ali, na esquina da próxima rua, pararam com a bola e foram ver o que tinha acontecido. Era muita sorte pra eles. Eu ali, no meio do bairro deles, caído no chão e com a perna quebrada. Nem em seus maiores delírios eles imaginavam um milagre desses. Nem em suas orações mais fervorosas eles tinham coragem de pedir a Deus que realizasse tamanho milagre, e, no entanto, era eu mesmo lá. Eles foram se aproximando devagar,  feito hienas, feito ratos, feito vermes. Eu não sentia medo, há poucos dias tinha assistido ao filme Warriors, Guerreiros da Noite na televisão e estava pronto para morrer representando minha Gang. Não fechei os olhos e nem tremi, contudo num determinado momento eles pararam, ficaram todos quietos no meio da rua. Eu não entendi. Esperava a surra, a depredação, o linchamento,  a morte e nada disso vinha. Então olhei pra trás e lá estava ele, com a testa sangrando, mas imenso, com um pedaço de pau enorme na mão. Depois de alguns minutos um dos meninos gritou:&lt;br /&gt;- Ih! Olha lá! Agora o Doidinho pirou de vez. Vai enfrentar nós todos só com aquele pedaço de pau na  mão.&lt;br /&gt;Ele apenas levantou o pedaço de pau acima da cabeça e falou com uma voz grossa e calma, como se tivesse trinta e não dez ou doze anos.&lt;br /&gt;- Vem pra você ver o que te acontece.&lt;br /&gt;O menino fez uma cara de espanto, não, de espanto não, de medo mesmo e se enfiou entre os outros. Aos poucos, como um exército em retirada, eles foram se dispersando. Primeiro as fileiras de trás, depois as do meio e, por último, as da frente. Um dos derradeiros garotos ainda gritou:&lt;br /&gt;- Vocês estão fodidos quando a gente pegar vocês seus filhos da puta.&lt;br /&gt;Ele fez mais uma ameaça com o pedaço de pau e o menino saiu correndo em disparada. Então Ele se abaixou e me pegou por baixo dos braços, de frente e me sorriu esse mesmo sorriso de agora e... por Deus... eu não pude entender mais nada e chorei... chorei... chorei... como nunca tinha chorado nem na frente do espelho e muito menos na frente de quem quer que fosse.&lt;br /&gt;- Pára com isso Marquinhos, você é o líder! – Ele disse e então me jogou nas costas com uma facilidade e com uma força que eu nunca imaginei que ele tivesse e me carregou de volta para a nossa Vila, caminhando por mais de duas horas e doze quarteirões.&lt;br /&gt;Agora ele sorri de novo comendo o último bombom e me pergunta enquanto eu limpo com o dedo a baba que escorre pelo canto da boca.&lt;br /&gt;- Posso pedir um guaraná?&lt;br /&gt;- Claro. –  Eu respondo.&lt;br /&gt;Ainda sorrindo ele bebe todo o guaraná, reclamando que está doendo a testa porque o refrigerante é muito gelado.&lt;br /&gt;- Então bebe devagar. -  Eu falo, só que, em vez de beber devagar, o que ele faz é virar todo o refrigerante na boca de uma vez. Depois exclama com a mão na testa.&lt;br /&gt;- Ai!&lt;br /&gt;Vendo que Ele não tem jeito mesmo, eu esboço também um sorriso com minha boca pintada na face e balanço a cabeça para os lados.&lt;br /&gt;- Posso pedir uma última coisa. – Ele me diz.&lt;br /&gt;- Vai lá, o que é?&lt;br /&gt;Ele aponta para o carro meio sem jeito, sempre sorrindo.&lt;br /&gt;- Que foi quer dar uma volta? – Eu pergunto.&lt;br /&gt;Ele balança a cabeça indicando que sim. Então eu pago a conta com uma nota de cinqüenta reais e mando o Seu Mariano ficar com o troco. Ele sorri, o Seu Mariano, como sempre sorri quando vê dinheiro e me diz pra voltar mais vezes, não sumir assim. Eu digo que volto sim e abro a porta do carro e mando Ele, não o seu Mariano mas meu amigo, entrar. Em seguida coloco o cinto de segurança n’Ele, em mim também, ligo o aparelho de som para ouvir o bom e velho Elvis Presley... Like a bridge over troubled water... e dou a partida. Ele ensaia uma pequena batucada sorridente no painel, ao mesmo tempo em que nós saímos pelas ruas do bairro em baixíssima velocidade.&lt;br /&gt;Antes de alcançarmos a primeira esquina ele aponta para o alto.&lt;br /&gt;- Que foi quer que eu abaixe a capota? – Pergunto e ele mais uma vez balança a cabeça indicando que sim. Então aperto um botão e a capota aos poucos vai se guardando feito uma sanfona lá atrás. Ele está  em êxtase e faz um dia lindo lá fora, como há muito tempo eu não via. Atrás do céu azul, espelho de tudo, devia estar o universo e, atrás do universo, um sorriso nos lábios de Deus... um sorriso nos lábios de Deus...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-9106487884962190803?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/9106487884962190803/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=9106487884962190803' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/9106487884962190803'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/9106487884962190803'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/01/porque-delas-o-reino-dos-cus.html' title='PORQUE DELAS É O REINO DOS CÉUS'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-5829567948498756969</id><published>2009-01-19T21:31:00.001-02:00</published><updated>2009-01-19T21:32:53.592-02:00</updated><title type='text'>5:45</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(Para Márcia e para meus editores Silvana e Albano)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Então a vida segue&lt;br /&gt;Depois da noite grande e da travessia&lt;br /&gt;Segue a vida&lt;br /&gt;Planta morta que renasce de si mesma&lt;br /&gt;Orvalho solto que se junta na folha&lt;br /&gt;Até virar gota e correr deitar na terra&lt;br /&gt;Destino de tudo.&lt;br /&gt;Segue sempre a vida&lt;br /&gt;Ainda que seja grande o número de mortos e destruídos&lt;br /&gt;Ainda que os homens levem gaiolas na luz das cabeças&lt;br /&gt;Ainda que as orquídeas sejam defuntas&lt;br /&gt;E os corvos de parafuso e eletricidade destrocem o trigal&lt;br /&gt;Quando menos esperamos...&lt;br /&gt;Quando tudo é dor e dor e dor...&lt;br /&gt;Quando casa já não há...&lt;br /&gt;Uma criança solta no ar seu pipa* fluorescente&lt;br /&gt;E este pipa grita por outro&lt;br /&gt;Que grita por outro&lt;br /&gt;Que grita por outro&lt;br /&gt;Que espalha o grito&lt;br /&gt;Então é tempo de pipa outra vez&lt;br /&gt;E o céu tem a cor de todo menino.&lt;br /&gt;A vida, segue sempre a vida&lt;br /&gt;Construtora de si mesma&lt;br /&gt;Operária do próprio corpo&lt;br /&gt;Noiva pobre maquiando o rosto sozinha&lt;br /&gt;Diante do espelho e do rosto quebrado.&lt;br /&gt;Ontem ainda éramos zumbis&lt;br /&gt;Ontem ainda éramos alcoólatras&lt;br /&gt;Prostitutas... parasitas... proxenetas... pederastas... presidiários&lt;br /&gt;Agora somos gente&lt;br /&gt;Sempre fomos gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida se renova&lt;br /&gt;Da mesma forma que o amor&lt;br /&gt;Da mesma forma que a vontade&lt;br /&gt;Ninguém nos disse que seria fácil&lt;br /&gt;E de fato não foi&lt;br /&gt;Mas agora o passado já não dói&lt;br /&gt;É hora de você me dar a sua mão e caminharmos juntos&lt;br /&gt;Como quando éramos criança&lt;br /&gt;Na missa de domingo.&lt;br /&gt;A chuva fez enchente é certo&lt;br /&gt;Agora&lt;br /&gt;Depois do temporal&lt;br /&gt;Crianças brincam com barquinhos de papel&lt;br /&gt;No lago do fundo do quintal.&lt;br /&gt;Nosso corpo tem estrelas&lt;br /&gt;Contudo não quero ser herói&lt;br /&gt;Só quero estar contigo&lt;br /&gt;Sempre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A esta hora todos os asilos tramam a Revolução.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-5829567948498756969?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/5829567948498756969/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=5829567948498756969' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/5829567948498756969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/5829567948498756969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/01/545.html' title='5:45'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-8738896740758905216</id><published>2009-01-15T10:27:00.002-02:00</published><updated>2009-01-15T10:33:22.769-02:00</updated><title type='text'>ESSE MUNDO NÃO FOI FEITO PARA ALGUÉM TÃO BONITO COMO VOCÊ</title><content type='html'>&lt;a href="http://sunsite.utk.edu/FINS/Knowledge_Organization/gogh-1.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 1013px; CURSOR: hand; HEIGHT: 834px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://sunsite.utk.edu/FINS/Knowledge_Organization/gogh-1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Para o Paulo, meu primo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Quando eu conheci Ângela, ela tinha trinta e dois anos e eu tinha dezesseis, talvez dezessete. Havia dois dias que eu não comia nada de sólido. Estava tentando ser escritor numa cidade grande, mas tudo o que tinha conseguido fazer até então, fora escrever alguns poemas e trabalhar nos finais de semana num lugar imundo, com um banheiro nojento, chamado Caverna do Rock. Aquele era um lugar das trevas, várias pessoas já haviam se matado, ou matado alguém lá dentro. O que me lembro é que eu tinha uma camiseta do Van Gogh, uma bermuda e uma calça. No dia em que nos conhecemos, eu estava tentando dormir, já um bocado embriagado, num dos bancos duros da Caverna, quando ela chegou perguntando por uma tal de Aline, ou Amanda, ou algum nome assim. Falei que nem sequer imaginava quem era essa pessoa e aí tornei a dormir. Ela me acordou de novo. Parecia ter passado a noite numa daquelas farras que deixa as pessoas com olhar de peixe morto, ou peixe vivo... enfim, com uns olhos bem estranhos.&lt;br /&gt;- O que você vai fazer hoje?&lt;br /&gt;- Hoje eu ainda não sei, por enquanto, estou tentando dormir.&lt;br /&gt;- Você não tem nada em cima aí não, tem?&lt;br /&gt;- Olha dona, tem dois dias que eu não como, porque não tenho dinheiro, daí a senhora já imagina, que, se eu tivesse alguma coisa em cima, não estaria numa situação dessas.&lt;br /&gt;- E essa camiseta?&lt;br /&gt;- É a noite estrelada, do Vincent.&lt;br /&gt;- Eu sei porra, você gosta? É difícil um menino na sua idade gostar dessas coisas.&lt;br /&gt;- Pois é, mas eu gosto.&lt;br /&gt;- Bom pra você. – Ela disse e acendeu um pensativo cigarro. Eu, do meu lado, já não conseguia dormir, porque ela era bonita. Fiquei lá deitado com meus olhos olhando pra ela, até que ela me perguntou: - Vem comigo, quero te pagar um café. Levantei num pulo e pedi pra ela esperar só mais um pouquinho, porque eu era um rapaz muito asseado e precisava escovar os dentes.&lt;br /&gt;Então nós entramos no carrão preto dela e andamos por uns trinta minutos até encontrar uma bela padaria, onde tomamos um opíparo café da manhã, com direito a frios, pães, frutas, geléia, suco, leite, café. Eu me fartei, porque tinha mesmo que encher o estoque da barriga, não sabia quando e nem de onde viria a próxima refeição. Ela me falou de livros. Disse que eu deveria ler o Ariel, de Sylvia Plath. Eu disse que queria ser escritor. Ela me falou de Joni Mitchel. Eu disse que estava aprendendo Bob Dylan. Ela me falou de Milton Nascimento e Frida Kahlo. Eu disse que tinha lido umas trinta vezes o Pequeno Príncipe. Ela me falou que eu tinha talento e tempo. Eu disse que tinha medo. Ela me disse que tinha um filho a quem não via havia uns cinco anos. Eu disse que ainda era muito jovem e que não era ninguém pra dar conselhos a quem quer que fosse, mas que ela devia ir devagar com as drogas. Ela sorriu um riso triste e disse que os sinos estavam enferrujados, mas que o natal estava chegando.&lt;br /&gt;E aí nós decidimos ir ao parque, caminhar um pouco e ver alguma exposição no museu de arte moderna. Eu concordei. E nós fomos, e foi um dia bonito, e ela pagou o almoço também, e nós conversamos mais um pouco, e parecíamos mesmo velhos conhecidos de mesma idade. No fim da tarde, ela me deixou na Caverna e me deu um pequeno beijo, sem língua nem nada e eu não pude acreditar que tinha beijado aquela mulher. Não mesmo.&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;***&lt;br /&gt;Da segunda vez que encontrei Ângela, eu estava trabalhando como cortador numa confecção. Ainda não era o artista que imaginara na adolescência, mas já tinha escrito um pouco mais. Foi no final dos anos 1990 e eu já conhecia algumas coisinhas a mais sobre arte, cultura e essas coisas todas, que são mesmo as únicas coisas que me interessam neste mundo escroto. Ela estava fumando outra vez o seu pensativo cigarro num ponto de ônibus. Era mesmo ela, mas tinha envelhecido um bocado e eu cheguei a estranhar que ela estivesse esperando o ônibus, afinal de contas, da última vez que nós havíamos nos visto, ela tinha aquele seu tremendo carrão.&lt;br /&gt;- Oi Ângela – eu disse – sorrindo aquele meu velho sorriso tímido de quem procura ser aceito. Ela ficou olhando meu rosto como se estivesse tentando se lembrar de onde me conhecia.&lt;br /&gt;- Não se lembra de mim? Perguntei.&lt;br /&gt;- Pra dizer a verdade, até que me lembro, mas não sei de onde. E aí eu lembrei pra ela todo aquele episódio da Caverna do Rock... e do café da manhã... e do passeio... e do parque...&lt;br /&gt;- Nossa cara, você está diferente, agora é um homem. Está bem. Ficou um cara bonito.&lt;br /&gt;Eu disse que ela continuava linda. Ela sorriu e disse que aquilo era generosidade minha. Era engraçado, mas ao lado dela, eu sentia como se tivesse cinco anos, junto da primeira namorada, que nem mesmo namorada era, mas que eu amava, como um menino ama a Maria, mãe de Jesus. Perguntei se ela tinha tempo para um café. Ela disse que estava indo a uma reunião de narcóticos anônimos e não gostava de chegar atrasada. Insisti. Tudo bem só um café, ela disse.&lt;br /&gt;Na padaria, contou-me que tinha perdido o controle e todo o resto com as drogas. Mal tinha o dinheiro para o ônibus, contudo agora se sentia melhor. Há quatro meses que não usava qualquer substância que lhe alterasse a consciência. Então ela sorriu meio de lado, como se estivesse se desculpando de alguma coisa e eu não pude resistir e ajeitei, com todo o carinho que as minhas mãos poderiam ter, os cabelos dela atrás das orelhas. Ela continuou sorrindo daquele jeito, como se chorasse por dentro, e eu senti um tremendo nó na garganta e fiquei com uma puta vontade de agarrá-la e beijá-la e dizer que a amava com todo o meu corpo e a minha alma e que ela não precisava mais ter medo, porque eu cuidaria bem dela pra sempre e ninguém nunca mais iria fazê-la sofrer, porque eu não deixaria.&lt;br /&gt;Entretanto nada fiz. Timidez, ou sei lá o que. Pra mim ela não era mulher, era quase que uma divindade. É muita pretensão sonhar casar-se com uma deusa. Nos despedimos de um jeito triste. Em silêncio. Eu tinha mesmo dentro de mim cinco anos. Nem sequer telefone trocamos. O ônibus levou ela embora. Havia luzes acesas dentro do ônibus e eu a vi passando pela catraca e ela me lançou um último sorriso. Do lado de fora do ônibus, onde eu estava, era tudo noite e só noite.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando encontrei Ângela pela terceira vez, mal pude reconhecê-la. Foi ela quem me abordou. Eu estava passando por uma praça no centro da cidade e quase não parei quando aquela mendiga tentou me segurar pelo braço.&lt;br /&gt;- Vai dizer que não está me reconhecendo?&lt;br /&gt;Fiquei olhando aquele rosto sujo. Com aquela boca faltando alguns dentes. E só com muito esforço foi que consegui reconhecer alguns traços da Ângela que eu havia conhecido atrás daquela máscara de dor e mágoa.&lt;br /&gt;- O que aconteceu? Fiz a besteira de perguntar.&lt;br /&gt;- Ó cara, nem me pergunte uma coisa dessas, por favor não me pergunte o que aconteceu. Aconteceram tantas e tantas coisas ruins. Mas você... você... graças a Deus... está ficando mais bonito a cada dia que passa!&lt;br /&gt;- Bondade sua.&lt;br /&gt;- Bondade nada... me conta e as novidades...&lt;br /&gt;Foi aí que contei pra ela que agora trabalhava como tradutor e estava pra lançar o meu primeiro livro. Tinha me casado e meu filho estava com catorze dias. Não devia ter falado do filho. Seu rosto se tornou ainda mais dolorido e ela abriu devagar a boca pra dizer.&lt;br /&gt;- Eu é que nunca mais vi meu filho. - O espinho prateado da rosa ensangüentada agora devia ser um homem. Pelo menos foi o que ela disse.&lt;br /&gt;Levei-a até um bar e paguei-lhe um lanche e um suco, todavia ela não conseguiu comer nem a metade da comida. Perguntou se eu podia dar-lhe algum dinheiro. Eu disse que, se ela quisesse poderia conseguir uma internação em alguma clínica de recuperação, ou coisa assim. Ela sorriu outra vez, aquele riso triste de sempre.Balançou a cabeça baixa e disse como alguém que já não tivesse mesmo a menor esperança.&lt;br /&gt;- Não adianta.&lt;br /&gt;Perguntou então se eu tinha algum dinheiro. Dei a ela uma nota de cinqüenta reais. Seus olhos brilharam. Ela apertou o dinheiro com força na mão direita e então me deu outro pequeno beijo na boca. Aí inventou uma desculpa e atravessou a praça quase que correndo. Não podia conter a ansiedade e o desejo da droga. Pobre Ângela. Eu atravessei a praça, entrei na catedral, ajoelhei-me e fiz uma prece por ela, e por mim, e por todos os desajustados desse planeta. Estranhamente, o beijo dela tinha gosto de camomila.&lt;br /&gt;- Um fantasma com gosto de camomila. Eu disse em voz baixa e sorri outra vez esse meu riso de quem deseja ser aceito. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-8738896740758905216?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/8738896740758905216/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=8738896740758905216' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/8738896740758905216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/8738896740758905216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/01/esse-mundo-no-foi-feito-para-algum-to.html' title='ESSE MUNDO NÃO FOI FEITO PARA ALGUÉM TÃO BONITO COMO VOCÊ'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-3583436869507757638</id><published>2009-01-06T18:23:00.000-02:00</published><updated>2009-01-06T18:25:06.827-02:00</updated><title type='text'>Dentro de mim mora um monstro de pedra</title><content type='html'>Dentro de mim mora um monstro de pedra&lt;br /&gt;Por muito tempo eu imaginei que pudesse dominá-lo&lt;br /&gt;Mas aos poucos ele foi crescendo&lt;br /&gt;E hoje é bem maior que eu mesmo&lt;br /&gt;Leões transitam entre os automóveis na rua da minha casa&lt;br /&gt;Lírios distribuem brancura nos meus olhos&lt;br /&gt;Toda perda é dolorida&lt;br /&gt;E eu não me tenho mais&lt;br /&gt;Desci as escadas até o maior fundo&lt;br /&gt;E ainda não era o inferno&lt;br /&gt;Estou apodrecendo aos poucos&lt;br /&gt;A morte pinta as unhas e não me leva&lt;br /&gt;As flores murcham quando eu passo&lt;br /&gt;Os lobos aguardam na varanda&lt;br /&gt;Uma manhã negra turva a cor dos meus olhos&lt;br /&gt;Meu amor magoa&lt;br /&gt;É preciso deixar as janelas abertas&lt;br /&gt;Enquanto as crianças falam de ternura&lt;br /&gt;As criaturas calam&lt;br /&gt;O monstro faz alarde dentro de mim&lt;br /&gt;Só por hoje não vou me suicidar&lt;br /&gt;Cinzas despencam dos meus olhos&lt;br /&gt;Não existem lágrimas&lt;br /&gt;Se eu fosse bom&lt;br /&gt;Teria o respeito das rosas&lt;br /&gt;Meu Deus... Meu Deus...&lt;br /&gt;Eu preciso me libertar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-3583436869507757638?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/3583436869507757638/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=3583436869507757638' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/3583436869507757638'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/3583436869507757638'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/01/dentro-de-mim-mora-um-monstro-de-pedra.html' title='Dentro de mim mora um monstro de pedra'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-5462696718002143559</id><published>2009-01-06T14:23:00.002-02:00</published><updated>2009-01-06T16:05:36.035-02:00</updated><title type='text'>MEU CORAÇÃO ESTÁ SUJO</title><content type='html'>Meu coração está sujo&lt;br /&gt;Repleto de hemorróidas vermelhas&lt;br /&gt;Perdi-me na ilusão do que sonhei ser&lt;br /&gt;Meu nome é Vergonha&lt;br /&gt;É necessário tanto sofrimento pra inventar a beleza?&lt;br /&gt;É necessária tanta morte pra criar um pouco de vida?&lt;br /&gt;Meus dedos são crisântemos cutucando o sorriso dos mortos.&lt;br /&gt;Sou a decepção de todos que apostaram em mim&lt;br /&gt;E eu tenho medo&lt;br /&gt;Meus olhos estão turvos&lt;br /&gt;Eu olho sempre pra baixo&lt;br /&gt;E tenho medo&lt;br /&gt;Um piano me diz que talvez eu pudesse voar&lt;br /&gt;Mas este ar de agora é sempre mais denso&lt;br /&gt;Deus me abandonou&lt;br /&gt;O Diabo me abandonou&lt;br /&gt;Esse vazio é pior que uma cova aberta&lt;br /&gt;Eu gastei todos os perdões que recebi&lt;br /&gt;Ninguém mais crê em mim&lt;br /&gt;Eu tenho câncer nos dentes&lt;br /&gt;E levo o inverno nas algibeiras&lt;br /&gt;Se ao menos eu pudesse chorar!&lt;br /&gt;Se ao menos eu conseguisse bater a cabeça na parede até o fim.&lt;br /&gt;Não há mais pássaros no céu&lt;br /&gt;Não existem mais cães nos meus braços&lt;br /&gt;Não existe mais nada além...&lt;br /&gt;Quero  morrer&lt;br /&gt;E que ninguém vá ao meu funeral.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-5462696718002143559?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/5462696718002143559/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=5462696718002143559' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/5462696718002143559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/5462696718002143559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/01/meu-corao-est-sujo.html' title='MEU CORAÇÃO ESTÁ SUJO'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-2371858345156169800</id><published>2009-01-01T11:09:00.002-02:00</published><updated>2009-01-01T11:10:13.567-02:00</updated><title type='text'>Johnny Cash: Foda!</title><content type='html'>&lt;a href="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/c/c3/JohnnyCashAmericanRecordings.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/c/c3/JohnnyCashAmericanRecordings.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-2371858345156169800?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/2371858345156169800/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=2371858345156169800' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/2371858345156169800'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/2371858345156169800'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2009/01/johnny-cash-foda.html' title='Johnny Cash: Foda!'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-2751769449154303992</id><published>2008-12-29T18:52:00.003-02:00</published><updated>2008-12-29T19:03:37.593-02:00</updated><title type='text'>Acaso sou eu o demônio de mármore?</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Para Camille Claudel&lt;/span&gt;&lt;a href="http://img.photobucket.com/albums/v252/gloureiro24/camille2.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 450px; CURSOR: hand; HEIGHT: 365px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://img.photobucket.com/albums/v252/gloureiro24/camille2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Acaso sou eu o demônio de mármore?&lt;br /&gt;Dividido entre a incompreensão e o medo?&lt;br /&gt;Acaso sou eu quem distribui beijos de sangue?&lt;br /&gt;E faz do amor um acessório vendido em sex shop?&lt;br /&gt;Um par de tumores me faz as vezes de sapato.&lt;br /&gt;Um par de cancros me faz as vezes de luvas.&lt;br /&gt;Um par de pragas faz as vezes de chapéu&lt;br /&gt;da minha cabeça dividida.&lt;br /&gt;Sou um dragão embaixo de chapéus coco.&lt;br /&gt;Caracóis coloridos despencam dos meus bolsos.&lt;br /&gt;(Só quando estou sentado)&lt;br /&gt;Silêncios esvaziam minha boca.&lt;br /&gt;(O tempo todo)&lt;br /&gt;Marcho cabisbaixo por caminhos que se bifurcam&lt;br /&gt;Sem Pátria&lt;br /&gt;(O Norte é bem mais quente)&lt;br /&gt;Sem carinhos&lt;br /&gt;Sem ternura&lt;br /&gt;Sem nada&lt;br /&gt;A taça da delicadeza&lt;br /&gt;Quebrei-a em dez mil vontades&lt;br /&gt;Um blues ainda consola a timidez dos objetos&lt;br /&gt;Um sol negro estático baila no meu peito&lt;br /&gt;Um arco-íris flutua em minhas veias&lt;br /&gt;Toda noite&lt;br /&gt;Mesmo quando conto anedotas estou triste&lt;br /&gt;Meu ventre está cheio de merda, querida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-2751769449154303992?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/2751769449154303992/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=2751769449154303992' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/2751769449154303992'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/2751769449154303992'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2008/12/acaso-sou-eu-o-demnio-de-mrmore.html' title='Acaso sou eu o demônio de mármore?'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-562669414916966829</id><published>2008-12-24T08:13:00.003-02:00</published><updated>2008-12-24T13:45:42.411-02:00</updated><title type='text'>Ici Repose Daniel Lopes 1977 - 1992</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.photoshoptalent.com/images/contests/surrealism/fullsize/surrealism_454b65c37b3fd.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 600px; CURSOR: hand; HEIGHT: 450px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.photoshoptalent.com/images/contests/surrealism/fullsize/surrealism_454b65c37b3fd.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Entre tantos que cultivam girassóis,&lt;br /&gt;Gerânios&lt;br /&gt;Crisântemos&lt;br /&gt;Hortênsias&lt;br /&gt;Orquídeas&lt;br /&gt;Rosas vermelhas,&lt;br /&gt;Eu sou aquele que cultiva flores de ódio&lt;br /&gt;E cuido delas com sangue, álcool e bílis&lt;br /&gt;Pelos meus dedos de jardineiro&lt;br /&gt;Corre uma brisa estranha&lt;br /&gt;Que é mágoa... decepção... rancor... o fim...&lt;br /&gt;Não sei ao certo&lt;br /&gt;A delicadeza dos pregos, talvez,&lt;br /&gt;Ou o som de cupins devorando pacientemente os afetos&lt;br /&gt;Talvez o fim derradeiro.&lt;br /&gt;Mas o fim de todo fim é recomeço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijos de festim habitam ainda os lábios das crianças&lt;br /&gt;E a língua dos cães que nos amam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-562669414916966829?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/562669414916966829/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=562669414916966829' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/562669414916966829'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/562669414916966829'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2008/12/ici-repose-daniel-lopes.html' title='Ici Repose Daniel Lopes 1977 - 1992'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-1870851272207228072</id><published>2008-12-21T16:09:00.003-02:00</published><updated>2008-12-23T22:17:51.610-02:00</updated><title type='text'>A FELICIDADE É UMA ARMA QUENTE</title><content type='html'>Partidos os relógios&lt;br /&gt;Um vento delicado entre os cabelos&lt;br /&gt;Andorinhas dissonantes apontando a dubiedade&lt;br /&gt;Quero o frescor do início outra vez&lt;br /&gt;E um gosto de pêssego na boca&lt;br /&gt;O mundo é grande demais para se ser só&lt;br /&gt;Vem com os meus erros&lt;br /&gt;Porque o teu perdão reinventa o amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje nos meus braços ninguém tinha dentes&lt;br /&gt;e nem sorrisos&lt;br /&gt;Mas eu engoli tua dor e teu sexo&lt;br /&gt;E do líquido da nossa desgraça&lt;br /&gt;Reconstruí diamantes cor de vinho&lt;br /&gt;E espingardas de caçador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou menino&lt;br /&gt;e aceito das águas a revolta.&lt;br /&gt;Quando você me deixou&lt;br /&gt;Eu chorei tanto&lt;br /&gt;Que as lágrimas cavaram feridas&lt;br /&gt;Hoje restam cicatrizes no rosto&lt;br /&gt;E claros traços de alcoolismo&lt;br /&gt;Estou tão cansado de ser eu mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-1870851272207228072?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/1870851272207228072/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=1870851272207228072' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/1870851272207228072'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/1870851272207228072'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2008/12/felicidade-uma-arma-quente.html' title='A FELICIDADE É UMA ARMA QUENTE'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-601036291359071002</id><published>2008-12-12T00:11:00.002-02:00</published><updated>2008-12-12T00:23:01.228-02:00</updated><title type='text'>EXECUÇÃO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://luminescencias.blogspot.com/goya.shootings-3-5-1808.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 723px; CURSOR: hand; HEIGHT: 548px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://luminescencias.blogspot.com/goya.shootings-3-5-1808.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; “a culpa é indubitável”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FRANZ KAFKA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele ouviu os gritos da multidão e não pôde acreditar que a coisa ia mesmo acontecer. Não podia acontecer, não com ele, isso só acontecia aos outros. Mas ele estava lá e foi arrancado do seu pensamento por imenso tapa na nuca. “Filho da puta!”, pensou, mas nada disse a princípio, talvez ofender pudesse ser pior, entretanto se não havia mesmo mais jeito e o que o separava da morte eram apenas alguns movimentos do ponteiro no relógio da torre, então que esse guarda amarelo fosse mesmo tomar no centro do cu!&lt;br /&gt;- Filho da puta! Gritou com todas as forças.&lt;br /&gt;Recebeu nova pancada, desta vez no estômago. Curvou-se sobre a dor. O guarda de uniforme verde bem passado e quepe preto balbuciou alguma coisa que ele não entendeu e o puxou pelos cabelos. A princípio não se moveu, mas, assim que pôde se reerguer, foi ordenado que ajeitasse a placa pendurada no pescoço onde constava seu crime e sua sentença. Não entendia as palavras do guarda, mas ele, o guarda, apontava na direção da placa. Num país onde os ratos eram sagrados, era proibido que se fabricasse ratoeiras. Sim, era culpado pela morte de milhares de ratos, ou não era culpado pela morte dos ratos, mas tinha confessado, ainda que sob as mais cruéis torturas. E eles ainda chamavam a isso de justiça. Pior, chamavam de a melhor justiça do mundo, onde 100% dos crimes eram punidos com a morte, onde os advogados de defesa recebiam mais pela condenação que pela absorção dos réus.&lt;br /&gt;Viu um par de botas, um sobretudo e um quepe se aproximarem. Desviou o olhar pra multidão. Estavam eufóricos, monstruosos. Um estádio inteiro de filhos da puta! Ainda não acreditava que seria realmente morto, como num filme, num conto do Sartre, ele acreditava que seria salvo no último momento. Ao mesmo tempo, sentia um vazio por dentro, como se não tivesse órgãos, nem sangue, nem nada, além do vento, dentro de si. “Agora tanto faz”. Pensou, só não iria mesmo era abaixar a cabeça como eles queriam. Não iria mesmo.&lt;br /&gt;Subiu as escadinhas que o separavam do centro do espetáculo. Sentiu os tomates podres esborracharem-se sob seus pés. Que lindo tapete vermelho! Que espetáculo! Estava no fim e nem sequer tinha realizado algo de grande. Olhou pro céu, num ponto mais além do relógio da torre, e notou que, ao longe, entre as nuvens pesadas de água, os dragões já haviam se libertado e voavam como que em câmera lenta. Recebeu a primeira tomatada no rosto. Em seguida vieram mais dezenas delas. E cada tomate parecia que vinha com mais força. Era o grande momento de sua vida, seu grande espetáculo e toda aquela platéia se rendia, jogava-se a seus pés. As vaias são tão importantes quanto os aplausos e seus aplausos eram as vaias que os cretinos arrancavam do ponto mais profundo de suas gargantas. Podia ver de longe o suor no rosto deles, de cada um deles. E os dragões cada vez estavam mais perto, mas era só ele, que estava no palco, quem os via, os espectadores não ousavam voltar suas cabeças na direção da torre.&lt;br /&gt;Come in from the cold ...&lt;br /&gt;Sorriu ao imaginar que seu sangue se misturaria ao sumo do tomate. Nunca saberiam o que fazia parte dele e o que fazia parte dos tomates.&lt;br /&gt;Ouviu o guarda anunciar, sem entender porra nenhuma daquela língua estranha, sua sentença. Balançou a cabeça com força quando tentaram vendar seus olhos. Queria ver o rosto da morte. Queria encará-la de frente. Sentiu o hálito quente dos dragões empestear todo o estádio. Olhou pros seus pés vermelhos entre os tomates. Ergueu novamente a vista e viu que as mangas do sobretudo verde preparavam a munição pra arma. No céu, os dragões voavam em círculos nervosos. A multidão em êxtase. Lembrou-se pela última vez dos girassóis que ela, às vezes, deixava na janela. Lembrou-se da alegria das crianças quando voltavam da escola, mas agora ele estava só, completamente só. A despesa da bala já tinha endereço certo. Nem sequer na hora do disparo fechou os olhos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-601036291359071002?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/601036291359071002/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=601036291359071002' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/601036291359071002'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/601036291359071002'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2008/12/execuo.html' title='EXECUÇÃO'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-949260374328959828</id><published>2008-12-07T12:01:00.003-02:00</published><updated>2008-12-07T12:27:10.914-02:00</updated><title type='text'>Em águas tão profundas como as tuas eu me afogo</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.db-artmag.de/art/images/566/12.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 370px; CURSOR: hand; HEIGHT: 306px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.db-artmag.de/art/images/566/12.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Em águas tão profundas como as tuas eu me afogo&lt;br /&gt;Nunca aprendi a nadar&lt;br /&gt;Nunca aprendi a ser forte&lt;br /&gt;Nunca aprendi a enfrentar os outros e os dias&lt;br /&gt;Do teu vestido de baile desmoronam prazeres imensos&lt;br /&gt;E eu me masturbo só com as mãos que tenho em mãos&lt;br /&gt;Feito um menino que não soube crescer&lt;br /&gt;Feito um adulto que não deixou de ser pequeno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Longe das tuas águas eu morro de sede&lt;br /&gt;Dentro das tuas águas eu me afogo&lt;br /&gt;Enferrujo&lt;br /&gt;Prego no fundo da lagoa&lt;br /&gt;Chave de fenda sem fenda no espaço&lt;br /&gt;Teu corpo pequeno e imenso&lt;br /&gt;Sugando meu corpo rígido e cansado&lt;br /&gt;Enquanto Deus assobiava la vie en rose&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isso já não é.&lt;br /&gt;Mas isso já não é.&lt;br /&gt;Mas isso já não é, nunca mais, por toda a eternidade, sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em águas tão profundas como as tuas eu me afogo&lt;br /&gt;Longe das tuas águas eu morro de sede&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Distantes gritam tambores teus&lt;br /&gt;Sons negros entrecortando a noite inda mais negra&lt;br /&gt;A traição faz apodrecer o amor&lt;br /&gt;Como os dentes da boca de um louco&lt;br /&gt;A traição&lt;br /&gt;Faz do teu rio esgoto a céu aberto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-949260374328959828?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/949260374328959828/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=949260374328959828' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/949260374328959828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/949260374328959828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2008/12/em-guas-to-profundas-como-as-tuas-eu-me.html' title='Em águas tão profundas como as tuas eu me afogo'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-1592292555676723207</id><published>2008-12-06T18:54:00.006-02:00</published><updated>2008-12-06T21:44:03.250-02:00</updated><title type='text'>Viagem ao Fim</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://i78.photobucket.com/albums/j108/alpenna/Artes/Goya/GoyaAustellunginBerlinerffnet.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 303px; CURSOR: hand; HEIGHT: 404px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://i78.photobucket.com/albums/j108/alpenna/Artes/Goya/GoyaAustellunginBerlinerffnet.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Ele estava perdido. A maioria das pessoas está. Ainda carregava o machado na mão direita, mas não havia mais floresta. Era um lenhador, contudo seu trabalho havia terminado e ele, que jamais respeitara o perfume do sândalo, sentiu saudades do tempo em que havia ainda pela frente um trilhão de árvores a derrubar. Olhou para os dois lados e só havia a areia e o deserto avassalador. Soltou o machado no chão e enxugou com as costas da mão direita uma única lágrima pequena, que escorria pelas rugas da face formando quase que uma correnteza, quase que um rio. O corpo ainda era forte, resultado de sessenta e tantos anos derrubando árvores e mais árvores, contudo agora não havia mais árvores, nem pessoas, nem nada, só a areia e o deserto imenso. O machado era inútil, mas... porra... ele era um lenhador, e lenhador era tudo o que ele sabia ser, ainda que não houvesse árvores, de que maneira poderia abandonar o machado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegou outra vez sua ferramenta de trabalho. Passou de leve a mão pelo fio afiado. Alguma coisa doeu em seu coração, mas o coração não doía nunca. Pelo menos era o que lhe haviam dito a vida inteira... então que diabo era aquele vento ruim soprando tudo que era sensação boa dentro dele? Sentiu as pernas enfraquecerem e sentou. Jamais sentira qualquer tipo de fraqueza, agora sentia, sentia uma fraqueza grande e profunda como o deserto, uma fraqueza de tamanho igual à da floresta, quando a floresta era grande e ele era pequeno. Acendeu um cigarro de filtro amarelo e tragou devagar. Doíam-lhe até as pernas da alma e ainda assim ele começou a se lembrar do tempo da infância, só pra se magoar e sofrer ainda mais. Era velho, mas parecia um desses meninos que cutucam a casca de uma ferida até que ela comece a sangrar outra vez. Examinou as unhas das mãos na esperança de encontrar alguma que pudesse ser roída, contudo todas elas estavam sugadas até o centro da carne.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Agora é esperar a morte”. Pensou terminando o cigarro e se deitando pra deixar o Sol destruí-lo pra sempre. Era o que queria agora. Era só o que esperava agora.Todavia, mal fechara os olhos, ouviu a voz da menina chamando-o e os dedos dela cutucando-o. De onde ela, a menina, surgira só Deus o sabia.&lt;br /&gt;- O que o senhor está fazendo aí? Ela perguntou.&lt;br /&gt;- Nada, estou só morrendo. Ele respondeu.&lt;br /&gt;- O senhor é muito bonito pra morrer assim... sozinho.&lt;br /&gt;- Eu tenho culpa, acho que é assim mesmo que devo morrer.&lt;br /&gt;- Ninguém merece morrer assim. – Ela disse e começou a mexer numa pequena mochila que carregava nas costas.&lt;br /&gt;- O que é que você está procurando ai?&lt;br /&gt;- É só uma coisa que eu trouxe pro senhor. – ela disse e neste exato instante encontrou o botão de rosa que pretendia dar ao lenhador. Ele ainda tentou argumentar que não merecia, que era culpado, mas ela insistiu e ele apertou o cabo da planta na mão, sem se preocupar com os espinhos. Por alguns momentos as almas de ambos se tocaram e eles souberam que eram iguais, que se pertenciam, ainda que ele tivesse mais de setenta anos e ela tivesse menos de quinze. Depois a menina virou as costas e foi embora sem dizer adeus. Quanto ao lenhador, tudo o que fez foi observar uma gota de sangue, saída da ferida na mão provocada pelos espinhos, escorrer pelo seu braço e cair sobre a areia quente. Poucos minutos depois a gota de sangue estava seca.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3703515751541560571-1592292555676723207?l=pianistaboxeador21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/feeds/1592292555676723207/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3703515751541560571&amp;postID=1592292555676723207' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/1592292555676723207'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3703515751541560571/posts/default/1592292555676723207'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2008/12/viagem-ao-fim.html' title='Viagem ao Fim'/><author><name>pianistaboxeador21</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02711437097316145743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_K_pLWRBj9-0/SoiQ9hrESkI/AAAAAAAAAE4/0g0QFxYP2Go/S220/Imagem+283.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3703515751541560571.post-9025485652538116701</id><published>2008-12-03T17:30:00.006-02:00</published><updated>2008-12-03T17:52:27.846-02:00</updated><title type='text'>SÓ DESSA VEZ</title><content type='html'>&lt;a href="http://tbn1.google.com/images?q=tbn:WOj9zkLBJPTCEM:http://www2.uol.com.br/tropico/pscm/img/2007/9/i-2195.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 124px; height: 108px;" src="http://tbn1.google.com/images?q=tbn:WOj9zkLBJPTCEM:http://www2.uol.com.br/tropico/pscm/img/2007/9/i-2195.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;(para o tio César)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anjos e meninas despencam da janela do sétimo andar&lt;br /&gt;E um vento audaz corta as asas e os corpos&lt;br /&gt;Estou sentado na calçada &lt;br /&gt;e tento montar o quebra-cabeças da nossa vida que rasguei.&lt;br /&gt;corre comigo que eu corro contigo...&lt;br /&gt;sonhos pingando das torneiras...&lt;br /&gt;colchas remendadas no centro...&lt;br /&gt;E um cheiro amargo de manhã que me estupra as retinas.&lt;br /&gt;Estou só e mal acompanhado&lt;br /&gt;Com o gosto do teu gozo escorrendo dos lábios&lt;br /&gt;E o cheiro dos teus dedos me afagando os cabelos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teu sorriso constrói manhãs...&lt;br /&gt;Teu sorriso cura os doentes...&lt;br /&gt;Teu sorriso canoniza meninos de rua,&lt;br /&gt;E me cura do espólio ardente do pó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anjos e meninas despencam&lt;br /&gt;E um vaga-lume acaricia o piano&lt;br /&gt;Enquanto os bem-te-vis, imitando o som de um corvo,&lt;br /&gt;Repetem “never more”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manhã de morte em mim&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo em que uma menina compra pão&lt;br /&gt;Manhã de morte em mim&lt;br /&gt;Enquanto o investigador pede um pingado&lt;br /&gt;Manhã de morte em mim&lt;br /&gt;Enquanto o mendigo revive na primeira pinga do dia&lt;br /&gt;As amarguras dos cinqüenta e dois anos anteriores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Flor de ir embora&lt;br /&gt;Teu reflexo partido no espelho em doze mil ilusões&lt;br /&gt;E eu desencantado sem saber bem o que fazer com as mãos&lt;br /&gt;(Eu tenho doze mãos)&lt;br /&gt;Então a porta se fecha e o espelho reflete a porta,&lt;br /&gt;E a porta está sempre fechada.&lt;br /&gt;O mundo é teu, menina&lt;br /&gt;Tudo o que posso fazer 
